Bohemian Rhapsody Imagem: Reprodução

‘Bohemian Rhapsody’: 5 fatos sobre o hit mais ‘louco’ da música pop

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Contrariando todas as normas da indústria, sucesso do Queen chegava ao topo das paradas há 50 anos

Há 50 anos, em 29 de novembro de 1975, o mundo da música pop virava de ponta-cabeça. Bohemian Rhapsody chegava ao primeiro lugar das paradas britânicas (UK Single Charts), menos de um mês após seu lançamento como single, em 31 de outubro. O mais louco (e bota louco nisso!) é que se trata de uma faixa de construção absurda, no melhor sentido da palavra.

Longa demais para as rádios, sem refrões, com intersecções de ópera, solos de guitarra, backing vocals fora da caixa e uma letra aparentemente maluca. De tão improvável, alçou a banda a um patamar de respeito gigantesco no mundo da música, e selou Freddie Mercury, seu autor, ao panteão dos gênios do rock.

De tão maluca e imprevisível, Bohemian Rhapsody confundiu a cabeça dos críticos. Alguns amaram, resenhando-a como impecável e com “arranjos inacreditáveis”. Outros, odiaram, escrevendo que a canção do Queen era “uma paródia de si mesma”, “absurda” e “inflada”. Na história da crítica musical, há vencedores e perdedores.

E os que não a compreenderam já na primeira audição provavelmente se arrependem até hoje. A canção lançada no álbum A Night at the Opera, também de 1975, se tornou um dos maiores clássicos da história da música popular. E até hoje é analisada, resenhada, estudada, mantendo ainda vários mistérios. É a Pirâmide de Gizé do rock’n’roll.

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Bohemian Rhapsody tem mãe e pai

Segundo os próprios integrantes do Queen, a canção não é o começo, mas o final de uma estética que já vinha sendo tentada anteriormente por Freddie. No primeiro álbum da banda (Queen I), My Fairy King já trazia alguns dos elementos que seriam utilizados no hit de 1975. Em seu segundo disco (Queen II), The March of the Black Queen segue o mesmo caminho. São o papai e a mamãe de Bohemian Rhapsody.

O mistério da letra maluca

Espertos no marketing, os integrantes da banda combinaram jamais explicar o significado da letra da música, que inclui palavras do zoroastro (religião da família de Freddie, imigrantes paquistaneses). Tudo o que se disse sobre ela são especulações de estudiosos e biógrafos. Muitos cravam que a canção é sobre a orientação sexual de Mercury. “Mamma, just killed a man”, por exemplo, poderia ter um sentido psicanalítico, com o frontman matando a heterossexualidade para assumir uma identidade mais livre.

Especula-se também que a inclusão de Galileu Galilei na canção teria sido um presente para o guitarrista Brian May, apaixonado por astronomia (a ponto de se tornar PhD em Astrofísica, em 2007).

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Gravação complexa e cara

O custo da gravação de Bohemian Rhapsody foi maior do que todas as outras músicas do álbum somadas. O grupo utilizou seis estúdios diferentes e gravou absurdos 180 overdubs (sobreposições) nos vocais! Engenheiros de som contam que as fitas ficavam quase transparentes de tantas regravações e sopreposições. A grana gasta foi tanta que a música quase ficou de fora de A Night at the Opera.

Tudo culpa do DJ

A gravadora do Queen, claro, se assustou quando ouviu a demo de quase seis minutos, praticamente o dobro do padrão das rádios na época, e entrou em pânico com a insistência da banda em lançá-la como single. Ciente da obra-prima que havia criado, Freddie Mercury pegou a música ainda não finalizada e levou-a ao DJ Kenny Everett, da Capital Radio, e o convenceu a tocá-la ao vivo.

O público amou, e Everett ainda a tocou mais 14 vezes no mesmo final de semana. Mercury provou que a música tinha, sim, potencial de sucesso, e Bohemian Rhapsody foi lançada como single oficial.

Levantando-se da tumba

Em 1992, Bohemian Rhapsody se tornou trilha sonora de uma das cenas mais clássicas do cinema pastelão, quando quatro amigos a ouvem em um rolê de carro pela cidade no filme Wayne’s World. Nele, a faixa é tocada do começo ao fim, inaugurando a estética do “react”, tão comum hoje nas redes sociais. O resultado? A música foi relançada e atingiu o segundo lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos!

O curioso é que, poucas semanas depois, outro episódio reacendeu o sucesso do Queen, quando um padre católico proibiu alunos de cantarem We Are The Champions em sua cerimônia de formatura, incomodado com a orientação sexual do vocalista — um caso que tomou repercussão nacional nos EUA.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.