Foto: ReproduçãoComo um festival improvisado criou o rock psicodélico há 60 anos
Em 21 de janeiro de 1966, começava o revolucionário Trips Festival, em São Francisco, Califórnia
“Se você não se lembra do Trips Festival em 1966, na cidade de São Francisco, ou você não era nascido ainda, ou estava lá.” A frase brilhante do jornalista Michael Callahan é sobre o primeiro festival de música psicodélica dos Estados Unidos, “uma orgia de cores e sons”.

Começando dia 21 de janeiro e durando três dias, o evento era parte dos lendários Acid Tests, experiências com distribuição de LSD dirigidas pelo escritor Ken Kesey, nos arredores da cidade californiana, juntando todo tipo de gente — de atores e intelectuais da época aos baderneiros motociclistas dos Hell’s Angels.
No rolê tocaram, mais de uma vez, estreantes do cenário de rock psicodélico da cidade, como Grateful Dead e Jefferson Airplane, em sets gigantescos, se apresentando por horas para embalar um público completamente chapado, no Longshoreman’s Hall. O Trips Festival é considerado um marco na criação de um gênero musical chamado, apropriadamente, de rock psicodélico.
Os Acid Tests de Kesey e seu coletivo maluco Merry Pranksters começaram pouco tempo antes, em novembro de 1965. No dia 27 daquele mês, o grupo reuniu uma turma em um sítio na região e distribuiu a droga, com som mecânico e projetando imagens nas paredes. Os jovens de São Francisco, já uma das cidades mais libertárias dos Estados Unidos, ficaram literalmente doidões pela novidade.

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Na época, o LSD ainda não havia sido proibido. Era visto como uma ferramenta para abrir as portas da percepção e comprovar a possibilidade de um novo jeito de ver o mundo. Algo mágico, místico e terapêutico. O governo tentou acabar com a festa na Califórnia em outubro de 1966, e dois anos depois, em todo o território nacional.
Com o sucesso, os Merry Pranskters organizaram mais um encontro já na semana seguinte, chamando uma banda de amigos para tocar, uma tal de Grateful Dead. Como o efeito da viagem durava bastante, o grupo, tão chapado quanto o pequeno público, se apresentou por várias horas, fazendo a trilha sonora da experiência.
Percebendo que tinha mais gente interessada no rolê do que a capacidade do sítio, Kesey se juntou a Stewart Brand e Bill Graham para criar o primeiro festival dedicado à novíssima cultura do LSD, o Trips. Os ingressos custavam incríveis dois dólares para uma noite, ou cinco para o “passaporte” de três dias.
Cerca de dez mil pessoas compareceram, muitas pagando e outras entrando de graça pela porta dos fundos, já que Ken Kesey, deslumbrado com o sucesso de sua empreitada, começou a liberar geral, enquanto um desesperado Graham, já um promoter profissional, corria atrás do maluco tentando impedir que ele continuasse colocando pra dentro mais gente do que o espaço permitia.
Além de Grateful Dead e Jefferson Airplane, também tocaram por horas a fio a futura banda de Janis Joplin (ainda sem a chegada da cantora), Big Brother and the Holding Company, e The Holding Zone.
O Trips Festival foi um acontecimento em São Francisco, influenciando diretamente o Verão do Amor do ano seguinte, quando o movimento psicodélico já estava consolidado e se espalhando por todo o país.



