
9/10
11 anos após lançar seu último disco de estúdio, Rub, a canadense Peaches está de volta às prateleiras com No Lube So Rude (20 de fevereiro). E está melhor do que nunca. O ícone da cultura queer desfila, em 11 faixas, tudo o que aprendeu desde que se mudou para Berlim em 2000, aos 34 anos. Seu novo álbum é uma aula de música eletrônica para o público da música pop, e um atestado de autoridade no assunto.
Ultimamente, venho me incomodando com a quantidade de cantoras que construíram sua carreira na música de algodão-doce bradando aos quatro ventos que estão lançando discos “ravers”, feitos para a pista de dança, “onde estão suas raízes”. Tudo bem, todo mundo tem esse direito de pleitear um lote nesse condomínio. Mas Merrill Beth Nisker, a Peaches, é a dona do terreno.
Em uma produção louvável, encabeçada pela própria artista em parceria com The Squirt Deluxe, No Lube So Rude alcança paradoxos estéticos, aliando limpeza e espaços de silêncio com sujeira e potência techno. O techno de verdade, cru, banger, a conhecida lenha. Músicas que podem soar em uma pista de dança underground e uma festa pop sem muitos problemas. Conhecedora do assunto, acertou no alvo. Um cartão de visitas: “muito prazer, mocinhas, eu sou a Peaches, agora toma!”.
Difícil definir uma melhor música no álbum, já que ele tem poucas quedas de energia. A sequência No Lube So Rude, Watcha Gonna Do About It e Panna Cotta Delight, é um arregaço. Mas tudo ali é bacana, com poucas flutuações, muita energia de pista e uma sinceridade artística emocionante.

Peaches deve ser louvada não só por quem anda querendo “fazer um disco raver”, como por toda a comunidade mundial que gosta de sair para dançar. É difícil fazer um LP soar bem nos dois universos, do inferninho ao grande festival.
Falando em grandes palcos, aliás, No Lube So Rude nos dá uma vontade louca de assistir a um show da Peaches. Hoje em dia, essa é a grande função de um álbum, não é mesmo? É bom começar o ano com um desses. E é bom ver uma artista que nunca saiu do universo notívago dar, aos quase 60 anos, sua definitiva carteirada: “Nesse rolê, quem manda sou eu”.



