BTS

Empresários investem 4 milhões de dólares para clonar BTS, o grupo mais famoso do K-Pop

Por Jota Wagner

Empresa responsável pela carreira do grupo de K-Pop BTS, o maior fenômeno de sucesso do gênero, investe em empresa de inteligência artificial que clona a voz humana

Em 1966, os Beatles gravaram em um parque uma interpretação dublada da música Paperback Writer, seu novo single, e a editaram junto a algumas imagens da banda. O motivo da criação do primeiro videoclipe da história da música pop foi um problema de agenda. Os Beatles não poderiam viajar aos Estados Unidos para participar do programa Ed Sullivan Show, enorme sucesso no país e parada obrigatória a todos os artistas de sucesso lançando novidades. Pela primeira vez, os Beatles podiam estar em dois países ao mesmo tempo.

A Big Hit Entertainment é a empresa de agenciamento de artistas que administra a carreira do grupo BTS, o maior fenômeno de sucesso do gênero musical coreano que faz a cabeça de adolescentes de todo o mundo incluindo os Estados Unidos.

A música Dynamite, primeira canção com letras em inglês do grupo, atingiu o primeiro lugar no ranking da Billboard, o primeiro artista asiático a conseguir este feito.  A conquista se deve em grande parte ao seu Army, como se autodenominam os fãs do grupo, que combinam ações pelas redes sociais para ajudar o BTS em seus lançamentos e até mesmo defendê-los de críticas negativas.

O sucesso do BTS é tão grande e surpreendente que até o ator George Clooney se alistou, ainda que de brincadeira, ao Army. Na última sexta-feira, Clooney (se apresentando como Brad Pitt) publicou um vídeo recitando a letra.

De acordo com a revista Music Business Worldwide, a Big Hit investiu quase quatro milhões de dólares na empresa de tecnologia especializada em inteligência artificial Supertone.

A Supertone está desenvolvendo um software que tem a capacidade, segundo a empresa, de “criar uma voz super realística e expressiva, que não pode ser distinguida do humano original”.  O programa analisa a voz de qualquer cantor em gravações realizadas e emula artificialmente seu timbre e nuance, substituindo a voz de qualquer cantor que interprete a canção em um microfone.

A tecnologia da Supertone foi apresentada ao público pela primeira vez no programa de TV Competition of the Century: AI vs Human.  No show, a voz do cantor popular Kim Kwang-seok, que faleceu em 1996, foi emulada pelo software para jurados embasbacados. Aparentemente, o resultado foi bem próximo da perfeição.

Para recriar a voz de Kwang-seok, o software da Supertone precisou analisar apenas 20 gravações do cantor, além de 100 interpretações de outros artistas coreanos, para desenvolver o algoritmo que resultou na emulação da voz do ídolo popular.

Porquê a Big Hit investiria esta fortuna em uma tecnologia como essa?  Segundo os empresários do BTS, o invento da Supertone permitirá que o grupo consiga atender mais compromissos do que os possíveis hoje em que a presença “física” dos garotos ainda é necessária.  Assim como fizeram os Beatles na invenção do videoclipe sessenta anos ante, “o BTS é muito ocupado atualmente, e infelizmente não podem parcipar de muitos convites devido à falta de tempo. Se usarmos esta tecnologia na participação de games, audiobooks, ou dublando uma animação, por exemplo, eles não precisariam estar presentes pessoalmente para realizá-los” – disse Choi Hee-doo, da Big Hit Entertainment.

A Supertone garante que está atenta a qualquer dilema ético que sua tecnologia poderá trazer. Nenhum uso de voz simulada será permitida pela empresa sem a autorização legal do detentor original dos direitos da voz. A Big Hit afirma que poderá “acalentar os corações de mais fãs” ao utilizar a tecnologia. Como o exército de fãs do grupo (e de tantos outros artistas que podem aderir à onda) vai lidar com este mundo que se abre a partir de então, ainda é incerto.

Ao resto de nós, nada mais resta além de entoar o mantra dos últimos anos: “meeeeeu, isso é muito Black Mirror”!!

 

 

 

 

 

 

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é editor chefe do Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.

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