Willie Colón Foto: Reprodução

Arquiteto da salsa: quem foi Willie Colón, homenageado por Bad Bunny no Brasil

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Lenda da música caribenha foi lembrada pelo astro porto-riquenho antes de apresentar NUEVAYoL no segundo show do Allianz Parque

“Hoje faleceu um dos grandes artistas que contribuíram para este gênero tão belo. Da minha parte e de LoS SOBRiNOS [banda de apoio], desejamos que Willie Colón descanse em paz. Muita força para sua família. A inspiração de tantos grandes músicos que deixaram sua marca nesta terra nunca morrerá enquanto houver jovens talentosos como os que estão aqui, mantendo viva a música, a salsa e todos os ritmos do Caribe” — disse Bad Bunny, pegando de surpresa todos os que estavam no Allianz Parque no último sábado (21, data da sua segunda apresentação em São Paulo), antes de tocar a canção NUEVAYoL, que justamente faz referência ao lendário Colón.

O maior astro atual da música latina havia acabado de saber sobre a morte de um de seus grandes ídolos, pouco conhecido entre os brasileiros, mas considerado o “arquiteto da salsa” no Caribe e nos Estados Unidos.

Nascido em Nova Iorque, o hermano Willie Colón era um prodígio. Gravou seu primeiro disco pela Fanya Records aos 17 anos. Desde os 11, já tocava clarinete, trompete e trombone, o instrumento que o deixou famoso. O dono da gravadora convidou um vocalista um pouco mais experiente para gravar o álbum El Malo (1967), Héctor Lavoe. Deu bom: Colón e Lavoe se tornaram uma das duplas mais influentes da história da salsa.

Unindo a música que os pais e avós ouviam em Porto Rico com uma estética das ruas dos bairros pobres de Nova Iorque (os dois posavam com roupas de gangster em capas de disco e fotos de divulgação), eles se conectaram com a juventude urbana hispânica que vivia nos Estados Unidos. Trocando em miúdos, Colón fez na década de 60 exatamente o que Bad Bunny está fazendo agora, só que com muito mais reconhecimento e fama.

Muita gente considera que os 12 discos de Colón e Lavoe definiram a salsa como a conhecemos. Mas o cara não parou por aí. Willie também tinha forte consciência social e política, e a usou com força ao formar uma nova parceria com outro cantor, o panamenho Rubén Blades. Passou a botar letras mais incisivas e ativistas em um gênero musical visto como leve e festeiro. E foram aprovados. O álbum Siembra, de 1978, foi o disco de salsa mais vendido da história, com seu grande hit, a canção Pedro Navaja.

Com a carreira consolidada, Willie Colón se tornou um dos grandes líderes da luta pelos direitos da comunidade hispânica em Nova Iorque, a ponto de ter sido conselheiro de diversos prefeitos. Participou ativamente também de organizações que lutavam contra a epidemia de AIDS nos anos 80.

O curioso na história é que, conforme envelheceu (faleceu aos 75 anos, em Nova Iorque), o trombonista foi se tornando cada vez mais conservador. E um de seus alvos em declarações públicas era justamente a música de Bad Bunny. Segundo a Rolling Stone Brasil, o arquiteto da salsa chegou a questionar, nas redes sociais, a qualidade do trabalho do neto musical. Porém, quando viu que foi citado na letra de NUEVAYoL, publicou vídeo nas redes sociais agradecendo a homenagem.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.