Músicos indígenas Foto: Reprodução

Rap, eletrônica, MPB, reggae e até metal: 10 músicos indígenas que você precisa conhecer

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Nos últimos anos, vimos despontar no cenário pop diversos artistas de ascendência indígena. Hora de conhecer, ouvir e apoiar

Dentre as maiores riquezas que temos, nossa herança cultural indígena é, ao mesmo tempo, a que sempre esteve conosco e, talvez por isso mesmo, a mais renegada. A atenção dos meios de comunicação geralmente vem quando algum artista branco se enfurna em uma tribo para gravar algum canto ou ritual ancestral no meio da floresta, caso de artistas como Sepultura e Alok.

O olhar mais cuidadoso para esta cultura foi revelando, em tempos bem recentes, diversos artistas de origem indígena que estavam ali, fazendo o seu som, soltando a sua voz — necessária, dadas as imensas injustiças cometidas contra essa população — e misturando gêneros musicais globais com os ritmos e linguagens que traziam no sangue, há inúmeras gerações.

Muito mais do que os traços físicos característicos, é na mistura sonora a grande beleza trazida por esta turma. É preciso romper a barreira do exótico, do “diferentão”, e focar na música que eles fazem, e nas letras que escrevem. Esta vidraça separa o transmissor do receptor, mantendo o artista no espectro da curiosidade.

Pode não. Artista indígena é para ouvir e para dançar. Por isso, listamos 10 nomes indispensáveis para você conhecer!

Nelson D

Nelson D foi levado ainda criança, de Manaus, para viver com pais adotivos na Itália. Voltou para o Brasil depois de adulto, em busca de sua identidade suprimida, e se estabeleceu em São Paulo, misturando rock alternativo, música eletrônica e a música que trazia em seus genes, resultando em uma música cativante!

OWERÁ (Kunumi MC)

Da Zona Sul de São Paulo para o mundo, OWERÁ (que assinou seu primeiro disco como Kunumi MC) mistura os tradicionais fundamentos do rap da região paulistana, recheado de soul e jazz, a letras em que mistura o português com a lingua original de seu povo Krukutu, em cuja aldeia vive até hoje.

Wescritor

Criado entre Santos e São Vicente, Wescritor viu sua vida mudar quando visitou a aldeia Tupinambá, onde vive seu avô, o Ancião Amaral. Ali, entendeu mais sobre suas raízes e meteu a sonoridade e a causa indígena em sua música, Rap de primeira, bem produzido e com letras que refletem toda a opressão que seus ancestráis viveram.

“Beirando a estrada onde meu ancestral foi aniquilado, desde a costa até a baixada!”

Djuena Tikuna

Dá pra dizer que Djuena Tikuna faz MPOB — Música Popular Original Brasileira. Em Saudade da Aldeia, por exemplo, canta na língua de sua aldeia, Umariaçu, chamada tikuna. Por estar localizada nas regiões fronteiriças amazônicas, tem sabores de música andina.

Sua voz é sensacional.

Arandu Arakuaa

Arandu Arakuaa é um grupo brasiliense de heavy metal que canta em tupi-guarani. Isso mesmo, guitarrões, vocais guturais, e muitos sons ritualísticos de sua terra. A mistura resulta em algo único e muito interessante, trazendo mistério e relevância.

Katu Mirim

Katu Mirim é uma rapper paulistana de origem Boe Bororo. Atualmente, uma das artistas de maior destaque desta turma. Ativismo, resistência e denúncia são as maiores referências nas letras da artista. Em 2022, lançou seu primeiro álbum, Revolta.

“Somos netas das indígenas que vocês não conseguiram matar!”

Bro MC’s

Considerado o primeiro grupo de rap indígena brasileiro, o Bro MC’s reúne integrantes das tribos Guarani e Kayowá. Formado na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul, o grupo se apresentou na última edição do Rock in Rio, fazendo um som que mistura rap com ritmos originais.

Edivan Fulni-ô

Sonzão de primeira faz o Edvan. Seu single Meu Nome Não é Manuel já entrega a temática de sua obra. Afinal, os indígenas eram obrigados pelos colonizadores a trocar seu nome original para um português, uma das primeiras imposições para apagar suas tradições.

O som é MPB ao violão, falando sobre a situação dos povos originários. Edivan é pernambucano, de origem Pataxó.

Eric Terena

Eric é DJ, original do povo Terena, da região do Mato Grosso do Sul. Tem produzido remixes, ao lado de artistas como Djuena Tikuna e o paulistano Chris Pantojo. Aqui, vemos um set do artista, mandando ver no meio do mato!

Sonissini Mavutsini

Reggae com música da etinia Yawalapiti. Essa é a proposta do Sonissini Mavutsini, criada pelo músico indígena Lappa. A mistura traz um quê de afrobeat à banda, que compõe nas línguas karibe e tupi, faladas na região do Xingú.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.

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