Kurt Cobain nunca gostou do maior sucesso do Nirvana. Foto: Frank Micelotta/Wikimedia CommonsDe ‘Billie Jean’ a ‘Evidências’: 6 hits que quase não existiram
Descubra seis clássicos da música — da MPB ao grunge — que, subestimados antes do lançamento, poderiam não ter vindo ao mundo
O Reino de Quaselândia é um lugar bastante povoado. É lá que moram as bolas na trave, os talentosos artistas que desistiram da carreira sem suficiente persistência e uma infinidade de pessoas que fizeram a escolha errada no meio de suas vidas, tomando um caminho que os afastou de sua vocação. Nas rádios do reino, tocam clássicos da música que não foram gravados, ou que ficaram de fora de álbuns de grande sucesso. Jamais saberemos se o público, que é o que interessa, iria aprovar ou não.

Por sorte, muitas canções que cantarolamos o tempo todo escaparam por pouco de ir morar em Quaselândia. Os motivos são quase sempre os mesmos: o artista não tem certeza de que a obra é boa, o tema é espinhoso ou os executivos da gravadora não botam fé na força da composição. Conheça dez clássicos da música que por pouco não ficaram engavetados!
Águas de Março
Dá para acreditar que a canção eleita por diversas vezes como “a melhor música brasileira de todos os tempos” precisou de anos para convencer até mesmo seu próprio autor? Tom Jobim compôs a música e seus inesquecíveis versos (“é pau, é pedra, é o fim do caminho”) em 1972 e sempre manteve um sentimento ambíguo em relação à faixa. Achava-a sem ascendência rítmica, um mero “exercício poético”, e que ninguém ia gostar.
A gravadora também fez bico. Águas de Março foi incluída, com muita dúvida, em seu álbum de 1973, Matita Perê e, até mesmo por falta de esforço dos envolvidos, passou despercebida. Foi Elis Regina quem vestiu a camisa, insistiu para incluí-la no clássico Elis & Tom, um ano depois, e a fez decolar.

Billie Jean
Apesar de Quincy Jones ser um Midas da música pop, quase cometeu uma baita gafe com Billie Jean, um dos maiores sucessos (se não o maior) de Michael Jackson. Achava-a comprida demais e não gostava da introdução, com o contrabaixo estrelando. Jackson discordou, argumentando que a linha de baixo era o que tornava a música dançante. Na queda de braço, venceu o cantor, que, ao conseguir que ela fosse incluída no álbum Thriller (1982), seu maior sucesso de vendas, a viu explodir mundialmente.
Evidências
O maior hit dos karaokês brasileiros, cantado em diversas línguas, quase foi rejeitado por Chitãozinho & Xororó. A música composta por José Augusto e Paulo Sérgio Valle já havia sido apresentada a vários outras duplas sertanejas e ninguém quis gravá-la. Quem ouvia a achava “dramática demais”, e o fato de ela já ter sido apresentada a outros artistas também não soava bem (apesar de José Augusto já ser um experiente hitmaker).
Sem muita fé, a dupla acabou por incluir Evidências no álbum Cowboy do Asfalto, de 1990, sem mesmo sequer vendê-la como single ou faixa de trabalho para as rádios. Eles estavam errados.

Like a Virgin
Um dos maiores hits de Madonna só escapou da Quaselândia graças a Nile Rodgers. A Rainha do Pop a achava superficial demais, mas o produtor discordava veemente. Ali havia um hit. Só chegaram a um acordo quando a cantora topou regravá-la com uma outra interpretação vocal, mais sexy e debochada. A música não só foi incluída no álbum de 1984, como virou título do disco. Hoje, não existe coletânea de “grandes sucessos” da artista sem Like a Virgin como carro chefe.
O Leãozinho
Caetano Veloso não queria, de jeito nenhum, incluir O Leãozinho em seu álbum Bicho, de 1977. Para o autor, era um trabalho muito pessoal, feito quase como uma canção de ninar e sem apelo, e ainda destoava totalmente do restante do disco. Foi incluída de última hora, com o argumento de ser um respiro para um LP cheio de percussões.
Smells Like Teen Spirit
Kurt Cobain nunca gostou e provavelmente nunca gostará de Smells Like Teen Spirit, lá no paraíso dos artistas onde hoje vive. O grungeiro a achava muito parecida com Pixies, e viu sua vida virar um inferno quando a canção, incluída a contragosto no álbum Nevermind (1991) se tornou não só um hit obrigatório nos shows e apresentações de TV do Nirvana, como também a música símbolo de todo o movimento grunge.




