Foto: DivulgaçãoInformation Society: uma relação de amor exclusiva com o Brasil
Grupo americano liderado por Kurt Harland está em mais uma turnê em solo nacional
Entre 11 e 20 de dezembro, o Information Society está no Brasil pela enésima vez, com show já realizados em Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro, e ainda com datas a fazer em Uberlândia/MG (19/12, no Castelli Master) e São Paulo (20/12, no Suhai Music Hall). Não será a última. O público brasileiro e o grupo de synth-pop têm um longo e duradouro casamento.
O fogo da banda de Kurt Harland se apagou no mercado internacional poucos anos após o lançamento de seus três primeiros álbuns, entre 1988 e 1992, quando atingiu as paradas de sucesso nos Estados Unidos, seu país natal, na Europa e no Japão. Mas aqui, meus amigos, a chama parece eterna. E os ingredientes da receita são imediatismo, persistência e nostalgia.
Curiosamente, meu primeiro trabalho no mundo da música foi em 1993, quando foi chamado de última hora para ciceronear os caras durante em um show em Jundiaí, interior de São Paulo. Provavelmente, eu era a única pessoa próxima que falava inglês (bem tosco, na época) e a experiência, para eles, foi sofrível. O pequeno palco cheio de fios impedia qualquer tentativa de performance, e Harland xingou o público ao final do show.
Estática, a plateia só começou a dançar quando o show acabou e o DJ começou a tocar. A caipirada que compareceu conhecia apenas alguns de seus hits radiofônicos, e mal sabia que o Information Society já era habituado ao Brasil desde o início de sua carreira. Mal podiam imaginar, também, que os veríamos em nossos palcos até hoje.

A primeira vinda aconteceu poucos meses após o lançamento de seu primeiro álbum, chamado Information Society, em 1988. O compilado de hits radiofônicos foi lançado no Brasil como uma aposta acertada da pequena Stiletto, uma gravadora dedicada a trazer ao país discos renegados pelas majors, como Cacteau Twins, Bauhaus, Joy Division, New Order e, mais tarde, de olho na febre da dance music popular do final da década, trouxe Bomb the Bass e George McCrae. Na época, as rádios brasileiras ferviam com o chamado “poperô”, e o sucesso era refletido nas danceterias. Foi um sucesso. Faixas como What’s On Your Mind (Pure Energy) e Repetition caíram nas graças dos brasileiros.
Ao contrário de muitos artistas que faziam sucesso no Hemisfério Norte na época, evitando a parte de baixo do mundo, Kurt e sua turma toparam vir ao Brasil logo no auge do sucesso. Tanto que lotaram, em 1989, o Ginásio do Ibirapuera duas vezes em São Paulo. O Information Society voltou ao país em 1990, e a lua de mel levou-os ao line-up do segundo Rock in Rio, em 1991.
A vida no pop é efêmera. O público rapidamente salta de novidade em novidade, muitas vezes deixando de lado a paixão por um álbum (e sua consequente disposição em comprar ingressos para shows), mas os caras persistiram. Quando voltaram em 1993, ano em que precisei me desdobrar para descolar Guaraná Antartica e comida macrobiótica em uma pequena cidade do interior para os manos, o mundo já havia virado as costas ao trio, com novinhos da dance music ocupando seu lugar.
O que fizeram os guerreiros de Minnesota? Tentaram mais uma vez. Retornaram ao país em 1997, ano em que o grupo praticamente pendurou as chuteiras. Fizeram shows em lugares menores (os tempos de ginásios lotados se foram), mas Harland notou que tinha um público extremamente fiel, que cantava junto até mesmo suas canções pouco conhecidas.
Para o Information Society, a partir de então, existiam dois mundos: o do Brasil e o do resto do planeta. O grupo continuou a adubar sua hora, mesmo sem se apresentar, com relançamentos e remixes, e a partir de 2007 foi pingando novos álbuns nas plataformas, mais ou menos de cinco em cinco anos. As excursões brasileiras jamais cessaram. Voltaram ao país mais meia dúzia de vezes, dando as graças ao público que jamais os abandonaram, agora ávidos pela nostalgia do tempo em que se acabavam fazendo passinho em danceterias pelo país.
Desta vez, o grupo toca junto com dois colegas de época. A tour terá pequenos shows de abertura de Thea Austin, vocalista do Snap! (“everybody dance now!”) e de Noel, um artista dance/synth-pop brasileiro que cantava em inglês e lançou o álbum Hearts on Fire em 1993 — tempos em que Harland e seus amigos reinavam entre os brasileiros.




