Reis da new wave, B-52s se despede com turnê pelos EUA que começa em agosto.

Por Claudio Dirani

Presentes em absolutamente todas as festas de rock desde os anos 80 até hoje, B-52 anuncia turnê de despedida

Ninguém gosta de despedidas – principalmente quando se trata de estrelas como o B-52s, que promete cair na estrada pela última e definitiva vez em 2022 (Será? Vide Kiss!). O anúncio oficial saiu nesta quarta (26/4), e a partir de amanhã já serão disponibilizados os ingressos para a turnê batizada pelo trio de Athens, Geórgia, como The Final Tour Ever Of Planet Earth.

Se a rota não for alterada, o avião do B-52s levantará voo em 22 de agosto, na chuvosa Seattle, em Washington, finalizando a prometida última excursão de seus mais de 45 anos de jornada pelo pop no sul norte-americano, com pouso previsto em 11 de novembro na cidade de Atlanta, Geórgia.

 

 

“Quem imaginaria que um grupo que se começou se reunindo para tocar em festinhas de Athens duraria 45 anos e faria turnês pelo mundo?”, ponderou a vocalista e fundadora da banda, Kate Pierson. Seu sentimento é compartilhado pela companheira de palco (e cofundadora) do B-52s, Cindy Wilson. “Tem sido uma jornada simplesmente inacreditável”, admite a cantora. “Nos sentimos abençoados por uma carreira que tem motivado as pessoas a dançar, cantar e sentirem que podem ser o que quiserem ao nosso lado”, concluiu a vocalista e irmã do guitarrista Ricky Wilson, outro membro original do grupo, infelizmente falecido em 1985 aos 32 anos de idade.

Private Idaho, um dos primeiros hits, de 1978


Embora garanta que o B-52s ainda tenha muito combustível para mostrar suas coreografias sempre originais “ao redor do mundo”, o veterano Fred Schneider dá pistas de que a derradeira turnê foi planejada para ser um “fim com dignidade”.

“Ninguém gosta mais de organizar uma festa mais do que nós”, aponta o terceiro e último remanescente original da banda. “Mas, depois de quase meio século na estrada, já é hora de curtir pela última vez com os amigos e fãs. E ainda ter a bordo (como atrações de abertura) KC & The Sunshine Band e The Tubes a bordo, vai ser uma festa de despedida infernal”, destacou o artista em entrevista à revista Variety.

The B-52s: trajetória multicolorida em disco

Formada em 1976 – e contemporânea de lendas, como Ramones e Blondie – o B-52s não possuí uma extensa discografia. Em 46 anos, os nativos de Athens (mesma cidade do R.E.M) soltaram apenas sete álbuns de estúdio: “The B-52s” (1979), “Wild Planet” (1980), Whammy! (1983), “Bouncing Off the Satellites” (1986), “Cosmic Thing” (1989), “Good Stuff” (1992) e o mais recente da linha, “Funplex” (2008).
Em termos de vendas, a estreia no mainstream de Fred Schneider (vocal), Kate Pierson (vocal e teclados), Cindy Wilson (vocal e percussão), Keith Strickland (bateria, teclados, vocais) Ricky Wilson (guitarra) e Tracy Warmworth (baixo) não foi das mais bem-sucedidas: apenas o 59º lugar na Billboard.

John Lennon ouviu e gostou

Apesar de não comover a gravadora Warner pelo desempenho comercial, os singles extraídos de “The B-52s” cativariam milhões de fãs espalhados pelo planeta – incluindo um certo John Lennon, que se inspirou no hit “Rock Lobster” para voltar ao trabalho e gravar “Double Fantasy”, seu último disco (1980).

Gravado nas Bahamas, o sucessor, “Wild Planet”, mostrou ter mais fôlego. Com um respeitável 18º lugar para uma banda percussora do new wave, o disco ganhou impulso graças à irresistível “Private Idaho”, 5ª colocada na parada norte-americana de singles.

Dois anos mais tarde, o B-52s retornaria com “Whammy”, de sucesso comercial apenas moderado. Em 1985, chega a vez de “Bouncing Off Satellites”, disco marcado pela trágica morte de Ricky Wilson. O retorno à forma foi traduzido em “Cosmic Thing”, o quinto LP, catapultado pela irresistível “Love Shack”. Lançado como terceiro single da campanha promocional do álbum, em junho de 1989, “Love Sack” disparou rumo ao 3º lugar no Hot 100 da Billboard e ainda emplacou o 1º na parada alternativa dos EUA.

Empolgado com o sucesso de “Cosmic Thing”, o grupo de Athens voltaria em 1992 com “Good Stuff” e a faixa-título, responsável por levar o LP a um respeitável 17º lugar na América.
Entre 1993 e 2007, Keith Pierson, Cindy Wilson e Fred Schneider decidiram trilhar caminhos separados – mas sem muitas aventuras como artistas solo. O aguardado retorno do B-52s aconteceria em 2008, com “Funplex”. Sem a mesma pegada inovadora, mas tradicionalmente divertido, o álbum quase invadiu o Top 10 norte-americano, esbarrando no 11º lugar da Billboard. Com o anúncio do fim das turnês, só resta aos fãs clamarem por um disco inédito como presente de despedida.

Destinos da “The Final Tour Ever Of Planet Earth” nos Estados Unidos

22/08 – McCaw Hall, Seattle – Washington
29/9 – Foxwoods Casino, Mashantucket, Connecticut
30/9 – MGM Music Hall – Boston, Massachusetts
1/10 – The Anthem – Washington, D.C
7/10 – Chicago Theatre – Chicago, Illinois
13 e 14/10 – Beacon Theatre – Nova York City, Nova York
15/10 – Ovation Hall Ocean Casion, Atlantic City, Nova Jersey.
19, 21 e 22/10 – The Venetian Theatre, Las Vegas, Nevada
28 e 29/10 – The Masonic Auditorium, São Francisco, Califórnia
4/11 – YouTube Theater, Los Angeles, Califórnia
11/11 – The Fox Theatre – Atlanta, Geórgia

A formação atual do B-52s conta com os vocalistas Keith Pierson, Cindy Wilson e Fred Schneider. Os músicos de apoio do trio são: Tracy Warmworth (baixo), Sterling Campbell (bateria), Greg Suran (guitarras) e Ken Maiuri (teclados).

Claudio Dirani

Claudio D.Dirani é jornalista com mais de 25 anos de palcos e autor de MASTERS: Paul McCartney em discos e canções e Na Rota da BR-U2.

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