Madonna Foto: Reprodução

Show completo de Madonna em festival? Aconteceu há 20 anos

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Em 30 de abril de 2006, no Coachella, a Rainha do Pop fazia sua primeira — e única — apresentação solo em um festival comercial

“E se a gente chamasse a Madonna?” Foi o que ouviu Paul Tollett, cofundador do Coachella, durante uma reunião para definir a programação da edição de 2006. O palco Sahara Tent, dedicado a vertentes eletrônicas, estava com um buraco no line-up. Daft Punk se apresentaria no dia 29 de abril, e o dia 30 ainda estava vago. O motivo da reunião era justamente esse: o festival precisava de alguém tão grande quanto o duo francês.

A sugestão veio durante um “toró de ideia” (o famoso brainstorm), com todo mundo dando opiniões sobre a difícil tarefa de ter alguém tão midiático quanto os robôs. A princípio, pareceu maluca. Há 20 anos, o festival ainda era majoritariamente indie, embora em franco crescimento. Chamar a Rainha do Pop dividiria o público fiel. Não parava por aí.

Madonna jamais havia se apresentado em um festival tradicional. As grandes plateias para a qual a cantora havia se apresentado haviam sido em eventos beneficentes, como o Live 8 no ano anterior. Esses eram os pontos de vista que faziam com que a ideia jogada ao ar durante a reunião soasse quase como uma chacota.

Mas havia o outro lado: a cantora havia acabado de lançar um álbum totalmente voltado para as pistas de dança, Confessions on a Dance Floor (o volume dois sai esse ano, já está sabendo?), e ainda não havia começado a sua turnê de promoção. Lançá-lo de um jeito diferentão poderia ser bastante sedutor, tanto para a artista quanto para o Coachella, que mais tarde acabou se consolidando como plataforma de grandes turnês.

“Será?” A conclusão de Paul Tollett foi a seguinte: “a gente tenta e vê o que acontece”. Primeiro, o patrão ligou para alguns amigos próximos, pedindo sua opinião sobre o assunto e tentando contato com a artista, já uma gigantesca estrela mundial. Encontrou o telefone de seu produtor e fez o convite.

A resposta surpreendeu a todos nos escritórios da Goldenvoice (produtora do Coachella). Madonna disse sim. E um sim com bastante empolgação. “Eu nunca me apresentei em um festival. Estou especialmente animada para tocar no Coachella antes de começar minha própria turnê”, diria mais tarde.

Para ela, mal sabiam Tollett e sua equipe, era um oportunidade sensacional. Em uma só tacada, a artista lançaria sua nova turnê sob grandes holofotes, se apresentaria para um público mais jovem e ainda por cima dividiria o line-up com a última bolacha do pacote eletrônico, o Daft Punk, divulgando um álbum de dance music.

A artista aceitou o desafio e, claro, pensou no espetáculo. Os desafios logísticos foram tão grandes (o cenário incluía um globo gigante, de onde ela saiu na abertura do show) que a equipe do evento precisou redesenhar o palco e sua localização para uma plateia muito maior do que a projetada antes de tê-la como headliner.

Teve cornetagem? Teve, claro. Muita gente falando que o “Coachella não era mais o mesmo”, que estava se vendendo ao mainstream e tudo o mais. Mas foi histórico, e o vídeo acima é a grande prova disso.

Curiosamente, Madonna voltou, agora em abril, 20 anos depois, ao mesmo evento, aparecendo de surpresa na apresentação de Sabrina Carpenter. Ainda assim, 2006 permanece como um ponto fora da curva, com seu único show completo em um festival comercial.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.