Foto: ReproduçãoNo rock brasileiro, ninguém chegou perto de Luiz Carlini
Edição: Flávio Lerner
Para Claudio Dirani, músico falecido no último dia 07, aos 73 anos, foi a única lenda nacional da guitarra elétrica
Ninguém chegou — ou chegará — perto de Luiz Carlini no rock brasileiro. E os acomodados que se incomodem…
Existe um grupo de seres intergaláticos que são como marcas registradas — e até são confundidos com seus próprios instrumentos alienígenas.

Disclaimer para possíveis omissões, sem intenção de injustiças. Eric “God” Clapton, Jimi (nem precisa colocar Hendrix), Jimmy Page, Steve Vai, Santana, David Gilmour, Eddie Van Halen… Talvez estes sejam unanimidades em 11 de 10 cientistas do rock.
O Brasil até pode estar fora dessa lista que mais parece um dossiê do Arquivo X, mas ninguém ousa discordar que, até a semana passada, Luiz Sérgio Carlini (1952–2026) era a nossa única lenda da guitarra elétrica em ação. O nosso E.T. das seis cordas.
Alguns dirão que há injustiças. Uma delas, sendo Augustinho Licks, do Engenheiros do Hawaii — um cara inovador, hábil e polivalente. Robertinho do Recife, quem sabe? Wander Taffo, talvez. Mas agora é o momento de exaltarmos um nome que hoje deve estar ensaiando para se apresentar em uma dimensão elevada, onde até “aquele” que andou pela encruzilhada é admitido.
Onde estão os clássicos modernos? Quem será o próximo Luiz Carlini?
Tudo isso só para falar que a partida inesperada de Luiz Carlini é como um despertar para a chegada de uma espécie de apocalipse do rock. Preste atenção no motivo. Quem é capaz de dizer, hoje, que solos de guitarra como os de Ovelha Negra e Jardins da Babilônia poderão ser repetidos — e com a mesma criatividade?
Ou melhor… existirão outros hinos do mesmo gabarito para serem dilacerados pela eletricidade? Onde estão os clássicos modernos? Se nada surge de bate-pronto, é porque esse trem das 11 já partiu, e talvez não retorne nem amanhã de manhã.
A começar pela busca da discografia completa de Luiz Carlini. Onde estão os registros de suas hábeis incursões nas discografias de Guilherme Arantes, Gal Costa, Titãs, Barão Vermelho — e até mesmo da rainha Rita Lee, com a Tutti Frutti (grupo liderado pelo guitarrista que foi banda de apoio da cantora entre 1973 e 1978)?
Talvez a homenagem que Andreas Kisser prestou possa resumir tudo o que foi dito aqui para expor como Carlini é (sim, no presente) uma avis rara, um monolito, um Godzilla musical impiedoso com seus riffs, acordes e notas:
“Como músico, nem tenho como medir sua influência. Foi um pioneiro da guitarra rock and roll no Brasil. Ele, o Tutti Frutti, são coisas que ficarão para sempre inspirando as gerações futuras”.
Dito isso, agora é a hora, ó, nova geração que está lendo o Music Non Stop neste instante: ouça, olhe, registre, se inspire em Luiz Carlini. Você precisa abraçar urgentemente Esse tal de Roque Enrow.



