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Novo Mundo, o mais recente lançamento de Arnaldo Antunes, chegou nesta quinta-feira (20 de março) às plataformas digitais. Em sua professia poética, o ex-Titãs declama bem-acompanhado. O 13º álbum solo do artista tem participações de David Byrne (em duas canções), Ana Frango Elétrico, VANDAL e a velha colega tribalista Marisa Monte.
Fã confesso de Byrne, como outros tantos, Antunes bebe principalmente na fase do ídolo na época em que jogava ao lado de Brian Eno. Há muito tempo, o poeta concretista brasileiro faz música avançada, talvez já mirando no novo mundo que agora anuncia. Novo Mundo tem arranjos tremendamente eletrônicos e o jeitão de cantar meio em spoken word que tanto combina com a voz grave do mais cabeçudo Titã.
Duvido que alguém que esteja lendo esta resenha até aqui não esteja se perguntando: “tá, mas e o David Byrne?”. Arnaldo Antunes fez a música para agradar o ídolo, mas nem por isso perdeu sua identidade. Body Corpo tem as percussões brasileiras que tanto encantaram o cara que é uma referência na divulgação da música brasileira e já fez parcerias com o amigo gênio Caetano Veloso.
A outra parceria dos dois rola na penúltima faixa do álbum, Não Dá Pra Ficar Parado Aí na Porta, mais quebrada e, vejam só, bem Caetano. É como um encontro dos três na varanda de um apartamento, olhando para o mar e conversando amenidades. A canção evolui para um groove festeiro. Mas aquela festa doida, das que rolam na casa de Byrne.

Gostosa também é a canção ao lado de Ana Frango Elétrico, Pra Não Falar Mal. Antunes está bem de amigos. Noveleira e com altas doses de Odair José, a singela música provocou um ótimo namoro entre as vozes do anfitrião e da convidada. Na colaboração com Marisa Monte, a coisa fica meio nostálgica, como uma sobra de estúdio do álbum dos Tribalistas, lançado ao lado de Carlinhos Brown em 2002.
O disco é coeso, bem produzido e totalmente Arnaldo Antunes, dono de criatividade estável, o que não é nada fácil. Tudo muda, a música muda, o mundo é novo, mas Antunes segue o mesmo.