125 anos de Buster Keaton, o comediante que nunca ria. Conheça suas obras indispensáveis

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Por Yasmine Evaristo

Se estivesse vivo, neste domingo dia 04/10, Buster Keaton, um dos mestres da comédia muda completaria 125 anos. Contemporâneo de Charles Chaplin, mas desconhecido por alguns o multiartista estadunidense influencia o cinema até os dias de hoje.

Nascido Joseph Frank Keaton, em Los Angeles, em uma família do Vaudeville, Keaton começa a vida no palco atuando ao lado de seus pais. Em seguida, inicia sua carreira no cinema. Em princípio com pontas em filmes até que, no ano de 1920, passa a dirigir seus curtas.

Cômico e competente

Suas comédias são marcadas pelo uso das gags, breves efeitos cômicos, como corridas, pancadas e quedas. Mas ainda que realizasse filmes repletos de situações engraçadas, o ator era conhecido como “o homem que nunca ri”. Buster Keaton mantinha em seu rosto uma constante expressão independente do que acontecia com seus personagens. Essa ausência de expressão permite que o espectador imprima no personagem o sentimento que ele desejar ou sentir que é conveniente a medida que assiste aos filmes.

Ainda que talentoso e com uma grande habilidade para criar belas obras o ator não teve uma carreira promissora. A transição do cinema mudo para o cinema falado o afetou profundamente. Seu contrato com a MGM, assinado na década de 1930, o manteve como assalariado. Desse modo o diretor se tornou dependente da produtora devido a cláusulas que controlavam sua criatividade e impunham a ele roteiros impostos.

Decadência e mudança de vida

Até a década de 1950 suas aparições se davam em filmes de baixo orçamento. Sua vida pessoal se encontrava em decadência devido a um divórcio e seu vício em álcool, cada vez mais evidente. Curiosamente, em 1952, Chaplin que foi considerado por anos seu rival o convida para participar de um filme. Assim, Keaton integra o elenco de Luzes da Ribalta interpretando o parceiro de Calvero, personagem de Chaplin. Após esse encontro a vida de Keaton se estabiliza. Ele volta a participar de produções no cinema e também teatro e TV. Em fevereiro de 1966, o ator falece vítima de um câncer de pulmão.

Para quem não conhece a obra de Buster Keaton, deixamos abaixo três sugestões de curtas do diretor que são facilmente encontradas na internet, pois estão em domínio público.

The Goat (1921)

Neste curta Buster Keaton representa um malandro semelhante ao vagabundo Carlitos. Seu personagem, sem querer, se deixa fotografar no lugar de um procurado da polícia. Assim começa sua jornada rumo a inúmeras confusões, pela cidade. As tais gags são usadas de maneira progressiva nos 22 minutos do curta.

Durante a perseguição que ele sofre as encrencas nas quais ele se mete são acumulativas. Se não bastasse a culpa por um crime que não cometeu ele ainda se envolve em brigas, destruição de propriedades e acidentes envolvendo terceiros.

A cena na qual ele tenta escapar sentado a frente de uma locomotiva, merece ser destacada. A máquina é mostrada ao fundo do plano e vem se aproximando da tela. Nesse meio tempo percebemos a figura do ator sentado em sua grade. Afinal, não podemos esquecer que três décadas antes desse filme ir ao ar, as pessoas estavam conhecendo o cinema pelas imagens da locomotiva dos Irmãos Lumiere.

The Garage (1920)

Este curta foi dirigido e estrelado por Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle comediante famoso dos EUA no início do século XX. Ao lado dele Buster atua como um dos funcionários de uma garagem que também é oficina mecânica e posto do corpo de bombeiros.

Este curta abusa dos efeitos cômicos das quedas e tropeços desde suas primeiras cenas. Todos os elementos possíveis são usados como escada para provocar as situações cômicas. Presenciaremos escorregões em pisos molhados ou poças de óleo e carros que se desmontam pela má montagem. Mas o que mais chama a atenção é o fato do homem sem expressão ainda não manter sua face tão impassível. Ao ser mordido por um cachorro Buster manifesta muito bem a agonia da dor.

The Boat (1921)

Buster construiu um barco e, obviamente, quer passear com ele. Por isso ele pega toda a família e embarca em uma aventura aquática. Aqui, diferente do curta sugerido anteriormente, as pancadas não atingem apenas Keaton, mas também o barco. A embarcação é afetada várias vezes por problemas técnicos, o que torna a odisseia do personagem mais engraçada.

A sensação de estar assistindo a um desenho animado é enorme. Percebemos o quanto a obra desse ator e dessa era do cinema influenciou e influencia até hoje outras produções. Ao ver a sequencia do barco girando na água em meio a tempestade é impossível não associá-la a inúmeras cenas de animações nas quais animais antropomórficos se encontram presos em algum ambiente sendo chacoalhados como em uma máquina de lavar. Principalmente porque a estratégia narrativa e visual é a de mostrar o impacto da tempestade no lado externo intercalada com no lado internos. Assim, conseguimos observar todo o alagamento do interior do barco progressivamente e as estratégias de seus habitantes para se livrarem daquele problema.

Neste curta observamos um Buster Keaton com sua impassível face sendo afetado de diversas maneiras pelos agouros da vida de um azarento.

 

 

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