Melhores álbuns 2025 Recheado de remixes assinados por grandes nomes da música, “80 Anos” foi o álbum melhor avaliado pela redação do Music Non Stop em 2025. Imagem: Divulgação

O ano em reviews: os 10 melhores álbuns de 2025

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Descubra quais foram os discos nacionais e internacionais melhor avaliados pelo Music Non Stop

Passamos 2025 inteiro ouvindo novos álbuns. Parte deles foi selecionada para merecer um review do Music Non Stop, momento em que nos aprofundamos em sua história. Como foi feito, em qual época da vida do artista, sob quais pressões pessoais e com que inspirações?

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Foi um ano de amadurecimento, principalmente estético e técnico, com gente fazendo disco no estúdio do porão de casa e, ainda assim, chegando a resultados excepcionais. Um período para fazer as pazes, reconhecendo a história de gêneros musicais renegados como o funk carioca, resgatando o rap “tradicional” e, em alguns casos, reconciliando artistas consigo mesmo.

Os dez melhores discos do ano — aqueles que tiveram as maiores notas — têm uma característica em comum: são álbuns de verdade, que precisam ser ouvidos do começo ao fim e com atenção. Com respeito.

Multigênero, sofisticada, profunda e festeira, confira a lista dos dez álbuns mais bem-avaliados durante o ano pelo Music Non Stop.

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1. 80 Anos (Remixes)

9.8 – Orquestra Afro-Brasileira

Orquestra Afro-Brasileira 80 Anos (RemixeS)

Pela importância do lançamento, 80 Anos (Remixes), o disco de remixes dedicados à memória da lendária Orquestra Afro-Brasileira (gravadora Amor in Sound), mereceria nota 10, 11, 1000 em nosso ranking de reviews. O visionário projeto comandado pelo maestro Abigail Moura (1904–1970) nas décadas de 40, 50 e 60 resultou em dois discos seminais para a música brasileira, quase apagados da história graças ao preconceito de um interventor da Ditadura Militar que atuava na Rádio MEC e odiava o trabalho daquele povo que saudava a ancestralidade africana em nossa música.

[…]

80 Anos (Remixes) é um absurdo em qualidade, e a lista de remixers reunidos pela label dá uma boa pinta do quão importante e louvada é a Orquestra Afro-Brasileira: Mixmaster Mike (o melhor DJ que já passou pelos Beastie Boys), Marcelo D2CrioloTropkillazDJ NutsEmicidaMexican Institute of Sound e muito mais gente de comparável quilate.

Ouça o álbum e leia o review completo aqui.

2. Hasos

9.7 – Baco Exu do Blues

Baco Exu do Blues - HASOS

Se tiver um divã em casa, deite-se nele para apreciar a obra. Segundo o próprio artista, é um disco cunhado em sessões de terapia, a mais profunda cura que todo ser humano deveria se presentear. O resultado final são versos que permitem ao ouvinte diversas interpretações diferentes, resultado de toda a boa poesia.

HASOS trás 14 músicas e 4 interlúdios, pequenos diálogos entre um personagem e seu terapeuta. E é difícil para mim separar aqui nessa resenha quais os versos mais incríveis do álbum todo. Baco duela consigo mesmo em canções sobre seus traumas, desilusões amorosas, a fama e, principalmente, o autoconhecimento. Compreender seus erros é abrir as portas para o futuro.

Ouça o álbum e leia o review completo aqui.

3. Cirkl

9.5 – Lindstrøm

Lindstrøm - Cirkl

Nos últimos tempos, tem sido cada vez mais difícil inovar com equilíbrio. Afinal, muita coisa já foi feita e a tecnologia está cada vez mais à mão de todos, dispensando estúdios caríssimos. É lugar comum, na busca de um hit inesquecível, apelar para o épico, para o barulhento ou, infelizmente, para o pop doce e acessível. Lindstrøm escapa de tudo isso. Uma bela cidade à beira de um rio, moderna e charmosa ao mesmo tempo, em um mundo cheio de arranha céus feios e ruas congestionadas.

Ouça o álbum e leia o review completo aqui.

4. And the Adjacent Possible

9.1 – OK Go

OK Go - And the Adjacent Possible

Variando entre momentos épicos cheios de emoção e bons sons de festa indie, o álbum do OK Go é profundo e apaixonado, sem histerias. This Is How It Ends, a sexta faixa, é belíssima. Daí para frente, aliás, ouve-se um LP de indie rock quase perfeito. Gostoso, com possíveis hits, se o mundo streamiofônico tivesse mais bom gosto.

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5. EITA

9.0 – Lenine

Lenine - EITA

EITA transcende gêneros. Em alguns momentos, sente-se a brisa de um blues (como em Eita). Em outras, a intensidade sonora dos áureos tempos da tropicália, caso das ótimas Boi Xambá e Deita e Dorme. Pai e filho trabalhando juntos por uma realidade musical melhor.

As canções abraçam também os instrumentos e processamentos eletrônicos de um jeito maduro. O compositor, que já ousou enfiar umas batidas de drum’n’bass no anterior, Carbono, desfila baixos e quebradeiras experimentais capazes de fazer Björk dizer: “Vá, hvað þetta er frábært fyrirkomulag!”.

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6. Assaltos e Batidas

9.0 – FBC

Assaltos e Batidas

Papo reto: se você cresceu ouvindo Cypress HillPublic EnemyPavilhão 9 e Câmbio Negro, encontrou um novo álbum para chamar de seu. ASSALTOS E BATIDAS, o sétimo do rapper de Belo Horizonte FBC, é uma paulada. Disco para ouvir botando fogo em viatura da polícia. E um belo resgate do rap de front, de bater cabeça e, claro, protestar contra as injustiças sociais.

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7. MPC (Música Popular Carioca)

9.0 – Papatinho

Papatinho - MPC (Música Popular Carioca)

Aos 38 anos — 18 após estrear oficialmente no mundo da música com o álbum Ataque Lírico ao lado do ConeCrewDiretoria —, Tiago da Cal Alves, o Papatinho, crava o definitivo ponto final nas discussões sobre o funk brasileiro. Em MPC (Música Popular Carioca), o produtor apresenta um documentário em formato de música, apresentando, ao mesmo tempo, uma linha do tempo do gênero musical e apontando seu horizonte.

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8. EUSEXUA

9.0 – FKA Twigs

EUSEXUA

EUSEXUA é deliciosamente minimalista, techno e esquisito. Um disco de música eletrônica, com 11 canções mariposando entre Underworld e Björk. Difícil resenhá-lo sentado em uma cadeira. Da canção de abertura, Eusexua, à oitava, Childlike Things, é irretocável. Dá uma leve derrapada nas três músicas do final, trazendo a FKA Twigs dos álbuns anteriores. Mas neste ponto do circuito a corrida está ganha. Que momento vive a música pop britânica!

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9. Tempo

8.7 – Leo Janeiro

Leo Janeiro - Tempo

O debut de Leo é um álbum sensacional, repleto de tranquilidade relojóica e boa onda, característica do seu trabalho na discotecagem. Ouvindo, viajamos pelos tempos áureos da deep house de São Francisco, do jazzy de Ludovic Navarre e, claro, pelas referências à mamma Chicago. Tudo sem apelos nostálgicos ou busca por “inventar um novo gênero”. É música. Bem produzida, bem mixada e boa de dançar.

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10. Pink Elephant

8.5 – Arcade Fire

Arcade Fire - Pink Elephant

Quando o single Year of the Snake, primeiro aperitivo deste álbum do Arcade Fire que agora resenho, chegou na redação do Music Non Stop, causou uma imensa e grata surpresa nas sofridas cavidades timpânicas deste que vos fala. Além de prazer, deu a pinta de que um ótimo álbum de uma banda estabelecida do indie rock mundial estaria por chegar. Bola na caçapa! Pink Elephant, disponível em todas as plataformas de streaming a partir do último dia 09, é um ótimo álbum. E, principalmente, um álbum com começo, meio e fim, feito para ser ouvido com a atenção de quem assiste a um filme, e com direito a final épico e emocionante.

Ouça o álbum e leia o review completo aqui.

* Com menções honrosas para DeBÍ TiRAR MáS FOToS (Bad Bunny), que foi, de fato, um dos álbuns-símbolo de 2025; e Loner (Barry Can’t Swim), que também bombou aqui na redação do Music Non Stop.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.