Quer um gostinho da nova música eletrônica brasileira em forma de coletânea? Bote fé na compilação Cocada, do selo alemão Get Physical

Claudia Assef
Por Claudia Assef

Cocada. Uma palavra que remete à infância de praticamente todo brasileiro. A memória afetiva em torno do nome desse delicioso doce de coco ralado em ponto de rapadura serve como embalagem para a primeira compilação do selo alemão Get Physical focada 100% na produção de música eletrônica feita no Brasil.

Compilada e mixada pelo carioca Leo Janeiro, DJ/produtor e agitador da cena eletrônica de longa data, a coletânea Get Physical Presents Cocada está sendo lançada nesta sexta (23), depois de ter ganho dois EPs como esquenta.

Realizada através de uma colaboração entre a Brazil Music Conference (BRMC, novo nome para a Rio Music Conference), a compilação concretiza um namoro que já dura anos entre o Brasil e a dupla de frente da Get Physical, os DJs e produtores Roland Leesker e Matt de Plessis, respectivamente, diretor de operações e A&R. “Sob o nome Cocada vamos lançar música, workshops e festas, sempre com o objetivo de dar visibilidade à música eletrônica produzida no Brasil e na países da América Latina”, diz Roland Leesker.

Roland Leesker, da Get Physical: Cocada vai ser uma plataforma para divulgar a música eletrônica produzida na América Latina

“Nosso desejo é criar uma plataforma internacional para produtores emergentes do underground, mas também para artistas já consagrados”, completa de Plessis. “Cocada, como vocês sabem, é muito, muito doce. Queremos dar a oportunidade do mundo todo provar um pouco dessas delícias sonoras que vêm sendo produzidas no Brasil”, ele completa.

Claudio da Rocha Miranda Filho, criador da conferência que ao longo de 10 anos se tornou a maior de música eletrônica da América Latina, conta que a plataforma Cocada concretizou um desejo antigo da BRMC, de facilitar intercâmbios entre o mercado exterior e artistas nacionais.

O carioca Leo Janeiro foi escolhido para ser o A&R do projeto e também fez a mixagem da coletânea com 14 faixas nacionais

Para fazer a ponte entre o selo alemão e o mercado local, Leo Janeiro foi recrutado como gerente de A&R do projeto. “O mais difícil foi a quantidade de músicas boas que tínhamos para escolher. Esse foi um problema bom. O que mais chamou a atenção do Roland e do Matt foi a originalidade das faixas”, diz Leo Janeiro.

Ao longo de 14 faixas, a coletânea traz novíssimos nomes da cena nacional, como Hauy, Afternude, Ossaim, Nuno Deconto ao lado de artistas que já estão circulando há um bom tempo, como é o caso dos duos Lacozta, Mumbaata e Bruce Leroys e dos produtores HNQO, Carrot Green e André Salata. Também há espaço para veteranos, como Renato Ratier, Gabe, Rodrigo Ferrari, Flow & Zeo e o próprio Leo Janeiro.

“O Roland e o Matt amam música brasileira e sempre falavam: ‘quando vocês conseguirem conectar a essência de vocês com algo novo vai ser incrível’. E acho que foi isso que conseguimos consolidar nessa compilação, a capacidade de fazer algo nosso, original e com a nossa cara”, resume Leo.

Vale lembrar que esta não é a primeira investida da Get Physical no Brasil. Os alemães já bancaram lançamentos de artistas como Digitaria, Renato Ratier, Davis, Carrot Green, L_cio, André Salata, ANNA, Rafael Moraes, Fractal Mood e Zopelar, tanto em releases individuais quanto em coletâneas, como a Brazil Gets Physical.

OUÇA GET PHYSICAL PRESENTS COCADA 

CONHEÇA OS ARTISTAS

Hauy – Paulistano radicado em Toronto, Hauy tem visto suas faixas ganharem o mundo e grandes festivais através do suporte de DJs como Joris Voorn e Lee Burridge, entre outros. Seu som viaja entre deep e progressive house, com elementos hipnóticos.

Leo Janeiro & Mumbaata – Colaboração entre o DJ e produtor carioca Leo Janeiro, um dos mais respeitados do cenário nacional e responsável pela mixagem e seleção final da compilação, e a dupla formada pelos DJs e produtores Lennox e Joint. Lennox é DJ, produtor musical e percussionista, com uma veia forte na eletrônica e em música brasileira. Joint é tecladista e engenheiro de som, e já produziu diversos projetos de música eletrônica e hip hop.

A dupla Lacozta entrou na coletânea com a música Plano

Lacozta – Dupla formada em São Paulo pelo produtor L_cio, um dos grandes nomes da produção de música eletrônica atualmente no Brasil, e pelo DJ e produtor Daniel Cozta. O Lacozta traduziu sua experiência de lives de techno em festas do underground em produções cheias de energia, sem jamais deixar a melodia de lado.

HNQO – O curitibano Henrique Oliveira traz na bagagem influências tão distintas quanto os pioneiros do hip hop Kool Herc e Grandmaster Flash, o techno de raiz de Jeff Mills e o experimentalismo de Roman Flugel. O resultado é um som dançante que circula pela house, com belas incursões de elementos que podem vir do hip hop, funk, soul ou mesmo do jazz.

O produtor carioca Carlos Gualda aka Carrot Green

Carrot Green – O carioca Carrot Green esconde atrás de um nome gringo todo o suingue de sua brasilidade. Produtor desde 2008, ele não nega o amor à música de sua terra natal, mas também não fecha as portas para os sons que vêm de fora. O DJ e produtor se tornou uma prova viva de que brasilidade combina muito com modernidade. Este remix é de autoria da dupla mineira Digitaria, hoje radicada em Barcelona

André Salata & Mumbaata – Novamente o duo Mumbaata aparece em boa companhia. Desta vez, ao lado do engenheiro de som e ex-professor de curso de música eletrônica André Salata, que já lançou um EP pela Get Physical, o Magnestism EP, no início de 2017. Um dos preferidos de muitos produtores quando o assunto é masterização, Salata comprova que também tem criatividade de sobra em suas tracks autorais.

O duo carioca Bruce Leroys

Bruce Leroys – Os DJs Marcelo Abreu e Diogo Vaille são amigos desde 1996 e formaram em 2012 o duo Bruce Leroys. Lançando por diferentes labels desde o início do projeto, a dupla investe em boa música, sem se preocupar com rótulos.

Gabe – Pode-se dizer que o paulistano Gabriel Serrasqueiro é um dos pioneiros da produção de música eletrônica no Brasil. À frente do projeto Wrecked Machines, ele ajudou a levantar a cena de psytrance no país. Atualmente, Gabe investe em BPMs mais lentos, mas continua sendo produtor de tracks que vão de tech-house a minimal techno. A faixa foi remixada pelo curitibano Albuquerque, um dos novos nomes da cena do sul do país.

Rodrigo Ferrari – Outro veterano na compilação, Rodrigo Ferrari acumula mais de 25 anos de carreira como DJ no Brasil. Viu vários movimentos nascerem, tocou em festivais importantes como o Skol Beats e desenvolveu um estilo único, que mistura uma sonoridade atual com elementos de música eletrônica old school.

Renato Ratier, que já tinha tido lançamento pelo selo alemão, também entrou na coletânea

Renato Ratier – Renato é uma entidade na cena eletrônica nacional. Fundador do clube D-Edge, que atualmente se desdobrou num verdadeiro hub de cultura, que comporta de estúdio de gravação e selo a loja de roupas, Renato desenvolveu uma sólida carreira como DJ e produtor.

Nuno Deconto – Inspirado pela cena cultural de Detroit e Chicago, Nuno construiu seu estilo que vai do techno à acid house, com influências do deep minimalista abstrato. Depois de viver em Londres, onde criou o coletivo Diskonnekt, e em Berlim, onde foi residente de clubes
como Sisyphos e Rummels Bucht, Nuno voltou a morar em
Porto Alegre, onde fundou a Konnekt, mix de agência de DJs, estúdio de gravações e escola de música eletrônica.

Afternude – Duo formado pelos produtores Gabriel Petrucci e Raphael Lisboa, o projeto sintetiza influências de faixas clássicas da house de Chicago com o experimentalismo do techno alemão. Tanto nos sets quanto na produção, a marca registrada do duo é a mistura de groove, vocais translúcidos e muita melodia.

Ossaim  – Nascido no Rio de Janeiro, Ossaim é um produtor musical e DJ inspirado pelos clássicos da soul e da house music da primeira metade dos anos 90. Batidas urbanas carregadas e cadências de acordes da velha escola da house dão corpo às suas produções.

Marian Flow e Zeo Guinle do Flow & Zeo, um dos duos que mais viajam pelo país, também lançam por selo próprio, o Tropical Beats

Flow & Zeo – Os cariocas Marian Flow e Zeo Guinle se juntaram como duo no ano 2000. Conectados dentro e fora das cabines, Flow & Zeo firmaram o nome da dupla como um dos mais importantes da cena nacional. Além de DJs, levam suas influências do progressive house às suas produções, boa parte delas lançada pelo próprio selo, Tropical Beats. O duo se apresenta nos principais clubes do Brasil e em festivais mundo afora.

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