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“Artistas trans ainda não conquistaram o algoritmo para ser do mainstream”, conta Assucena Assucena, cantora da banda As Baías em entrevista

Por Carola González

“Artistas trans ainda não conquistaram o algoritmo para ser do mainstream”, conta Assucena Assucena, cantora da banda As Baías em entrevista para o podcast Diálogos Profanos, que estreia coluna no Music Non Stop

 

O podcast Diálogos Profanos, apresentado pela DJ, produtora musical e ativista curitibana Jo Mistinguett e produzido pela jornalista paulistana Carola González, estreia a coluna Diálogos Profanos Non Stop, no Music Non Stop. Na sua primeira edição por aqui, a entrevistada é Assucena Assucena, uma das vocalistas da As Baias (banda que respondia como As Bahias e a Cozinha Mineira).

Assucena Assucena

Assucena Assucena – foto: divulgação

Desde fevereiro semanalmente pelo Spotify uma entrevista é feita com mulheres e dissidentes que atuam profissionalmente da música, artistas, produtoras, curadoras, jornalistas, que em comum têm o amor pelo o que fazem e primam pela autonomia em suas trajetórias. Brisa Flow, Fabiana Lian, Luana Hansen, Malka Julieta, DJ e produtor trans Joseph Rodrigues, entre outros nomes, passaram por aqui. Ao todo são 40 entrevistas. Ouça pelo canal no Spotify: Diálogos Profanos.

 

 

Assucena Assucena, desde Vitória da Conquista na Bahia, sua cidade natal, conta um pouco de sua carreira, que profissionalmente já soma 5 anos desde o lançamento do primeiro álbum do grupo, intitulado “Mulher”. Fala sobre a cena de artistas LGBTQI+ da qual faz parte, ao lado de Liniker, Mel da Banda Uó, Karla da Silva, Rico Dalassam, São Yantó, Ellen Oléria – em que gêneros musicais diversos, como MPB, soul, rap, samba, entre outros se misturavam ao ativismo pelos direitos LGBTQI+, movimento negro, feminista, periférico. “A cena LGBT que surgiu em 2015 não se parece com nada no mundo!”

Apesar de ser uma das bandas mais bem sucedidas dessa cena, Tarântula, o terceiro álbum, foi lançado com todo suporte de uma gravadora como a Universal Music, ela diz que considera sua consolidação da frágil pelo fato das duas cantoras serem trans. “A gente precisa provar mais para o mercado. Fica sempre aquela dúvida se fui eu quem compôs a minha música. Olham a gente de cima para baixo coisas que cis generos nao precisam passar. Artistas trans ainda não conquistaram o algoritmo para ser do mainstream.”

Na conversa, Assucena fala do início da carreira, que aconteceu durante o curso de História na Universidade São Paulo, a USP e da influência de Amy Winehouse; sobre como foi se afastar dos palcos durante a pandemia, “nada substitui o show, que é a principal fonte de receita de um artista. A live tem um lugar interessante, veio para ficar, mas não para substituir o show. Quem não gosta de muvuca, de sair de casa, encontrou um refúgio. Mas não é o que eu quero para minha vida. Com o cachê do show você está pagando sua equipe, os músicos, quem faz a iluminação. Você está gerando emprego para os seguranças da casa de show, para quem vai limpar aquela casa, para quem faz os drinks, para os ambulantes que ficam na entrada, para os motoristas de Uber. É uma engrenagem poderosa  que mexe com comida, bebida, segurança, vestuário, além de ser essa coisa incrível que é trabalhar com arte e cultura. Quero show!!! A arte salvou muita gente na pandemia. Mas quem vai salvar os artistas?”. 

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