Acidentes, equipamentos baratos e superação. A história do top DJ sulafricano Black Coffee, que acaba de lançar novo álbum

Bruna Guedes
Por Bruna Guedes

Acaba de sair o aguardado disco do Black Coffee, o ‘Subconsciously’, mas antes do diálogo sobre o lançamento, é válido falarmos sobre esse artista global que tem na sua carreira a exemplificação explícita da sua personalidade artística que carrega sua ancestralidade através da sua música, da sua da jornada de superações e do seu lado como filantropo. 

Em sua estreia no Music Non Stop, Bruna Guedes conta a história do sul africano Black Coffee e seu novo disco Subconsciously

Nkosinathi Innocent Maphumulo, o real nome por trás do DJ, produtor musical, cantor e compositor, nasceu em 1976 no sul do continente africano, em Umlazi, e cresceu em Umtata, cidade a 29km onde viveu Nelson Mandela. A sua primeira atividade com a música começa no coral da sua escola e é também ali que conhece os integrantes do que viria ser a SHANHA (Simply Hot and Naturally African), um afro-pop trio que ele fez parte. 

Aos 14 anos, em 1990, durante a celebração da liberdade do Nelson Mandela, ele é atingido por um carro e perde por completo o movimento do seu braço esquerdo. Acidente esse que não foi capaz de impedir a mente genial e dedicada que estava em formação, pelo contrário, Maphumulo segue atrás dos seus sonhos tendo a música com base dos seus ideais.  Mais tarde, se forma em Jazz na Technikon Natal, instituição acadêmica, agora, conhecida por Durban University of Technology. 

capa de Subconsciously

Após 7 anos do acidente, Black Coffee começa a sua carreira como produtor de música eletrônica já unindo sua origem africana ao Jazz, e começa ali um levante da sua cultura através da conexão constante com diversos artistas de mesma origem do seu continente e de elementos orgânicos, vocais afetivos e beats que marcam o Afro-House.  

Em 2003, é um dos escolhidos como um dos dois participantes sul-africanos da Red Bull Music Academy e cria forças na cena sul-africana. 

Dois anos depois, ele lança o seu próprio selo, a Soulistic Music, para atuar com liberdade que almejava, e lança o seu primeiro disco. O disco auto-intitulado é produzido com recursos tão básicos que o mesmo narra não ter usado nenhum controlador Midi e com um mouse para tocar  — mais uma vez, marcando a sua dedicação para atingir os seus objetivos. 

De lá para cá, ele percorre pelos mais diversos universos através de parcerias com artistas como Drake, Usher, Alicia Keys, David Guetta e Solomun, faz campanha para grandes marcas como a Louis Vuitton, propagando o Afro-House e a força cultural do seu continente através de um comportamento discreto, reservado mas que sempre evidencia a sua capacidade intelectual de seguir em um crescimento constante e inspirador. 

Black Coffee é um dos grandes, que cresce e retorna suas conquistas através da Black Coffee Fundantion, instituição que apoia crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, e leva educação e acesso a música. Além da sua própria instituição, ele participa da Bridges For Music e recentemente apoiou Africa Is Not A Jungle’ no The Daily Show com Trevor Noah.

 

black coffee

foto: divulgação

Agora, após uma jornada que o consagrou como um dos principais nomes da música eletrônica da atualidade, que o colocou nos principais eventos do meio, que gerou os mais diversos prêmios, ele lança um álbum após cinco anos, com uma união de artistas que torna evidente a narrativa de sucesso que ele buscou através de uma consistência artística impressionante. 

No disco, 12 faixas com as mais diversas nuances para emocionar os fãs, e com uma diversidade sonora que faz da audição uma odisseia, com participações de artistas de renome global como Pharrell Williams, David Guetta, Diplo e Usher, além de Una Rams, Msaki, Delilah Montagu, Cassie, Maxine Shaley & Sun-El, RY X e Elderbrook.

Detalhe: até o fechamento da nossa matéria, o artista já comemorava 100 milhões de streams. 

 

 

× Curta Music Non Stop no Facebook