Wagner Moura em “O Agente Secreto”. Foto: Divulgação5 filmes latino-americanos sobre ditaduras militares
Wagner Moura disse que é preciso continuar fazendo filmes sobre a Ditadura Militar no Brasil — e no restante da América Latina, não é diferente
É preciso seguir fazendo filmes para falar sobre os sombrios tempos da Ditadura Militar? Segundo Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro no último domingo, sim.

“Precisamos continuar fazendo filmes sobre a Ditadura. A Ditadura ainda é uma cicatriz aberta em nossa vida brasileira. Aconteceu há apenas 50 anos. Recentemente, tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita/fascista no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da Ditadura. Portanto, a Ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro”, disse, em entrevista aos jornalistas internacionais logo após levar o prêmio de “Melhor Ator de Drama” pelo filme O Agente Secreto, nova sensação do cinema nacional dirigida por Kleber Mendonça Filho.
Nenhuma expressão artística se presta tanto a manter viva a memória histórica (embora sempre se valendo de licenças poéticas) do que o cinema. Quantos filmes foram, são e serão lançados tendo como tema a Segunda Guerra Mundial? Inúmeros. E a América Latina anda fazendo bonito quando a missão é mostrar ao mundo que a onda de golpes militares no continente é uma ameaça que precisa seguir sendo vigiada.
Quando se fala em expor cicatrizes, nadamos de braçada. Cidade de Deus e Tropa de Elite tratam sobre a violência do crime organizado e policial. Central do Brasil, sobre as celeumas sociais brasileiras. Bacurau, sobre colonização e os últimos grandes êxitos. Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, sobre os anos de chumbo impostos aos brasileiros.

No entanto, abordar o tema e manter a vigilia sem descanso não é uma exclusividade nossa. Vários países latino-americanos vêm fazendo o mesmo com filmes indispensáveis. Hora de dar um tempo nas séries e produções estadunidenses e aproveitar o hype de O Agente Secreto para conhecer um pouco sobre os períodos mais tristes da história recente de nossos vizinhos. Que tal?
Argentina, 1985 — Argentina (2022/2023)
Dirigido por Santiago Mitre, o filme reconstitui o histórico Julgamento das Juntas, processo judicial contra os líderes da ditadura argentina que assolou o país entre 1976 e 1983. A produção venceu Globo de Ouro de “Melhor Filme em Língua Estrangeira” e recebeu indicação ao Oscar de “Melhor Filme Internacional”.
Onde assistir: Prime Video.
El Conde — Chile (2023)
Satirizando Augusto Pinochet como um vampiro imortal, El Conde espeta os anos de chumbo chilenos. A direção é de Pablo Larraín, levou o prêmio de “Melhor Roteiro” no Festival de Veneza e foi indicado ao Oscar de “Melhor Fotografia”.
Onde assistir: Prime Video, Apple TV, Google Play Filmes e YouTube.
Prisão Nos Andes (Penal Cordillera) — Chile/Brasil (2023)
O filme, que passou meio despercebido aqui no Brasil, conta sobre o tratamento de luxo que foi dado a cinco dos torturadores mais cruéis da ditadura chilena de Pinochet, em uma prisão com jeitão de resort chamada Penal Cordillera, onde os carcereiros se comportavam mais como empregados do que policiais. Concorreu a “Melhor Filme” no London Filme Festival (BFI).
Onde assistir: Prime Video, Apple TV, Google Play Filmes e YouTube.
Bajo las Banderas, el Sol — Paraguai (2025)
O documentário relembra a longa ditadura de Alfredo Stroessner no Paraguai, com imagens de arquivo e direção de Juanjo Pereira. Foi premiado no Festival de Berlim. O país também se destacou com outro doc, Guapo’y, dirigido por Sofía Paoli Thorne, homenageando Celsa Ramírez, vítima da repressão militar.
Onde assistir: MUBI.
No nos moverán — México (2024)
No Nos Moverán é inspirado nas experiências pessoais da família do diretor Pierre Sain Martin Castellanos — especialmente em sua mãe — e gira em torno de Socorro, uma advogada aposentada de 67 anos que vive marcada pela tragédia do Massacre de Tlatelolco (02 de outubro de 1968), quando forças do estado mexicano abriram fogo contra estudantes em uma manifestação, deixando centenas de mortos e feridos.



