Foto: ReproduçãoSão Paulo 472: misteriosos e cheios de história, 5 rolês que você só encontra na capital
Neste aniversário da cidade de São Paulo, elencamos cinco espaços incríveis da Selva de Pedra para se conhecer
Você sabe onde você bebe, encontra amigos ou dança? Ou melhor, conhece a história daquelas paredes cheias de gente? Para quem vive em São Paulo, hoje completando 472 anos, esse tipo de curiosidade pode trazer excelentes histórias, já que muitas edificações, principalmente de bairros mais antigos, foram reutilizadas, transformadas e reformadas algumas dezenas de vezes, mudando sua função aos paulistanos.

Ali, naquele mesa em que você está sentado, há séculos poderiam estar montanhas de dinheiro. Ou então, está encontrando amigos em uma passagem subterrânea, por muito tempo fechada e esquecida.
São experiências possíveis somente em cidades como a capital paulista, centro financeiro e cultural do país, palco de conquistas e derrotas, ponto de encontro de turistas, homens de negócios e imigrantes de todo mundo, bela e terrível ao mesmo tempo. Como dizia Tom Zé, “habitantes de todo canto e nação, que se agridem cortesmente, correndo a todo vapor”.
Confira nossa lista com cinco espaços realmente incríveis, e cheios de histórias, possíveis em São Paulo.
Bar dos Arcos

Foto: Tales Hideki/Reprodução
Enquanto se diverte tomando ótimos coquetéis no hypado Bar dos Arcos, no subsolo do Theatro Municipal, pouca gente percebe que está dentro de um dos mais antigos sistemas de ar-condicionado da cidade. Quanto o Theatro começou a ser construído, em 1903 (a inauguração rolou oito anos depois), a solução encontrada para refrescar o ambiente foi construir uma galeria no subsolo com janelas laterais, por onde o ar fresco entrava e se espalhava pelo enorme prédio.

Quando os sistemas que conhecemos hoje, elétricos, foram instalados no Municipal, as galerias se tornaram obsoletas, e foram usadas para guardar materiais usados nas peças. Até que o espaço foi reformado e virou um dos bares mais inusitados da cidade, em 2018.
SubAstor Bar do Cofre

Foto: Reprodução
Em 1940, o Banespa (Banco do Estado de São Paulo) era uma potência financeira, a ponto de ter grana para construir como sede um dos prédios mais imponentes da época na Rua João Brícola, então o centro financeiro da cidade.
Esqueça a criptomoeda, o pix e mesmo os cartões de plástico. Na época, a grana circulava em espécie mesmo. Dinheiro vivo, ouro, prata, joias e, no caso mais tecnológico, ações em papel impresso e notas promissórias.

Para guardar a fortuna dos paulistanos endinheirados, o Banespa construiu em seu subsolo um baita cofre, com portas pesando toneladas e mais de duas mil gavetinhas recheadas do vil metal. O banco não existe mais, e seu comprador, o Santander, transformou a antiga sede em um espaço cultural. O cofre, a partir de 2019, virou o SubAstor Bar Do Cofre.
Frigobar

Foto: Reprodução
Você está ali, feliz, comento um kebab em uma lanchonete no bairro de Perdizes, quando vê uma turma de pessoas saindo de dentro da geladeira do bar. Não, você não está alucinando e tampouco vivendo dentro de o livro de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas. Aqui é a porta para um dos bares secretos mais inusitados de São Paulo, o Frigobar.
Embora não goze da mesma importância histórica dos seus antecessores aqui nesta lista, o Frigobar ganha espaço por se tratar de uma ideia que só cabe em SP (além de algumas outras capitais do planeta).

Na década de 1920, nos Estados Unidos, a venda de bebidas alcoólicas foi proibida em todo o país. Para burlar a lei, estabelecimentos ilegais eram montados nos fundos ou nos subsolos de empresas de fachada, como lanchonetes, lavanderias e tinturarias. Escondidos, os cachaceiros matavam a sede enquanto engordavam a conta bancária de mafiosos lendários, como Al Capone. Essa foi a inspiração do Frigobar.
Acessado (somente com reserva prévia) através da porta de uma geladeira falsa, o cliente chega a uma sala reservada, com iluminação baixa, e toma seus bons drinks (legais) enquanto ouve jazz.
The S.

Foto: Rodolfo Regini/Divulgação
Inaugurado em 1934, o Edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu da cidade, na Av. Ipiranga, e tem muita história para contar. Foi o ponto de encontro da elite paulistana, com seus restaurantes e cinema, até ser confiscado pelo governo, usando a Segunda Guerra Mundial como desculpa, e leiloado para “não italianos”. Entrou em decadência, foi invadido e palco de crimes de grande repercussão nos jornais de São Paulo.
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Até que, em 1975, o prefeito Olavo Setúbal pegou o edifício de volta e promoveu uma revitalização. É ali, escondidinho atrás de uma parede de pratos no primeiro andar, que rolar o bar de jazz The S., no estilão “só vai quem sabe que existe”.
Esse não é o único encanto do saudoso Martinelli. No terraço, um rooftop que originalmente abrigou a mansão de Giuseppe Martinelli, o financiador do edifício, várias festas bacanudas acontecem semanalmente, para dançar ao céu de São Paulo.
Formosa Hi-Fi

Foto: Dandara Bettino/Divulgação
Inaugurado há menos de um ano e sucesso do momento na cidade, o Formosa Hi-Fi é um listening bar com projeto sonoro de última geração. Funciona em uma antiga galeria, construída em 1938, formada por uma passagem subterrânea que ligava o antigo Shopping Light ao Theatro Municipal.
Tombado pelo patrimônio histórico municipal, o espaço ficou fechado por muito tempo, até ser encontrado e restaurado por Facundo Guerra, também responsável pelo Bar dos Arcos, além de vários outros empreendimentos em espaços históricos da cidade.



