‘Todo mundo sabe ser triste, mesmo nas melhores condições’, diz Salma Jô, da Carne Doce

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Um ano após o lançamento de Tônus, a Carne Doce vai a Portugal. Criada e estabelecida em Goiânia, ela se tornou uma dos bandas mais relevantes da cena nacional. Comida Amarga virou um hino do Cerrado. Mas eles ainda estão buscando abrir portas. A turnê em Portugal, em outubro, será a primeira vez da banda no exterior. Lisboa, Porto e outras cidades ainda a serem anunciadas estão no roteiro.

A Carne Doce é formada por Aderson Maia (baixo), João Victor Santana (guitarra), Macloys Aquino (guitarra) e Salma Jô (voz). Leia entrevista com o furacão Salma, em que ela fala sobre Goiânia, Elis Regina e a turnê de estreia fora do país:

O momento político favorece à música triste?
 Salma Jô – Acho que qualquer momento favorece a música triste, todo mundo sabe ser triste, mesmo nas melhores condições.

O que está rolando de mais interessante na música hoje, na sua opinião?
Salma – A decadência do rock, talvez. Talvez não surja nada daí ou talvez surja uma nova linguagem, acho que essa crise é interessante.

Salma Jô em foto de Filipa Aurélio

Existe algo na sua música que seja típico de Goiânia?
Salma – Também me pergunto isso, não tenho certeza, às vezes, penso que peguei alguma coisa do sertanejo romântico, algo brega e meloso nas melodias, da dor de cotovelo. A minha ideia de show e performance de rock, explosivo, dramático, quase teatral, é uma coisa da cena de Goiânia, que tinha bandas bem rockeiras, de metal e stoner, e eu não gosto nem de metal nem de stoner, mas gosto da energia, do vigor da performance nesses estilos, aprendi a valorizar isso. Mas talvez o que mais seja típico é uma perspectiva de ser do interior, de saber-se sempre em segundo lugar, marginal.

Qual a principal mensagem que procura passar com sua música?
Salma – Não procuro passar mensagens, mas emoções. Se estivesse passando mensagens seriam: estou depressiva, sou ansiosa, sou complexada, estou com raiva, estou apaixonada, estou ressentida…

Quais são suas maiores influências?
Salma – A verdade é que não tenho certeza disso. Talvez sejam na verdade o rádio e a TV, música pop e mainstream. Mas eu ainda tenho um modelo ideal de canção que aprendi da MPB em geral, e um modelo ideal de interpretação e afinação que seria Elis Regina e todas outras as grandes cantoras da MPB. É bem clichê assim.

Macloys Aquino (guitarra) e Salma Jô (voz), da banda goiana Carne Doce, em foto de Filipa Aurélio

Quais são seus valores essenciais?
Salma – Educação, amor e trabalho? (Risos) Não sei.

O que tem te deixado animada?
Salma – A nossa turnê para Portugal. Estou curiosa para saber como nossa música será absorvida pelo público lá. E também para saber como essa experiência de tocar no estrangeiro, para pessoas estrangeiras, vai me impactar, se isso mudará nossa perspectiva.

 

 

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