Gorillaz - The Mountain

The Mountain

Gorillaz

Indie pop | 2026

7.5/10

Jota Wagner
Por Jota Wagner

 

Formado em 1998 por Damon Albarn e pelo cartunista Jamie Hewlett em meio ao deslumbre da internet, ainda antes da banda-larga facilitar a vida dos amantes de música mundo afora, o Gorillaz pode ser lido como uma revista de entretenimento, tecnologia e cultura pop.

Em seu primeiro álbum/volume, de 2001, pudemos conhecer novas ideias no que diz respeito à relação da industria musical com as novas facilidades musicais. Uma espécie de artigo que tentou projetar o que significaria ser um astro quando a cultura digital finalmente se popularizasse, na virada do milênio. Artistas poderiam, muito bem, ser personagens fictícios. E, pensando bem, será que já não o eram desde sempre?

Cada novo disco lançado servia como um anuário musical, com Damon se unindo outros músicos, tanto classicões como os “do momento”, para infinitas colaborações. Um caminho que foi se intensificando ao máximo, como acontece em The Mountain, nono álbum do grupo, com dezenas de convidados de diversos gêneros atuando como colunistas de uma revista, trazendo sua visão do que está acontecendo atualmente no mundo da música. Assim, Albarn, o editor-chefe, propõe uma reflexão contrária ao que imaginou no começo da banda: precisamos, sim, de artistas reais, humanos, para seguir fazendo arte.

Se a gente olhar para The Mountain como um novo álbum do Gorillaz, é apenas mais um. Segue com qualidade, com bons momentos (The Moon Cave e The Happy Dictator) e outros não tão empolgantes. Daqui a dois anos tem outro. Beleza. Mas se a gente olhar como uma edição informativa, feita para mostrar a um alienígena o que está acontecendo no planeta em que vivemos, fica mais interessante.

Então, folheamos por peças que nos explicam como é Londres, culturamente. Um ponto de encontro de sons vindos de todos os lugares do mundo, devidamente apropriados por artistas britânicos para gravar, embalar em um produto comercial e vender de volta em forma de shows. O disco apresenta um olhar mais atento para gêneros musicais antes de passar perrengue na imigração do aeroporto, trazendo influências de música tradicional asiática, latina e balcânica, filtrada pelo indie-synth-pop de sempre da banda virtual.

Falta, no entanto, uma nova provocação. Uma nova previsão do futuro, como fizeram na virada do milênio, apresentando um projeto que nos faria pensar em possibilidades novas e mudanças complexas. Talvez no próximo.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.