Covid 19 e seu enorme impacto na industria cultural no Brasil e no mundo

Jota Wagner
Por Jota Wagner

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A classificação do surto do novo vírus Covid 19 como pandemia resultou em medidas duras e previsões de recessão econômica vindas das autoridades dos principais países do mundo.

O cenário de um mundo totalmente globalizado e a falta de um tratamento para o vírus contagioso fez com que a principal medida de prevenção adotada foi a de evitar aglomerações.

A recomendação (ou obrigatoriedade, dependendo do país e do tamanho do problema) caiu como uma bomba na industria cultural mundial.

Músicos, DJs, produtores de eventos e demais profissionais da cadeia estão cancelamento eventos que vão de pequenos shows a grandes festivais, provocando um efeito em cascata ainda incomensurável, já que a enorme maioria dos trabalhadores deste segmento são autônomos.

O Covid 19 e a cultura pelo mundo

O repórter especial do Nexo Jornal e um dos DJs pioneiros em São Paulo, Camilo Rocha, publicou uma série de twitts com indicações de reportagens sobre o assunto. A industria cultural brasileira é responsável por nada menos do que 2,7% do PIB. Importante lembrar que desde 2.019 a cultura vem sendo tratada como um segmento nada prioritário para o governo, que negou a atenção a subsídios, fomentos ou mesmo uma política pública que envolva o setor.

No Reino Unido , a comunidade artística pressiona Boris Johnson a obrigar os pubs e casas de show a fecharem suas portas. O governo britânico, assim como o brasileiro, se comunica com a população recomendando que os empresários e produtores “façam a coisa certa”.

O problema é que este voluntarismo joga para o empresário a responsabilidade legal do fechamento e inviabiliza o setor de receber ajuda de seguradoras e linhas de crédito especiais criadas para segurar a economia. A comunidade teme também que tal atitude possa gerar uma “caça às bruxas” a quem não quiser, ou puder, simplesmente fechar as portas e esperar o surto passar.

A discussão é bastante válida também no Brasil. Ao cancelar os eventos, milhares de profissionais simplesmente terão sua agenda deletada para os próximos meses. Geralmente, toda sua rede de contatos de trabalho envolve invariavelmente aglomerações. Até agora o governo sinalizou ajuda a micro e pequenas empresas, mas nada referente a autônomos e informais.

O portal Resident Advisor, velho conhecido da comunidade dance mundial, publicou também um artigo onde centraliza diversos outras matérias e posts dedicados a ajudar profissionais culturais a atravessar esta tormenta.

Busquemos conhecimento

Aqui no Brasil, diversas organizações estão tentando propagar o mesmo tipo de informação. Uma delas é a Agência 55, destinada a promover a profissionalização do cenário independente brasileiro através de palestras, projetos de circulação e produção de conteúdo (parte dele usado nesta matéria).

Ações independentes também começaram a aparecer, como uma petição pública que solicita adiantamento de contas de consumo por sessenta dias para músicos, produtores culturais e demais profissionais da área. A petição já tem mais de 30 mil assinaturas em menos de seis horas aberta, o que mostra o tamanho deste mercado e a preocupação geral com o assunto.

O DataSim, braço da Semana Internacional de Música SIM São Paulo, abriu uma pesquisa para todos os que tem empresa no segmento. A ideia é começar a levantar dados sobre o impacto da crise junto aos empreendedores. Se é o seu caso, clique aqui para responder e ajude-os a mapear a situação.

Aos produtores e artistas, a ordem do dia é tentar encontrar saídas para não parar totalmente. Em Portugal, um mega festival com shows transmitidos pelo Instagram. O Eu Fico em Casa Festival acontece entre os dias 17 e 22 de março.

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Artistas e produtores procuram saídas

É importante que DJs e músicos tenham em mente que a necessidade de ficar em casa não reduz a necessidade de se ouvir música. Eventos, lives e conteúdo novo tem mais do que nunca uma função social, salvadora da sanidade mental em um momento tão crucial.

Levem em conta o bem que um show teu pode fazer a um grupo de pessoas entendiadas, loucas de saudade da rua, do abraço, do beijo e da dança.

Abre-se também um espaço enorme para a solidariedade. Em pensar no outro. Em trazermos a empatia de volta à moda.

Não podemos esquecer também que tudo isso, claro, está sendo escrito no calor das primeiras notícias. Há ainda a esperança de que se compreenda melhor as situações que podem ou não ser seguras em estar na rua, na noite, na pista de dança e isso traga regras mais claras e tranquilas de comportamento que evite a disseminação do vírus.

Enquanto isso não há o que fazer senão ser o melhor ser humano possível. Neste barco, sem dúvida nenhuma, estamos todos.

 

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