Tusq: ‘É nossa responsabilidade fazer deste mundo um lugar melhor’

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Após se apresentarem como atração internacional na Virada Cultural Paulista em 2014, a banda alemã de indie rock Tusq volta ao Brasil em julho para realizar a terceira turnê pelo país, trazendo o show do álbum The Great Acceleration, lançado em 2018.

O Tusq se apresentará dia 5 de julho no Z Largo da Batata, em São Paulo, 6 no Tribos’s Bar, em Maringá, na festa Sonic Flower Club, 9 no Rising Power Estudios, em Santo André e 10 no Jokers, em Curitiba. Dia 11 o grupo será um dos headliners do festival Araraquara Rock, em Araraquara e finaliza o giro brasuca dia 12 em São Paulo, na Casa do Mancha, no evento Eu Te Amo Records Apresenta.

Cantando em inglês e com influências que vão do rock britânico ao som alternativo norte-americano das décadas de 80 e 90, o grupo foi formado em 2009 em Berlim e Hamburgo por músicos veteranos da cena musical da Alemanha. Seus integrantes também fazem parte de bandas como D-Sailors, Terrorgrupe e Schrottgrenze.

Em 2010, o Tusq lançou o primeiro álbum, Patience Camp, e o segundo, Hailuoto, chegou em 2013. Muito elogiados pela crítica musical da Europa, os discos colocaram a banda em festivais da Alemanha como Rolling Stone Weekender, Hurricane, Highfield e Area4. Também tocaram ao lado de conhecidos nomes da cena alternativa mundial como The Flaming Lips, Father John Misty, Nada Surf, The Breeders, Teenage Fanclub, Ryan Adams, New Model Army, entre outros.

No final de 2018, lançaram o terceiro álbum, The Great Acceleration, que conta com a produção de Gordon Raphael (The Strokes), mixagem de Kalle Gustafsson (The Soundtrack of Our Lives), arte de Eric Drooker (Faith No More) e participação do guitarrista brasileiro Edgard Scandurra (Ira!) na música Different Planet.

Quem gosta de artistas como Arcade Fire, R.E.M., Hüsker Dü, Wilco, Teenage Fanclub, Idlewild e afins, vai curtir o som deles. A banda é formada por Uli (vocal, teclado e sanfona), Timo (guitarra), Michael (baixo), Matthias (bateria). Leia nossa conversa com o vocalista Uli:

Os shows de vocês na Virada foram bem maneiros. Como essa fase mais rock está influenciando a performance de vocês no palco?
Uli – OTusq sempre foi uma banda de rock. Especialmente no palco é a coisa mais importante para nós fazermos um show enérgico ao vivo. É claro que em nossos discos você pode encontrar músicas mais lentas e mais atmosféricas, mas durante os nossos shows geralmente tocamos as músicas um pouco mais alto e mais rápido. As músicas do novo álbum combinam perfeitamente com as músicas dos nossos dois primeiros álbuns. Se você gostou dos shows no Virada Cultural, pode esperar a mesma energia.

Existe alguma coisa na música brasileira que influenciou você?
Uli – Duas bandas que me influenciaram fortemente são: Sepultura e Los Hermanos. Eu sou um grande fã do Chaos A.D. e do álbum Roots. Em 1996, eu os vi em Colônia e fiquei profundamente impressionado com o poder dos irmãos Cavalera.

O álbum Ventura é um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Eu lembro que eu estava no Brasil com o D-Sailors quando saiu e um amigo meu me disse, Uli, você tem que ouvir isso. E imediatamente me pegou. É como quando o Weezer se mudasse para o Brasil, eles escreveriam exatamente esse álbum. Muito bom.

Há algo na música de vocês que é típico do seu lugar de origem?
Uli – Não, nossa música não é muito especificamente alemã. Todos os caras da banda são fãs de rock e indie music de estilo britânico e americano. Nós amamos músicas de rock melódicas guiadas por guitarra. Na Alemanha, no momento, predominantemente o hip hop e a música eletrônica estão dominando, então não incluímos nada disso e especialmente nada tipicamente alemão como Schuhplattler ou Schlager. Na verdade, não somos grandes fãs da cultura tradicional alemã, pois representa o lado conservador em nosso país, que não apreciamos muito.

O que você acha que está acontecendo como interessante na música?
Uli – Para ser honesto, nos últimos anos parei para seguir as últimas tendências da música. Tantas bandas novas estão indo e vindo, muitas bandas são hypadas e depois de alguns meses desaparecem. É tão difícil seguir tudo. Nos últimos anos, tenho a tendência de descobrir bandas antigas. Por exemplo, The Replacements e Tom Petty eu nunca havia escutado antigamente, mas graças aos serviços de streaming é muito fácil descobrir antigos heróis novamente. Havia e ainda há tantas bandas ótimas que ainda podem ser descobertas e, na minha opinião, há muitas bandas mais antigas que fazem isso melhor.

Quais são suas maiores influências?
Uli – Todos nós temos uma sólida experiência em punk rock e hardcore. Nós crescemos na cena punk alemã também ouvindo bandas politizadas internacionais como Descendents ou Bad Religion. Estávamos todos organizando nossas próprias turnês e lançando nossos discos, fazendo amigos através da nossa música. Essa ética DIY ainda está na atitude do Tusq, embora a música não seja mais punk rock. Mas você pode encontrá-lo ainda nas letras porque achamos que devemos ter uma mensagem com nossas músicas, porque é nossa responsabilidade fazer deste mundo um lugar melhor.

Quais são suas principais referências estéticas fora da música?
Uli – Na verdade, somos influenciados por alguns escritores politizados, Comer Animais, de Jonathan Safran Foers, foi importante para eu me tornar um vegetariano. Noam Chomsky escreveu muitos livros e ensaios brilhantes sobre as conseqüências fatais da globalização e do capitalismo. Também amamos as artes políticas de Banksy ou o artista americano Eric Drooker que nos licenciou uma de suas obras para a capa do nosso último álbum The Great Acceleration.

Quais são seus valores fundamentais?
Uli – Acreditamos em valores democráticos como liberdade de expressão e igualdade de todos os seres humanos. Ninguém deve ser oprimido por causa de sua origem, orientação sexual ou suas crenças. Nós desprezamos os movimentos de direita e facistas que estão surgindo em todo o mundo e tentando tirar o poder das pessoas. Os fascistas estão apenas lutando por poder e dinheiro, eles não se importam com o povo ou o planeta. Seus ídolos estão dividindo a sociedade, eles constroem muros e nos causam inquietação. Precisamos de mais solidariedade, precisamos nos opor a isso. Cabe a nós falarmos e fazer a diferença.

SERVIÇO

5/7 – Z Carniceria – São Paulo/SP
6/7 – Tribo’s Bar – Maringá/PR
9/7 – Rising Power Estúdios – Santo André/SP
10/7 – Jokers – Curitiba/PR
11/7 – Araraquara Rock Festival – Araraquara/SP
12/7 – Casa do Mancha – São Paulo/SP

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