Enola Holmes. Indicamos cinco filmes para conhecer as várias faces do detetive Sherlock Holmes no cinema e na tv.

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Por Yasmine Evaristo

Netflix estréia hoje o filme Enola Holmes, com destaque para a ex Stranger Things Millie Bobby Brown. Conheça tudo sobre o apaixonante personagem Sherlock Holmes e os melhores filmes para entender sua história.

Nascido há 133 anos pelas mãos e mente de Sir Arthur Conan Doyle, o detetive britânico Sherlock Holmes encanta e influencia a cultura desde seus primeiros anos de vida. Esse personagem que reside no número 221B da Rua Baker, em Londres, apareceu pela primeira vez na revista Beeton’s Christimas Anual na história intitulada Um Estudo em Vermelho. Suas narrativas, com exceção de uma, acontecem nas eras vitorianas ou eduardianas, entre os anos de 1880 e 1914.

Se tornando muito popular ao longo dos anos, o detetive influenciou a cultura como um todo, servindo de inspiração para personagens e releituras de suas histórias. Sherlock chegou a ser citado no Guiness Book como o personagem mais retratado em filmes na história. Desde que surgiu pelas mãos de seu criador, apareceu em 4 romances e 56 contos de 1887 à 1927. 

Posteriormente, foi ressuscitado na literatura, no teatro e no cinema. Desde obras que contavam desde a suposta infância de Holmes, até sua suposta vida pós-aposentadoria. 

A primeira aparição do detetive em um longa-metragem foi em um filme mudo homônimo de 1922 estrelado por John Barrymore e adaptado da peça de William Gillette, baseada nas obras de Doyle. Com o passar dos anos, vimos o controverso anti-herói ser interpretado no cinema por grandes nomes como Basil Rathbone (considerado por muitos fãs como seu melhor intérprete), Peter Cushing e Ian McKellen.

Dono de uma personalidade forte, Sherlock é considerado um gênio da lógica dedutiva e profundo dominador do método científico. Suas práticas exóticas, o vício em ópio e tabaco, seu vestuário e até mesmo sua dificuldade de interagir com outras pessoas, são amplamente discutidas e abordadas em todas as suas aparições. Seus métodos de investigação podem ser encontrados em tantos lugares de tal maneira que talvez passem batidos à nossa percepção. Por exemplo, os traços de Holmes são facilmente encontrados em animações como  Scooby-Doo, da mesma forma que em séries como  The Mentalist. Em ambos os casos, o método de dedução e até mesmo as estruturas narrativas do desenrolar da trama são semelhantes. 

Sua aparição mais recente é em Enola Holmes, filme da Netflix que estreia hoje, dia 23. Desta vez, quem dará vida ao detetive mais famoso do mundo será o ator britânico Henry Cavill. No entanto, a história girará em torno das aventuras da caçula da família, interpretada por Millie Bobby Brown, tentando desvendar os mistérios que envolvem o desaparecimento de sua mãe. 

Para saber mais sobre o herói e aquecer a mente, separamos para vocês uma lista cronológica com cinco importantes aparições de Holmes no cinema e na TV. 

Elementar, meu caro leitor. 

O Cão dos Baskervilles  

Nessa produção lançada em 1959 e produzida pela Hammer (companhia cinematográfica britânica especializada em filmes de terror), Sherlock Holmes e seu amigo Dr. Watson viajam para o interior da Inglaterra para desvendar a morte do herdeiro da família Baskervilles. Seu roteiro foi adaptado para o cinema do romance de mesmo nome que possui versões de 1921 e 1939.

Peter Cushing em O Cão dos Baskervilles 1959

Certamente essa produção é uma das mais reconhecidas e elogiadas, sendo considerada um dos melhores filmes realizados pela produtora. O protagonista ganha vida no corpo de Peter Cushing, ator conhecido por estar em diversas produções da empresa. Também temos em cena um jovem Christopher Lee (o Saruman de Senhor dos Anéis) dando vida a Sir Henry Baskerville. 

Inegavelmente, Cushing entrega um Sherlock muito centrado nas investigações. Essa versão é mais fiel às práticas dedutivas do detetive, incluindo o visual completo com casaco, chapéu e cachimbo. 

O Enigma da Pirâmide 

Nesta aventura de 1985, o foco é na juventude de Holmes, dessa vez interpretado por Nicolas Rowe. O rapaz se muda para Londres e precisa se adaptar à vida na cidade e à nova escola. É no colégio que ele vai encontrar seu amigo e parceiro de longa data Watson (Alan Cox) e onde eles viverão sua primeira aventura. O filme acompanha a perseguição a um assassino que usa dardos alucinógenos para induzir pessoas à morte e um culto de sacrifícios humanos. 

Com o propósito de pensar como teria sido a infância de um adolescente dotado de tantos talentos, o roteiro de Chris Columbus transforma um mistério de assassinatos misteriosos em uma aventura infanto-juvenil. 

Nicholas Rowe em O Enigma da Pirâmide

Mesmo que os personagens sejam muito jovens, já percebemos alguns traços de personalidade como a perspicácia de Holmes e a habilidade de Watson em tirar seu amigo de enrascadas. Produzido por Steven Spielberg, é uma deliciosa aventura que remete a sucessos da época como Os Goonies e E.T.: O Extraterrestre. Sem dúvida, esse filme marcou a infância de boa parte das pessoas que assistiam às sessões de cinema da TV aberta. 

O Xangô de Baker Street

Se havia alguma dúvida de que existiria alguma produção nacional influenciada pela obra de Sir Arthur Conan Doyle, a resposta é sim. Em 2001, o livro homônimo de Jô Soares foi adaptado para o cinema com direção de Miguel Faria Jr

Joaquim de Almeida em O Xangô de Baker Street

No ano de 1886, a cantora Sarah Bernhardt está em turnê pelo Rio de Janeiro, porém, segue atormentada pelo roubo de um violino Stradivarius. Com o intuito de ajudar na recuperação da peça, ela sugere a contratação de seu amigo Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida), que vem para a Cidade Maravilhosa e precisa lidar com um assassino em série. 

A obra insere o personagem em um clima tropical e em um espaço repleto de estereótipos da população brasileira.  

Sherlock Holmes

Em 2009, o diretor Guy Ritchie comandou essa releitura das aventuras de Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e Watson (Jude Law). Mesclando aspectos dos romances e contos de Doyle com a ambientação de seus filmes, o diretor abusa das cenas de ação e pancadaria. Os investigadores tentam desvendar um mistério que envolve ocultismo e assassinatos. 

Além de evidenciar os problemas de relacionamento de Sherlock (tanto amorosos quanto sua dependência afetiva do amigo), o filme mostra uma face narcisista e decadente do detetive. Downey Jr. parece um Tony Stark vitoriano. Ele está vivendo uma grande crise existencial diante do casamento do melhor amigo e do aparecimento de uma antiga amante. 

Robert Downey Jr. em Sherlock Holmes

Nesse sentido, o longa pode abusar do comportamento agressivo e brigão do personagem, que se assemelha a tantos outros presentes na filmografia de Ritchie. Os ambientes frequentados pelo inglês do século XIX são idênticos ao submundo de Snatch – Porcos e Diamantes ou Rock’n’Rolla – A Grande Roubada, entre outros.  

Para ambientar o longa na era vitoriana, seu diretor relaciona a imagem do vilão Lord Blackwood (Mark Strong) ao conde Drácula através de seu penteado, do uso de capa ou sobretudo com a gola levantada, e até mesmo de um dente pontiagudo. Essas escolhas visuais criam uma imagem de dúvida sobre o quanto aquele mistério poderá ser resolvido pela lógica de Holmes. 

Elementary

Na série criada por Robert Doherty e lançada em 2012, nosso detetive é deslocado de Londres e passa a morar em Nova York no tempo presente. No episódio piloto já descobrimos que Sherlock (Jonny Lee Miller) acabou de sair de uma clínica de reabilitação. Com o fim de mantê-lo na linha, seu pai contrata uma acompanhante, a Dra. Joan Watson (Lucy Liu). 

Assim como em outras adaptações, Holmes trabalha como consultor da polícia desvendando casos misteriosos que são interessantes e ativam sua mente inquieta. Nessa série, temos a mudança de gênero de dois personagens. Além de Watson, o arqui-inimigo de Sherlock, Moriarty, também é uma mulher, sendo interpretada por Natalie Dormer

Jonny Lee Miller em Elementary

No mesmo período, a BBC estava produzindo uma outra série envolvendo o mesmo personagem, também passada no período contemporâneo, porém, em Londres. No elenco, temos as performances de Bendict Cumberbatch, como Sherlock Holmes, e Martin Freeman, como Dr. John H. Watson, em episódios com duração de cerca de 1h30. Sucesso absoluto, gerou o incômodo de que a versão estadunidense poderia ser plágio. Ao assistir e comparar ambas produções percebemos que não há essa possibilidade. 

A série produzida nos Estados Unidos contou com sete temporadas exibidas pelo canal CBS e explorou os medos, vícios e problemas de Holmes, mostrando o quão complexa é a mente do “herói”. 

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