História do Oscar: conheça os filmes que revolucionaram os efeitos visuais nas telas de cinema em todos os tempos

Por Yasmine Evaristo

Oscar de melhores efeitos visuais é um dos prêmios entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

As regras da Academia para um filme concorrer e ser premiado são: contribuição dos efeitos visuais para a produção global e valor artístico, habilidade e fidelidade com que as ilusões visuais são alcançadas.

No ano de 1929 o prêmio foi entregue pela primeira vez, mas seu nome era Melhor Engenharia de Efeitos. O primeiro vencedor foi Ron Pomeroy, por  Asas, filme que também levou a categoria principal. Passada uma década o prêmio foi entregue novamente e seu nome era Prêmio de Realização Especial para Efeitos Especiais“. Entretanto, nesse momento ele não era um prêmio competitivo e sim um honorário. O vencedor em 1938 foi Gordon Jennings, por Lobos do Norte.

“Asas”, vencedor na categoria de Melhor Engenharia de Efeito em 1929

Em 1939 a categoria é renomeada novamente, desta vez como Melhores Efeitos Especiais. A fim de contemplar vários artistas ela também era entregue para especialistas em efeitos sonoros. Dessa forma a Academia optava por indicar concorrente para a categoria ou premiar diretamente alguém especifico. 

Alterações nos critérios 

Assim na década de 1960 o prêmio passou a ser entregue apenas para técnicos de efeitos especiais. Nesse hiato, grande filmes venceram a categoria sendo alguns deles O Ladrão de Bagdá (1941), que concorreu com mais 13 candidatos; As Pontes de Toko-Ri (1956), que também levou a categoria montagem pelo trabalho de Alma Macrorie Os Dez Mandamentos (1957), vencedor de sete categorias, dentre elas Melhor Filme e Direção de Arte.

 Em 1966, mais uma vez o prêmio foi renomeado.  Dessa vez Melhores Efeitos Visuais Especiais e o vencedor foi John Stears, por 007 Contra a Chantagem Atômica.  Em 1969, o clássico de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisseia no Espaço foi o premiado. Entre 1973 e 1978 acontece um “fenômeno” no qual o prêmio deixa de ser específico. Ainda assim foram entregues Prêmios de Realização Especiais. A partir de então a categoria foi reintroduzida e se mantém com a mesma nomenclatura até hoje. 

Inesquecíveis e inovadores 

Ao pensarmos em efeitos visuais somos traídos por nossa memória e ligamos a categoria imediatamente aos filmes de heróis e ficções científicas. Inegavelmente filmes marcantes de ambos gêneros foram premiados. A Lucas Film venceu pelos três filmes da trilogia clássica de Star Wars, mérito de Richard Edlund e Dennis Murren. Edlund venceu também por Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, em 1981 e Murren por E.T. – O Extraterrestre, em 1983. 

Nomes como os dos dois são recorrentes nas premiações, ora como vencedores, ora como indicados. Há edições em que profissionais dos efeitos concorrem por mais de um título o que afirma sua competência na criação desse imaginário visual tão verossímil. 

Mas, voltando aos vencedores, não podemos esquecer que filmes de gêneros como dramas e romances também são vencedores na categoria. Dois exemplos marcantes na história do cinema são Forrest Gump – O Contador de Histórias, em 1995, e  Titanic, em 1998. O primeiro venceu por suas sequência da Guerra do Vietnã e pela reconstrução de vários momentos da história dos Estados Unidos e do mundo. O segundo… bem, esse mostra o quão grandiosa é a mente de James Cameron

Uma ideia na cabeça e um Cameron nas mãos

Thomas L. FisherMichael KanferMark Lasoff e Robert Legato são os nomes dos integrantes da equipe de efeitos especiais de Titanic. Foram esses homens que compraram as ideias de Cameron e as colocaram em prática. O canadense que iniciou os estudos em física, em seguida trocou por língua inglesa e posteriormente abandonou a faculdade, nunca deixou de se dedicar ao aprendizado. Por conta própria James teve por hábito pesquisar sobre efeitos visuais e toda e qualquer biblioteca ou prateleira de livros que encontrasse. 

O épico espacial de George Lucas foi o catalizador para que o jovem Cameron decidisse investir em sua carreira cinematográfica. Em Fuga de Nova York (1981) ele foi diretor de efeitos especiais, bem como designer de produção de Galáxia do Terror, do mesmo ano.

Entretanto o que marca a criação e os filmes de James Cameron é sua relação com a tecnologia. Para que as cenas do fundo do mar, em Titanic, fossem feitas ele criou não apenas lentes, mas também câmeras que suportassem a pressão das águas e altitudes quando submersas. Da mesma forma o diretor esperou uma década para tirar Avatar do papel, pois precisava que a tecnologia avançasse o bastante para atender suas expectativas. O resultado foi um épico primoroso em sua técnica de efeitos especiais que cria enormes criaturas azuis e explora a profundidade da tela com o 3D.

Não é atoa que o filme venceu na categoria de Efeitos Especiais no ano de 2010. 

www.oscar.org

 

Yasmine Evaristo

Artista visual, desenhista, graduanda em Letras - Tecnologias da Edição. Pesquisadora de cinema, principalmente do gênero fantástico, bem como representação e representatividade de pessoas negras no cinema. Devota da santíssima trindade Tarkovski-Kubrick-Lynch.

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