Sexta houseira em SP tem festa de 15 anos da Colors no Mirante e Mark Farina no Pan Am. Entrevistamos o rei branco de Chicago

Claudia Assef
Por Claudia Assef

São Paulo tem uma das noites mais ecléticas do mundo, mas nesta sexta (7) dá pra dizer que a house vai ser rainha em duas festas bem legais. A primeira dica nem é à noite, trata-se do já tradicional Happy Hour Music Non Stop no Mirante 9 de Julho, que desta vez apresenta a festa 15 Anos de Colors.

Pois é, já faz 15 anos que os irmão Jota Wagner e Captain Wander começaram a fazer uma baguncinha que começou pequena e depois virou uma febre. O projeto dedicado à “house music em geral” carrega na mochila vinis, CDs e EPs digitais lançados, turnês europeias, performances de norte a sul do país e uma coleção de momentos inesquecíveis na pista de dança.

Los hermanos da house Jota Wagner e Captain Wander

A Colors viveu seu auge em dois endereços no centro da cidade: o edifício Copan e o segundo andar do Bar Bhrama (lembro de uma noitada com Nego Moçambique no som, noite épica). Depois rodou a cidade com produções itinerantes e por três anos fincou bandeira no seminal Vegas Club, na Augusta.

Atualmente, a festa se desdobrou em projeto de produção musical e apresentações com o nome de
Colors Sound System. No som, esta que vos redige abre os trabalhos e depois passa o manche para a dupla dinâmica da Colors. Aos interessados, venderemos camisetas do Music Non Stop por um preço promocional (R$ 35) durante a festa. Ajude um site independente a trocar sua coleção de t-shirts!

FARINA JÁ FOI DJ MOISÉS

Para nossa sorte, Mark Farina é um dos DJs de Chicago que mais estiveram no Brasil. Ao longo de sua carreira, foram inúmeras festas e festivais Brasil afora. Farina sempre traz surpresas na manga, além de ter um jeito único de mixar, preciso como um cirurgião, mas com cara de quem não tá nem aí.

Mark Farina em foto promocional do Mushroom Jazz volume 7

Lembro de ter visto Farina num longínquo Skol Beats (em 2003), no Vegas, no D-Edge. Sempre tocando o som pelo qual é mais conhecido, house music. Nesta sexta (7), porém, ele vai apresentar pela primeira vez no país um set do seu projeto Mushroom Jazz, uma série de sets que apresentam outras paixões de Farina mixadas: downtempo, hip hop, jazz e sons quebrados. A noite Turbulência # 10 Apresenta Mushroom Jazz com Mark Farina ainda tem outros dois monstros fazendo sets na mesma linha, Mau Mau e Tamempi. Promete.

A série Mushroom Jazz está comemorando 25 anos, já que o primeiro Mushroom Jazz saiu em 1992 no formato fita cassete. O primeiro CD/vinil saiu em 1996 e de lá pra cá foram oito volumes da série. O mais recente, lançado em 2016, resume sua pesquisa musical recente em 23 faixas mixadas num set de pouco menos de uma hora. Ouça aí embaixo, depois parta para a entrevista com o mestre.

Mushroom Jazz vol. 8

Music Non Stop – Mark, você tem vindo ao Brasil há um pouco, o que tem visto de mudanças na cena?

Mark Farina – Desde a minha primeira visita, em 1996, a música eletrônica cresceu imensamente no Brasil. Lembro nessa época de ouvir comentários de outros DJs sobre o quão difícil era conseguir vinis de techno e house no Brasil. Até dava pra encomendar, mas daí tinha umas taxas surreais, então era muito caro ter discos. Com o avanço da música digital, o campo de batalha foi nivelado e isso permitiu acesso para novos DJs a ferramentas e materiais que eles precisavam para se aprimorar. Agora o Brasil tem uma cena própria de música eletrônica que está cada vez mais florescendo e se expandido em diversos gêneros.

Music Non Stop – Parece que a house virou moda entre os DJs de EDM, que escolheram o gênero pra ter um lado mais malvado e underground. O que você acha disso?

Mark Farina – Por mim, tudo bem. Acho bom pra galera mais novinha ter acesso à house music de verdade dentro de uma atmosfera de “festa” que eles sabem propiciar.

Music Non Stop –  Cita três faixas que você sempre leva como coringa na sua bagagem, por favor.

Mark Farina – Sempre tenho no meu pen-drive algumas clássicas de chicago house como No Way Back do Adonis, House Nation do Rude Boy of House e Move Your Body do Marshall Jefferson. Também é sempre bom uma ou outra do James Brown e alguma coisa do A Tribe Called Quest.

No Way Back – Adonis

Music Non Stop – Você acha que a igualdade entre homens e mulheres na música eletrônica está muito longe de ser uma realidade?

Mark Farina – Sempre houve DJs mulheres de muita qualidade desde que eu comecei a tocar, felizmente. Quando comecei em Chicago tinha a Teri Bristol e a Psychobitch que estavam oscilando entre industrial e house. Verdade que a proporção de homens e mulheres DJs ainda é desigual, mas o número aumento. Sou muito fã da DJ Heather, está entre meus DJs prediletos, sem ligar pra gênero.

Veja DJ Heather no Boiler Room

Music Non Stop – Com quais artistas gostaria de fazer uma colaboração?

Mark Farina – Jamiroquai, Q-tip ou Sting.

Music Non Stop – Qual é a sua lembrança mais remota do Brasil?

Mark Farina – Esvaziar a pista de dança em Juiz de Fora, em 1996. Meus amigos botaram de volta o DJ residente, porque as pessoas gostavam de músicas pra cantar junto, e eu não tinha nenhuma.

Music Non Stop – Qual é o segredo para achar a track certa durante as compras música (online ou numa loja)?

Mark Farina – Não tem um jeito certo, mas um DJ tem que comprar sempre e ousar. Enfie a mão na massa!

HAPPY HOUR MUSIC NON STOP 15 ANOS DE COLORS
Mirante 9 de Julho
Rua Carlos Comenale, sem número
Sexta, 7, das 18h às 22h
Line-up: Claudia Assef, Jota Wagner e Captain Wander
Preço: grátis

TURBULÊNCIA # 10 APRESENTA MUSHROOM JAZZ COM MARK FARINA
Pan Am
Alameda Campinas, 150, Cerqueira César
Sexta, 7, a partir das 23h59
Line-up: Mau Mau, Tamempi e Mark Farina
Preço: R$ 40

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