Foto: DivulgaçãoFausto Fawcett volta a SP com o passado e o futuro do caos brasileiro
Edição: Flávio Lerner
Em dose dupla, músico e escritor revisita álbum de 87 na Virada Cultural e apresenta show inédito no Blue Note
Dizer que o mês de maio reserva aos paulistanos uma amostra do passado e do presente de Fausto Fawcett — artista que se apresenta no Theatro Municipal durante a Virada Cultural às 03h da madrugada do dia 24, tocando seu álbum de 1987, Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros; e no Blue Note dia 28 com seu novo show Animakina — é incorreto.

No final da década de 8o, com seu muito bem sucedido álbum de estreia, Fawcett trouxe o futuro para o presente, misturando universos no que descreveu como uma época de “surto de classe média”. Já no show atual que apresenta no Blue Note, condensa toda a distopia presente em seus discos e livros. Para ele, o Brasil é sim o país do futuro. Mas não o futuro que imaginamos, e sim o de completo caos urbano que tende a tomar conta do mundo.
Fausto é um escritor e poeta que utiliza a música para dar capilaridade às suas profecias. Ouvir seus álbuns é como ler um livro (muito louco, por sinal). Ler suas obras literárias, o contrário. Tudo junto e misturado. Animakina, por exemplo, é um show audiovisual em que o artista sobe ao palco acompanhado do cineasta e parceiro de longa data Jodele Larcher, de Paulo Beto (do Anvil FX) e de Mari Crestari (baixo e sax), e que se desdobrará em um livro impresso a ser lançado. Para ele, assim como não existe passado, presente ou futuro, também não há linha de largada ou chegada quando se fala em transitar entre linguagens.
O show do Blue Note tem tempero apimentado. Contará com a participação especial de Edgard Scandurra, outro músico que nunca se fechou no gênero musical que o tornou famoso na banda Ira!. Ambos lançarão uma música na apresentação, chamada Louco, Doido Varrido (uma canção já gravada no álbum do guitarrista, Benzina, agora com nova letra escrita por Fawcett).
Além do devido cuidado das projeções de Larcher, o artista visual Igor Peticov, mestre no videowall com TVs analógicas, colabora com a apresentação. A casa também entrega a qualidade acústica ideal para o que mais salta no trabalho de Fausto Fawcett. Suas letras poéticas. Um rolê sob medida para aproveitar o máximo de Animakina.



