‘Se temos uma cena pulsante, se deve ao underground’, diz Rafael Moraes

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Músico, DJ e produtor musical, Rafael Moraes tem como marca a familiaridade com diversos ritmos e gêneros, que pode ser percebida em seus sets e produções refinados. Versatilidade que permite que transite com habilidade em clubes no mundo todo.

Residente do D-Edge durante oito anos, da festa Soul.Set, fundador da Sunday Sessions e artista da Yoruba Records, consegue agradar aos mais diversos públicos com seu vasto conhecimento de jazz, soul, disco, latin, afro, house e eletrônica. É presença constante em festivais importantes como Miami Winter Music Conference em Miami, Amsterdam Dance Event, Mi Casa Holiday em Playa del Carmen/México, SuncéBeat na Croácia e NuBlu Jazz Festival.

 

Em estúdio já trabalhou com artistas reconhecidos internacionalmente como Ron Trent, DJ Spinna, Osunlade, Karizma e outros grandes nomes da house music, além de ser um dos integrantes do coletivo Nomumbah ao lado de Ale Reis e André Torquato.

Sua música já foi lançada por importantes selos da musica eletrônica como Defected, Rebirth, Yoruba, Strictly Rhythm, Sonar Kollectiv, King Street, Get Physical, Mo’Black entre outros.

Comandou durante seis anos na rádio Eldorado FM de São Paulo o programa Beats Eldorado, uma referência pelo pioneirismo em sua mistura de diversos gêneros eletrônicos e pelas entrevistas com grandes nomes internacionais.

Hoje, mensalmente comanda o programa Sabroso, focado em ritmos afro-latinos no portal Alataj e o Nomumbah Radio Show no site My House Radio, de Nova York.

É curador da seção eletrônica da loja Patuá Discos, especializada em vinil. Leia nossa entrevista com o DJ e produtor de São Paulo que conquistou seu espaço na cena mundial:

De onde vem o seu som?
Rafael Moraes – Musicalmente é um caldeirão onde misturo minhas visões de música brasileira, afro, latin, jazz, soul, disco, reggae e eletrônica. Basicamente, é a trilha sonora do dia-a-dia, fruto das experiências que tive na vida.

Fale um pouco sobre o festival da Yoruba que você vai tocar e como o reconhecimento deles impulsiona sua carreira?
Rafael – É uma celebração de 20 anos de existência da Yoruba Records. Há anos a Yoruba promove uma reunião de artistas e agregados do selo durante o verão pela Europa. Esse ano será realizado na Croácia, em parceria ao Vortex Club, que era oficialmente o after do SuncéBeat, festival que tocamos 2 anos atrás. O club cresceu, e tem uma curadoria musical como sua marca registrada. Além de artistas do selo, nomes mais conhecidos no circuito como Karizma, Boddhi Satva e Djeff farão parte do encontro.

O meu primeiro contato com a Yoruba Records, e com Osunlade, aconteceu há 15 anos. Foi ele quem acreditou no Nomumbah, o primeiro projeto de música eletrônica que tive com Ale Reis e André Torquato, e foi ele quem me ensinou sobre a indústria da Dance Music. Tanto a cena quanto a minha carreira mudaram muito desde então, os ensinamentos sobre ser verdadeiro, cercar-se das pessoas que te inspiram e que acreditam em você, seguem comigo. A Yoruba além de um selo que me apoia, ajuda também a abrir portas, a desenvolver um trabalho internacional e a desenvolver habilidades técnicas de estúdio.

Rafael Moraes

Qual papel desempenhado pelo underground brasileiro na sua opinião?
Rafael – Acho que hoje, se temos uma cena pulsante, se deve ao underground, a festas como Capslock, Mamba Negra, ODD, Selvagem, Folklore, Soul.Set, Eko, que impulsionaram São Paulo num momento de escassez de clubes e transformaram essa cidade novamente. Hoje labels internacionais chegam aqui e tem garantia de lotação, festas como Gop Tun e Mareh trazem um público eclético, porém mantendo o som underground.

Existe algo na sua música que seja típico de seu lugar de origem?
Rafael – Minha concepção musical tem muito a ver com a construção melódica e harmônica brasileira, pois MPB sempre tocou aos montes no meu toca-discos… para quem escuta e é de fora do país, o comentário é que a parte rítmica também. Para mim sempre foi mais afro, como sou formado em percussão, a fonte é a mesma, e até acho bom ter essa diferenciação.

Quais são suas principais referências estéticas fora da música?
Rafael – Arte, moda, arquitetura, literatura, cinema e fotografia com certeza fazem parte do meu universo. Tenho mãe arquiteta, pai jornalista, paredes de discos e livros herdados e regularmente aumentados. Referências como Bauhaus, Picasso, Paul Klee, Pierre Verger, Calder, Glauber Rocha se misturavam no dia-a-dia da minha formação. Para mim, se alimentar de informação é tão importante quanto comer.

Quais são suas maiores influências?
Rafael – Musicalmente? Com certeza, artistas negros que utilizaram a música como forma de protesto contra a sociedade: Miles Davis, John Coltrane, Gil-Scott Heron, Stevie Wonder, Marvin Gaye… A lista é grande.

Quais são seus valores essenciais?
Rafael – Buscar equilibrar minha vida material com a espiritual. Se dedicar de corpo e alma sempre, `a partir do momento que escolheu fazer algo. Ser verdadeiro. Praticar o amor. Não fazer com o outro o que não faria comigo mesmo. Nunca desistir e aprender com os próprios erros.

Quais são suas próximas jogadas?
Rafael – Nesse exato momento, estou indo viajar pro festival e depois toco em algumas datas na Grécia.Também possivelmente Argentina em Junho. O Nomumbah Radio Show, meu programa mensal de House Music on-line também volta ao ar nesse mês pela My House Radio de Nova Iorque. O mais importante é que acabei de terminar meu disco solo. Toquei e mixei tudo, com exceção da mixagem analógica, para masterização, feita por Ale Reis. Artistas que considero amigos, antes de tudo, participam do álbum, os cantores foram Nadirah Shakoor, Aroop Roy, Capitol A, Oveous, os instrumentistas l_cio, Raul Mascarenhas, Vitor Lopes. Duas faixas estão ainda em aberto, uma esperando a gravação de piano, e a outra de vocais de artistas brasileiras. Não dá pra lançar um disco e não incluir minha língua, né?

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