Stranger Things Imagem: Reprodução/Netflix

“Stranger Things”: 5 curiosidades sobre o som da bombada série

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Do recrutamento aos músicos da banda SURVIVE aos sintetizadores usados, a trilha sonora do hit da Netflix é um dos segredos do seu sucesso

Graças à estreia de sua quinta e última temporada, Stranger Things está na boca do povo. A jornada final de Eleven, Mike, Dustin, Lucas e Will está batendo recordes de audiência e causando um fato curioso: quem deixou pra lá na época de seu lançamento na Netflix, em 2016, resolveu começar a assistir.

A série causou furor ao resgatar tudo o que deu certo nos anos 80: principalmente os filmes Goonies, E.T. e Conta Comigo. Uniu jovens ávidos por bons roteiros com quem viveu aquela época na infância e que encontrou uma lagoa de memória afetiva. Ambientada na referida década, não faltam em seus episódios brinquedos antigos, roupas daquela moda e músicas como Running Up That Hill (Kate Bush), Africa (Toto) e Time After Time (Cyndi Lauper).

Outro elemento também chamou muita atenção desde os primeiros segundos do episódio de estreia. A incrível música tema, composta por Michael Stein e Kyle Dixon, recheada de sintetizadores oitentões repaginados, foi um tapa na cara (positivo) em quem é fã do gênero.

E mudou muita coisa. Resgatou todo um gênero musical em um momento em que os sons digitais estavam na crista da onda. Uma aposta no vintage e em toda a riqueza dos bons e velhos sintetizadores analógicos.

Confira abaixo cinco curiosidades sobre a trilha sonora de Stranger Things!

Um negócio entre amigos

Apesar da grandeza do orçamento inicial de Stranger Things, a escolha da trilha sonora rolou muito mais na base do Q.I. (Quem Indica) do que a busca de um grande produtor escolado em Hollywood. Quando ganharam o contrato para produzir a série que criaram, os Irmãos Duffer trouxeram imediatamente os integrantes de uma banda desconhecida que amavam, chamada SURVIVE. Um detalhe: antes mesmo da série começar a ser escrita, os dois já haviam combinado que entregariam a tarefa a Stein e Dixon, e chegaram a usar as músicas do grupo nas primeiras apresentações do projeto que fizeram à Netflix.

Opa, esse som é legal!

O icônico arpeggio que se tornou a marca da abertura da série surgiu meio que por acidente. Stein e Dixon estavam, na verdade, testando um novo brinquedo, o teclado analógico Prophet 5. Enquanto testavam o sintetizador para entender quais sons poderiam ser usados em uma futura composição, se depararam com aquele som e pensaram: “opa! Isso aqui pode dar bom! Grava!”.

A lista dourada

Se você gosta de produzir música e é louco por sons de sintetizadores, segue a lista com todos os teclados que foram usados na produção da trilha de Stranger Things, todos produzidos na década de 80: além do já citado Prophet 5, a dupla de produtores ainda usou o ARP Odyssey, o Roland SH-2 e o Korg Mono/Poly. Curiosamente, outros sintetizadores ainda mais famosos no synth-pop da época, como o Juno 6, o Yamaha DX7 e o Moog, ficaram de fora.

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Som de videogame? Pode também!

Para criar os sons esquisitos do mundo invertido, a equipe de produção ligou videogames antigos, gravou alguns de seus timbres e os transformou em efeitos sonoros. Classicões da geração 80, como os consoles Atari 2600, Commodore 64 e os arcades, as famosas máquinas que jogávamos com ficha nas casas de fliperama, contribuíram para dar vida ao universo da série.

O resgate de todo um cenário musical

A febre Stranger Things foi responsável por trazer à tona gêneros musicais que estavam estacionados no mundo underground, como synthwave, dark wave e retrowave. Todos, claro, chapados em sons de sintetizadores e sonoridades oitentonas. Produtores até então desconhecidos ganharam um gás em sua popularidade, como Carpenter Brut, Kavinsky, Perturbator e a própria banda SURVIVE.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.