Duda Beat

Duda Beat lança clipe e conta detalhes da criação de seu novo álbum: “Estou encarando o lado mais sombrio do amor”.

Por Maravilha

Duda Beat fala ao Music Non Stop sobre a carreira, projetos e o lançamento do novo clipe de “Nem Um Pouquinho”

Que tal ouvir o novo disco enquanto lê esta matéria?

Em abril, depois do sucesso de “Sinto Muito”, a artista pernambucana Duda Beat lançou seu segundo álbum “Te Amo Lá Fora”, com 11 faixas inéditas e um novo mix de sons e sentimentos conduzidos por novas experiências e a vontade de continuar falando de amor, o que, segundo Duda, é muito importante, porque “pessoas podem se identificar e todos evoluirmos e nos curarmos… meus discos são parte da minha cura, cura a mim e o outro”. A cantora, que diariamente recebe mensagens de pessoas que relatam sobre como suas músicas a ajudaram a enfrentar situações difíceis no campo dos sentimentos e relações, conversou com a gente sobre o processo de criação de seu novo disco:

MNS Duda, conta pra gente o que mais marcou o processo de criação desse novo disco?

DUDA: Primeiro a vontade de continuar contando minha historia para o mundo e ao mesmo tempo a responsabilidade que um segundo disco trás. Em 2018 lancei o Sinto Muito, de lá pra cá rolaram algumas participações e parcerias mas eu sou uma pessoa que acredita muito ainda no formato do álbum, que é especial e que o fã tem oportunidade de mergulhar na nossa historia. É um lugar muito feliz que eu adoro.

Pra esse álbum eu já tinha algumas musicas escritas, antes, mas que me aprofundei no processo criativo delas só em março de 2020, depois do último show que fiz do Sinto Muito. Eu tinha me planejado pra fazer uma imersão com Lux e Tróia e as pessoas da banda num local afastado da cidade no interior do Rio e enquanto estávamos lá a gente soube da pandemia do corona vírus. A maioria das criações surgiram nesse momento, a partir do que eu tinha pensado que gostaria que tivesse no disco, como maracatu, pisero que eu também queria muito, reggaes… Tudo isso é o que eu gosto de ouvir, as inspirações partem da minha formação musical, do que eu ouvi na minha vida e eu continuei a história. E também nesse disco tem um afastamento maior meu das situações retratadas, diferente do primeiro em que as narrativas estão muito ligadas ao que eu tava vivendo, num momento muito a flor da pele. Nesse segundo já trago uma maturidade maior, vejo que foi uma construção bem bonita e eu estou muito apaixonada pelos meus filhos e muito feliz com o resultado com a forma que esse disco se colocou no mundo.

MNS: As composições são recentes ou são materiais que você vem nutrindo há algum tempo? 

DUDA: As composições das letras vieram das experiências que eu tive com o amor na minha vida e nesse segundo álbum é curioso por conta do distanciamento que eu tive de algumas situações que me permitiu que eu enxergasse e tratasse de outras formas também. E eu não poderia deixar de abordar o meu êxito amoroso porque quando a gente conquista algo e está feliz na vida a gente tem que celebrar também. E nele acabei celebrando meu amor com Thomas. To encarando muito de frente também o lado mais sombrio do amor, em termos de composição, e consegui colocar no papel o que eu realmente sentia, como ansiedade, raiva, rancor, a vontade de ficar bem, é um misto, falo muito sobre estágios do amor e minha maneira de lidar com esse lado que as vezes a gente esconde e que é fundamental pro nosso crescimento. A Melô de Ilusão ia entrar no Sinto Muito e acabou ficando pra esse disco. 

MNS Você se lembra como começou sua relação com a música? 

DUDA: Isso é bem antigo na verdade, começou desde que sou bem pequenininha, vou voltar lá atrás. Meu pai sempre amou musica e tinha uma coleção de disco gigante, era apaixonado pelo movimento grunge de Seattle, era um cara muito apaixonado por musica, por Elton John, meu pai me colocava pra dormir enquanto a gente ouvia musica. Depois me lembro de inúmeros domingos com meus tios tocando violão na cada da minha vó, que era a maior foliã que eu conheço, íamos juntas ao Bloco da Saudade e ao carnaval ver o frevo e o maracatu… Além do São João de Pernambuco, Gravatá e Caruaru, o forró e toda essa vivência vem junto comigo. Eu sou essa pessoa que ouve de tudo, minha playlist é cheia de ritmos, e é por isso que meu disco é assim também, cheio de ritmos, tudo o que tá ali é muito verdadeiro. Minha formação musical é muito vasta, eu escutei tudo na minha vida desde criança eu eu trago isso comigo.

Duda Beat

(foto:divulgação)

MNS Em “Te Amo Lá Fora” onde está a Duda de “Sinto Muito?” 

DUDA: Acho que a Duda de Sinto Muito esta na música Mais Ninguém e na Melô de Ilusão porque as narrativas dialogam muito, são faixas que eu ainda estou em um momento mais iludido, mais romântico, e nas outras faixas eu já me vejo num lugar mais maduro, que entendo o porque do amor não ter dado certo.

MSN Se pudesse escolher uma música do seu disco pra ouvir repetidamente por horas, qual seria e por que?  

DUDA: Ai que pergunta difícil! Olha, eu escolheria “Mais Ninguém”. Eu tenho dúvidas entre a “Tu e Eu” e a “Mais ninguém”, mas eu escolho a “Mais Ninguém” porque é uma música muito emocional minha. Uma musica que fala sobre declaração e tem um solo de flauta que Aline Gonçalvez fez, lindo demais, e toca em mim num lugar diferente, no fundo do coração. Não que as outras não sejam especiais, mas essa música e a “Tu e Eu” são as musicas que eu acho mais especiais no disco. Mas nesse segundo disco confesso que é muito difícil escolher.

MNS Qual sua visão sobre o cenário da produção musical nacional atualmente? 

DUDA:  A minha visão é a melhor de todas, acho que o intercâmbio de públicos que vem acontecendo é muito bonito e isso precisa ser celebrado. Além disso, a forma como a música brasileira vem também ocupando espaço no mundo, com, por exemplo, Anitta e Pablo Vittar, eu amo muito as duas, representam muito o Brasil lá fora, indo com sua potência e verdade. Acho que o movimento está lindo, expansivo, e cada vez mais a música brasileira vai tomar o espaço que é dela no mundo.

MNS Sabemos que há muito pra se conquistar e transformar quando se trata de equidade de gênero nesse mercado, assim como muitos outros. Na sua visão, qual o papel da indústria da música nessa luta?

DUDA: Olha, fundamental. Inclusive é muito legal você falar sobre equidade porque eu to fazendo parte de um projeto do Spotify que se chama Equal, iniciativa global projetada exclusivamente para promover a igualdade de gênero, que dá voz as mulheres na música. Vejo como um movimento que vem ajudando a gente a conquistar cada vez mais coisa. Acho que a gente ainda tem muito a conquistar pra cada vez mais mulheres poderem ser protagonistas de suas vidas e na música, e a gente vai continuar conquistando nosso espaço cada vez mais porque merecemos.

MNS Apesar das dificuldades, também há coisas boas em ser mulher artista. O que você mais gosta em ser mulher, artista e cantora trabalhando com música?

Ver que muitas mulheres se sentem representadas por mim, vejo que de certa forma sou uma inspiração pra meninas que estão começando agora na música. Estamos num momento de poder se celebrar e se exaltar como mulher. Eu amo ser artista e mulher porque sei o quanto isso é potente, forte e inspira. Porque quando a gente vê alguém que batalha e que tá lá a gente tem o sentimento de que também pode, eu fico até emocionada de falar porque a gente tem um poder muito grande, de tudo, de gerar…é muito forte e muito bonito.

Confira o clipe da música “Nem um Pouquinho” lançado hoje:

“Nem Um Pouquinho” é um pagotrap que conta com a participação do artista baiano Trevo. É a quarta faixa de “Te Amo Lá Fora” e a segunda a ganhar um clipe.

O clipe de “Nem Um Pouquinho” tem a direção assinada pela dupla Alaska, formada por Gustavo Moraes e Marco Lafer. A vontade de colaborar com eles era um sonho antigo de Duda: “Admiro muito o trabalho dos meninos e já tínhamos um namoro antigo (risos). Dessa vez, concretizamos essa relação. Eles contribuíram muito para dar vida a essa história cantada por mim e por Trevo que constrói um universo paralelo com seres fantásticos e ao mesmo tempo elabora sobre sentimentos tão reais”.

Retratando um universo fantástico, o clipe traz uma reflexão sobre como muitas vezes abrimos mão de quem somos por alguém. “Se apaixonar é uma delícia, mas nem sempre traz coisas boas. Nesse clipe, falamos de como podemos nos perder de nós mesmas e como pode ser difícil se reencontrar. Mas, ao mesmo tempo, se reconectar consigo mesma é um processo catártico e de renascimento, é se tornar dona de si e se emancipar. Tudo ao mesmo tempo”, pondera Duda.

A ideia era que o vídeo de “Nem Um Pouquinho” saísse mais perto do lançamento de “Te Amo Lá Fora”, mas o agravamento da pandemia em março fez com que os planos fossem adiados. “Tudo tem um momento certo para acontecer. Esse é um dos maiores projetos da minha carreira e queria fazê-lo da maneira mais segura para toda equipe. Por isso, só está saindo agora. Mas tenho a certeza de que está chegando no momento certo. Estou muito animada para ver como o público vai reagir, para ver todo mundo participando dos desafios no Tik Tok, meu grande parceiro nesse projeto grandioso. É realmente a realização de mais um sonho”, conta Duda.

Duda Beat

(foto:divulgação)

 

 

 

 

 

Maravilha

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Maravilha é uma artista-multimídia, musicóloga, DJ, compositora, produtora musical e arte-educadora carioca radicada em São Paulo. Aqui no portal escreve e reflete sobre arte, música brasileira e toda a sorte de grooves. É também fundadora da Tremor Produtora.

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