Grammy 2026 Tyler, the Creator no Grammy 2026. Músico faturou a primeira estatueta de “Melhor Capa de Álbum” da história da premiação. Foto: Kevin Winter/Getty Images/The Recording Academy

De Bethânia a Spielberg: saiba quem ganhou um Grammy pela 1ª vez

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Além de nomes célebres inéditos, cerimônia realizada neste domingo (1º) condecorou a primeira capa de disco e a primeira música de K-pop

Maria Bethânia Vianna Telles Velloso não é uma artista que se preocupa muito com o Grammy. Discreta e membro permanente do Conselho Real de Divas da Música Brasileira, respondeu com um singelo “já teve? Eu nem sabia que horas era”, quando foi informada sobre a vitória de “Melhor Álbum de Música Global” pelo disco em parceria com o irmão, Caetano e Bethânia Ao Vivo.

Caetano Veloso, surpreendido por um invasivo vídeo feito por sua esposa-empresária deitado na cama com a notícia, comentou com a alegria de quem era interrompido enquanto estava prestes a bater um novo recorde no Candy Crush. As duas “surpresas” foram publicadas nas redes sociais de ambos.

É o terceiro Grammy de Veloso, mas para Maria Bethânia, foi uma estreia. E se não enche de adrenalina o dia da cantora, o mesmo não se pode dizer de sua conta bancária e de sua equipe de profissionais. É também um reconhecimento digno de uma voz que permeia a música brasileira com seu jeitão old school: sem propagandeações de sua imagem, sem polêmicas, sem apelos midiáticos. Bethânia subiu no palco, cantou, ganhou um disco, e agora faz parte da galeria de ganhadores do maior prêmio mundial da música, que também trouxe outros interessantes causos de “primeira vez na história”.

Um dos mais emblemáticos é de Fela Kuti. A lembrança de seu legado como pai do afrobeat foi tão tardia que nos faz até mesmo questionar o velho ditado “antes tarde do que nunca”. Kuti foi laureado com o “Prêmio Grammy de Contribuição em Vida” somente 30 anos após nos deixar, e traz consigo outro dado desastroso.

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Foi o primeiro africano a ter sua vida na música reconhecida pelo Grammy, mesmo vindo do continente-mãe de todos os ritmos. “Melhor agora do que nunca”, por sinal, foram as palavras de seu amigo e empresário em vida, Rikki Stein. “Ele não fazia o que fazia para ganhar prêmios. Ele estava interessado na liberação. Em dar liberdade à sua mente”, amansou em seguida, em entrevista à BBC.

Sensação da música pop nos últimos anos, Tyler, the Creator teve a possibilidade de ganhar, em 2026, novamente a sensação de “primeiro”. Foi o vencedor do inédito título de “Melhor Capa de Álbum”, uma alegre notícia para os artistas gráficos em um momento em que seus celebrados trabalhos foram se tornando, ao longo dos últimos anos, em meros thumbnails escondidinhos nas plataformas de streaming.

A criação da categoria seria um reflexo da evolução constante do número de vendas dos discos de vinil e CDs? Harvey Mason Jr., presidente da Academia, declarou em comunicado à imprensa que “no mundo digital de hoje, as capas de álbuns são indiscutivelmente mais impactantes do que nunca. É provável que exista uma capa icônica que você reconheça instantaneamente, mesmo que nunca tenha tido o álbum físico”O presida está certo. Tyler venceu com CHROMAKOPIA, cuja arte foi desenhada por Shaun Llewellyn e Luis “Panch” Perez.

EGOT é uma sigla para designar profissionais vencedores de quatro dos maiores prêmios mundiais da indústria de entretenimento: Emmy, Grammy, Oscar e Tony (dedicado a musicais). Steven Spielberg é o mais novo membro da seleta casta, ao vencer ontem o Grammy de “Melhor Vídeo Musical” pela trilha sonora de seu Music by John Williams, filme que fala sobre um dos maiores compositores da história do cinema.

Há outro caso curioso no campo da poligamia entre premiações. Trent Reznor, fundador da banda Nine Inch Nails que se tornou um multivencedor de Oscars ao “mudar de emprego” e virar produtor de músicas para filmes, voltou a levar uma estatueta em 2026 com seu grupo original. As Alive as You Need Me to Be venceu o prêmio de “Melhor Canção de Rock”.

Também composta para uma produção cinematográfica (TRON: Ares), a faixa ainda concorreu ao prêmio de “Melhor Canção Escrita para Mídia Visual”, mas perdeu para Golden, da animação Guerreiras do K-Pop — que, por sua vez, fez história como a primeira faixa de K-pop a faturar um Grammy.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.