Mulheres na música

Transmitter: Wendy Carlos e sua resistência à era digital, a magia da música no cérebro e a era das lives e videogame

Lalai Persson
Por Lalai Persson

Wendy Carlos recentemente ganhou a mídia por conta da publicação de uma biografia sua não autorizada escrita por Amanda Sewell (e também porque finalmente estão colocando os holofotes em mulheres na música e as  pioneiras na eletrônica).

Mulheres na música

Depois de onze anos em silêncio, ela ressurgiu com uma nota em seu site alegando que ninguém a entrevistou e que a história contada não condizia com a sua. Carlos está com 80 anos, é a pioneira no uso de sintetizadores, foi quem plugou Bach nas máquinas, além de ter assinado trilhas sonoras de filmes como Laranja MecânicaO Iluminado e Tron (1982). Antes dos álbuns Zeit (1972), de Tangerine Dream, e Discreet Music (1976), de Brian Eno (1976), serem lançados marcando o início da música ambiente, Wendy Carlos lançou (ainda sob o nome Walter Carlos) Sonic Seasonings em 1972, que a coloca como pioneira no estilo. Esse artigo do Guardian traça um belo perfil de Carlos e nos deixa com uma boa questão sobre como uma mulher pioneira da tecnologia tem resistido bravamente à era digital. Importante registro das mulheres na música.

Mulheres na Música

Wendy Carlos – foto: divulgação

A música é milagreira e mágica mesmo. A maioria de vocês deve ter visto o vídeo dessa bailarina com Alzheimer reagindo ao tema de Cisne Negro. Marta, a senhora em questão, faleceu em 2019 e o vídeo viralizou após ter sido publicado pela organização “Música para Despertar”. De acordo com Grace Meadowns, do Music for Dementia“a memória auditiva pode ser a última coisa que nos deixa porque é uma das primeiras coisas que desenvolvemos, por volta de 18 semanas no útero.” Além de liberar dopamina e nos deixar felizes, a música é uma das poucas armas para lidar com o avanço do Alzheimer e tem sido elemento fundamental para lidar com o confinamentoPara quem se interessar pelo assunto, eu recomendo o livro “Alucinações Musicais”, de Oliver Sacks, que estou devorando por aqui.

Eu não conhecia a Malía, de quem primeiro me apaixonei pela sua entrevista e depois pela sua música. A cantora pop tem 21 anos, nasceu na Cidade de Deus, tem bastante coisa para falar e “quer voar alto, mas se preocupa em saber sempre onde está o chão.” Sua fala sobre racismo e empoderamento foi cirúrgica e me trouxe reflexões: “Esse lance todo de empoderamento acho um pouco cansativo. Não gosto dessa palavra ‘empoderar’, que significa dar poder. Eu acho isso um pouco papo de colonizador. ‘Sua música empodera’. Minha música não empodera. Quem sou eu para dar poder às pessoas? Minha música conscientiza as pessoas de que o poder está com elas e existem ferramentas.”

Quem me emocionou também com a entrevista que deu foi a Ludmilla que nasceu na Baixada Fluminense, se inspirou em Beyoncé e Rihanna para chegar onde chegou, foi a primeira cantora negra da América Latina a alcançar a marca de 1 bilhão de streams só no Spotify e está conquistando o mundo. Voa, Ludmilla!

A grande live sensação de 2020 foi o Travis Scott no Fortnite que eu e todo mundo já falou exaustivamente a respeito. Até então ninguém tinha chegado perto até o Lil Nas estrear no game Roblox. Foram 4 shows num final de semana que reuniu 33 milhões de visualizações (Scott teve 45,8 milhões em 5 shows). Esse foi, assim como o de Travis Scott, um dos shows que explorou todas as possibilidades no universo dos games. Um dos pontos interessantes é que a cada música, os jogadores eram transportados para um ambiente totalmente diferente, todos claro em cenário faroeste. Para ter um gostinho de como foi, eu recomendo esse vídeo.

Incrível esse vídeo infinito da Billie Eilish criado após “bad guy” ter 1 bilhão de visualizações. O vídeo começa com o clipe original e vai trazendo os quinze mil covers feitos por fãs. Sempre que você entrar você terá uma nova edição.

O Brooklyn Vegan selecionou 25 filmes e/ou documentários sobre música para assistir na HBO, mas para quem não tem o canal, deixo um pequeno tesouro escondido no Youtube com os melhores documentários de música eletrônica.

O texto é de 2015, mas continua atualíssimo esse perfil sobre a vida de Grace Jones, uma das artistas mais transgressoras dos anos 1980.

Mulheres na Música

Grace Jones – foto: divulgação

Não deu tempo de ler ainda mas já sei que vale a pena esses três artigos sobre música que parecem bem interessantes: Um artigo trazendo otimismo para a cena da música eletrônica; outro analisando se a vacina do coronavírus salvará a indústria da música ao vivo e por fim, uma análise sobre o Glitchcore, se é uma estética TikTok, um novo micro gênero ou apenas uma nova interação da arte Glitch?

A fofura do dia é o encontro da Nandi Bushell com seu ídolo Dave Grohl.

*Essa lista de leituras faz parte da minha newsletter semanal Espiral que você pode assinar aqui.

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