
Quando as Supremes desafiaram Beatles e Stones no topo das paradas
Há 60 anos, trio de ouro da Motown emplacava um feito inédito: um quarto hit consecutivo no primeiro lugar da Billboard
No inverno de 1965, Florence Ballard, Diana Ross e Mary Wilson chegavam ao estúdio Hitsville, em Detroit, para mais um dia de trabalho. As salas pertenciam à Motown, gravadora das Supremes, o grupo vocal formado pelas três amigas (e em alguns momentos, não tão amigas assim) — uma gravadora que, naquela década, ditava os rumos da black music nos Estados Unidos e no mundo.

As minas tinham a cocada nas mãos. As Supremes haviam emplacado nada menos do que três singles consecutivos em primeiro lugar no ranking da Billboard: Where Did Our Love Go, em agosto de 64, Baby Love (outubro do mesmo ano) e Come See About Me, que virou o ano em primeiro lugar e ainda ostentava a medalha de ouro na música estadunidense naquele dia de trabalho “comum”. Pense em um grupo na crista da onda.
Apesar de estarem enchendo-se de louros, e a conta bancária de Berry Gordy, chefão da Motown, havia ali um ambiente de pressão, de não deixar a peteca cair. Afinal, se em menos de um ano as meninas meteram três golaços, o que custa já emendar com um quarto? Para isso, Diana Ross e sua turma foram apresentadas a uma nova canção composta pelos hitmakers parceiros Lamont Dozier, Brian Holland, e Eddie Holland.
Dozier teve a ideia de fazer uma brincadeira com o jargão policial “pare! Em nome da lei” para dar título e refrão a uma canção em que uma garota dava um basta em seu namorado putanheiro. Stop! In the Name of Love começava a ser gravado pelas meninas para, dois meses depois, exatamente no dia 27 de março de 1965, se tornar o quarto hit número 1 consecutivo das Supremes, um feito inédito na indústria musical de seu país.
Criado em 1959 (originalmente com o nome de Primettes, e depois The Supremes), o trio feminino de ouro da Motown se manteve na ativa até 1977, com diversas mudanças na formação, já que era, na verdade, um “propriedade” da gravadora. Até o final de sua carreira, emplacou nada menos do que 12 músicas no topo do ranking, se tornando o grupo de música negra mais bem-sucedido da década de 60. Diana Ross saiu para se lançar em carreira solo em 1970, após um show de despedida em Las Vegas.
Quatro medalhas de ouro sem sair do topo foi um recorde impressionante para uma época em que o mercado de discos estava no auge de sua temperatura, com artistas gigantescos, entre eles Beatles e Rolling Stones, disputando pelo maior sucesso da semana. E as Supremes? Ainda tiveram a manha de emendar um quinto hit número 1 consecutivo: Back in My Arms Again, em junho de 1965. Supremacia!