Fanomenon BTS em ação. Foto: BIGHIT MUSIC/Reprodução

Gigantes do K-pop somam forças em “Coachella coreano”

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


As quatro maiores agências do setor estão em tratativas para lançar o Fanomenon, megafestival voltado ao pop da Coreia do Sul

Diz o ditado que a união faz força. Mas o que acontece quando os mais fortes se unem em uma indústria musical? É o que saberemos em breve, na Coreia do Sul. Segundo a imprensa internacional, as maiores agências de K-pop do país — HYBE, SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment — estão estudando a criação de um megafestival, já com nome escolhido: Fanomenon.

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O projeto, que vem sendo chamado pela imprensa de “Coachella coreano”, começaria em Seul, ao final de 2027, com os maiores astros de cada agência no line-up, e já no ano seguinte, migraria para outros países.

Ainda em fase inicial de negociações, a união das rivais de mercado veio impulsionada por duas circunstâncias. Uma delas é a costura política tocada por Park Jin-young que, além de fundador da JYP, também é membro do Popular Culture Exchange Committee, uma iniciativa bancada pelo próprio governo da Coreia com a intenção de usar o K-pop como política de soft power. A ideia é trabalhar a longo prazo para garantir a presença dos nossos queridos dançarinos bonitinhos nos palcos e smartphones de todo o planeta. Por tabela, também perpetua a hegemonia das quatro agências.

A outra circunstância que acelerou a união foi a preocupação de que o pop coreano esteja, tanto no mundo quanto em seu próprio país, saindo de moda. A HYBE vendeu com toda a pompa o show de retorno do BTS a Seoul, após quatro anos longe da cidade. A expectativa era de vender 250 mil ingressos. Não chegaram nem à metade dessa meta, uma surpresa tão grande que derrubou as ações da empresa em mais de 15%.

Artistas como Effie, que pauta sua carreira em uma espécie de “anti K-pop”, andam ganhando os holofones, mostrando aos tubarões que possivelmente os jovens estão procurando por uma linguagem diferente.

A união pode dar um gás extra ao movimento, já que a exposição do Fanomenon promete ser massiva. Nos resta saber se as novas gerações vão comprar a ideia, ou se será preciso algo novo no ar para manter a Coreia do Sul relevante na indústria musical.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.