Foto: ReproduçãoDespedindo-se das longas turnês, Laurent Garnier tem 2 datas no Brasil
Antes de Daft Punk e Air, DJ e produtor foi o maior embaixador da França nas pistas de dança
Despedindo-se das grandes turnês, o DJ e superprodutor francês Laurent Garnier está vindo ao Brasil. O moleque que trabalhava como garçom e descobriu a música eletrônica na lendária Haçienda se tornou, muito antes de Daft Punk e Air, o maior embaixador de seu país nas pistas de dança. Garnier, que já estava confirmado para o dia 18 de abril, no Warung Beach Club, em Santa Catarina, também se apresenta em São Paulo, em local ainda não divulgado, no dia 17. A informação foi divulgada pela revista DJ Sound e confirmada pelo Music Non Stop.
Incluir o nosso país em sua provável last dance era uma obrigação. Se não o fizesse, seria cancelado nas redes sociais ou apanharia na rua. Afinal, o cara foi responsável por festas e causos lendários por aqui, ainda quando era um nome exclusivo aos connoisseurs da house e do techno, dois gêneros imprescindíveis em suas discotecagens, além de incursões na ambient music e no jazz.
Na aurora da música eletrônica brasileira, em meados dos anos 90, debutou em São Paulo tocando no lendário after hours Hell’s Club. Gostou tanto que pagou o café da manhã de quem ficou até o final, transformando em lenda aquela manhã de domingo. Dez anos mais tarde, tocou por oito horas seguidas em uma segunda-feira no Lov.e Club. Uma noite inesquecível que ficou conhecida como o “feriado clubber”. Afinal, muito patrão se perguntava onde estava seu funcionário na terça-feira de manhã, horário em que Laurent Garnier ainda fervia atrás dos toca-discos.
Entre as duas datas, quem dançava na época se lembra do caos inebriante que seu álbum, Unreasonable Behavior, causou em 2000, quando chegou à lojas como a Techno Records, da Galeria Ouro Fino, e foi disputado a tapas pelos DJs. O álbum, icônico em sua carreira, foi lançado pela gravadora que lançou em 1994 e se tornou uma das mais importantes do cenário eletrônico mundial, a F Communications.
Em certo momento da carreira, Laurent ficou tão grande que decidiu, a exemplo de lendas do techno, como o estadunidense Jeff Mills, montar alguns megaprojetos, como a apresentação ao lado de orquestras como Heritage e a Babel, em Paris. Alerta de mancada: nenhum desses shows vieram ao Brasil. Mas a gente perdoa, desde que ele pise mesmo no país em abril, tocando com a fúria — e a resistência — de sempre.
Despedida?
Em entrevista à rádio francesa France Inter Radio em abril do ano passado (via Resident Advisor), Laurent Garnier disse que encerraria as longas turnês “muito em breve”. No máximo, tocaria umas dez vezes ao ano, em lugares menores.
“Eu sepre pedi às pessoas que trabalham comigo para que me avisassem no dia em que me virem ‘desendo a montanha’, aquele momento em que viraria apenas uma jukebox empoeirada”, declarou o DJ, que fará 60 anos no próximo dia 1º.

E embora o conceito de despedida dos grandes palcos seja um conceito bastante fluído nos dias de hoje (veja os exemplos de Sepultura e Elton John, com últimas turnês infinitas), nós aqui da redação achamos que não vale a pena arriscar um próximo retorno de um dos mais amados DJs internacionais pelos brasileiros.



