documentário Puta dor

Documentário retrata a reação e adaptação de produtores culturais, DJs e performers à realidade pós Covid19

Tawannee Villarim
Por Tawannee Villarim

Documentário Puta Dor retrata como a cena cultural brasileira, com foco no mundo da música eletrônica, reagiu à pandemia e à nova realidade trazida pelo Covid19

Documentário analisa de perto a adaptação dos produtores.

Um fato que já sabemos, mas é necessário reforçar: a pandemia do coronavírus paralisou o mundo e afetou de forma significativa praticamente todos os setores, entre os quais a indústria do entretenimento. A situação, totalmente inesperada, resultou em prejuízos significativos na economia mundial e obrigou a uma readaptação de diversos serviços. Os novos tempos contribuem para o crescimento das novas formas de consumo e obrigam a indústria do entretenimento a procurar alternativas no sentido de atender as necessidades dos clientes nesse contexto totalmente distinto. Estamos falando de uma movimentação de nada menos que R$ 936 bilhões na economia (13% do PIB), um volume de 25 milhões de empregos diretos e indiretos. A solução imediata não resolverá a longo prazo os danos desta pandemia no setor. 

Com o passar do tempo e o números de casos “controlados” – mediante ao que é divulgado pelo Governo brasileiro e pela pressão dos empresários e a área econômica, as autoridades políticas já sugeriram medidas de flexibilização dos comércios. Foi nesse cenário que Dada Scáthach – artista plástica -, David Resende – diretor artístico de performance e arquiteto -, e Nayara Macedo – diretora de conteúdo e videomaker -, entusiastas da música e da cena eletrônica underground, se uniram na criação da Troikka Studio para a realização de “PUTA DOR”; um registro da reação e da adaptação de produtores culturais, DJs e performers a esta nova roupagem da realidade.

É senso comum que “os eventos serão os últimos a voltar”. Os bares seguem cheios, transportes públicos lotados, guarda sóis tampam a vista das orlas, empresas voltam a funcionar e escolas ensaiam suas reaberturas mas a certeza de que tão cedo não teremos grandes shows e pistas de dança lotadas parece ser geral. E não é para menos, todo esse movimento muitas vezes é protagonizado de forma irresponsável pelos frequentadores.

O setor do entretenimento artístico – cinema, teatro, música, eventos – tem se mostrado consciente e inovador, fazendo da internet e da tecnologia um grande palco. Um alívio para os “quarenteners” mais disciplinados.

Não seria diferente com a cena da música eletrônica underground. As festas conhecidas superficialmente pelo “tunts tunts” repetitivo (e marcadas pelo público exótico e pelo alto consumo de drogas), somam-se a esse contexto: encontraram no virtual a chance de mostrar ao mundo à que vieram.

A articulação de artistas e eventos pelo mundo afora – e a rápida adaptação a plataformas como Zoom, Shotgun e Twitch – fizeram dessas festas um refúgio aos clubbers e amantes dessas baladas que esburacam as madrugadas. Cheias de possibilidades, as edições passam a fomentar e dar suporte a DJs, performers e trabalhadores da noite. Mas o que, de fato, aconteceu com os profissionais dessa cena?  Como as pessoas que tem o fervo como sustento se viraram na falta de trabalho? Perguntas inquietantes por trás do Puta Dor. 

documentário

Festa Masterplano, de Porto Alegre – foto: divulgação

O documentário faz um registro histórico do que foi essa transição a partir do olhar de mais de trinta profissionais atuantes nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Berlim e Lisboa, e esclarece as origens dos movimentos e coletivos envolvidos nas famosas festas de rua – e como essas origens influenciam a abordagem desses grupos hoje. De acordo com Nayara Macedo – diretora de conteúdo e videomaker – o documentário o documentário tem um peso direto no setor do entretenimento:

“ 2020 impediu muita coisa de acontecer e o setor de festas e eventos se viu muito prejudicado por, provavelmente, ser um dos últimos setores a voltar á ativa da forma como acontecia antes.  Entender melhor novas possibilidades é essencial para que os profissionais possam aprimorá-las, levar situações viáveis ao público e se manter em relevância nesse período difícil. O filme carrega um pouco da função de apresentar uma cena que apesar de grande e bastante abrangente, ainda é tida, de certa forma, como marginal; e poder contar sobre como os processos aconteceram para cada um dos eventos é esclarecedor nesse sentido, não apenas para este segmento, mas para outros também”.

Entre os participantes, estão: Alê Adas,Alma Negrot, Baroque Angel, Barsotti, Belisa Murta, Bruno Perdigão, Carol Mattos, Cashu, Dada Sacáthach, Eli Nunes, Fritzzo, Gabi Cara, Guilherme Moraes, Igor Albuquerque, Kaká Guimarães, Kedineoo, La Puta Inês, Laura Diaz, Loïc Koutana, Marco Paulo Rolla, Mary An, Metamorfo, Pedro Gonçalves, Raphael Dumaresq, Ruby Padam, Sabine Passareli, Scorza, Spektro, Technovinho, Terr Music, Tessuto, Toolio, Virgílio Andrade, Xoxottini.

Se ficou afim de assistir, rola uma exibição aberta através do site: www.cardume.tv.br. Para assistir é necessário se cadastrar primeiro, por isso confira o passo a passo abaixo e assista!

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