Round 6

Os perigos de “Round 6”, série de tremendo sucesso da Netflix, para as crianças e adolescentes

Por Matheus Audan

Depois de alcançar a marca de 111 milhões de público, a série coreana vem ganhando mais destaque, mas também levantou uma questão muito importante.

CineKorea

Não é de hoje que acompanhamos filmes estrangeiros ganhando destaques que apenas blockbusters recebiam. Com as plataformas de streaming, vimos isso crescer ainda mais. O público dessas plataformas está conhecendo séries e filmes em línguas diferentes do inglês, e a Netflix sabendo disso vem investindo cada vez. Depois de acertar muito com a série espanhola “ La Casa de Papel“, com “Round 6” a plataforma repetiu seu sucesso, na verdade até se superou. Levou uma série totalmente produzida na Coréia do Sul, com atores coreanos falando em coreano e mesmo assim conquistou o mundo todo. Muitos críticos apontam esse sucesso ao filme “Parasita” que foi muito premiado e abriu os olhos dos fãs da sétima arte, porém também vem atraindo os olhares de quem não devia.

Batatinha Frita 1, 2, 3

Mesmo você que não assistiu a série deve ter visto essa frase ai né? Vamos resumir aqui para você.

Na série mais assistida da Netflix , vemos pessoas seriamente endividadas que fariam qualquer coisa para resolver seu problema financeiro. Até que um convite de um jogo promete ajudar essas pessoas. A princípio parece uma boa ideia, mas logo entendemos toda situação. Apesar do vencedor realmente ficar bilionário, vemos todos os outros competidores sendo mortos atrás dessa conquista. Muitas dessas “provas” possuem temáticas infantis, ou seja, de fácil identificação com crianças.

Assistindo à série vemos cenas de sexo, violência, tráfico de órgãos e muitas coisas extremas. Nesse sentido, podemos até associar o sucesso a toda essa violência. Mas para nós adultos, alguns gostam de algo mais violento, outros nem tanto, porém isso não gera tantas consequências fora da tela. Nesse sentido, podemos até associar o sucesso a toda essa violência.

 

Round 6- Foto Divulgação 2 (Créditos: Netflix)

Round 6- Foto Divulgação 2 (Créditos: Netflix)

Faixa etária ignorada

Antes de todo lançamento, uma faixa etária é definida, prezando as pessoas que vão assistir e o que aquilo pode causar nelas. Já sabemos que “Round 6” tem como seu tema a violência, e obviamente foi indicada para maiores de 18 anos, porém isso não vem sendo respeitado. Afinal, é comum hoje que crianças e adolescentes, com seus celulares consigam assistir qualquer tipo de conteúdo sem a fiscalização dos pais, porém um caso na França está fazendo com que especialistas se preocupem. Uma brincadeira de alguns alunos na escola saiu de controle e acabou com 5 crianças no hospital, brincadeira baseada na série. Vários estudos apontam que crianças e adolescentes são muito mais sensíveis a estímulos causados por séries e filmes, e conteúdos desse tipo chegando sem controle para esses jovens pode ter grandes consequências na vida deles.

Que atitudes vamos tomar?

Proteger nossas crianças. Ainda mais que muitos casos as crianças assistiram à série na companhia dos pais, e fez com que muitas escolas até mesmo no Brasil, notificassem os responsáveis. Nós adultos já estamos acostumados com essas cenas, porém não visamos o que pode causar em crianças sem a maturidade para separar aquilo da realidade. Já vimos muitas tragédias serem associadas a filmes, e sabemos que não é justo. É importante garantirmos que a arte tenha liberdade de abordar todos os assuntos de todas as formas, e que temos fãs para todos os estilos. Até mesmo porque já temos a solução, a faixa etária de cada conteúdo, só falta agora nos respeitarmos ela.

Matheus Audan

Músico, compositor e roteirista com o pé esquerdo afundado na arte e o pé direito querendo ser o esquerdo.

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