Rita Lee enrolada em uma toalha de mesa? Essa e outras curiosidades só no livro Discobiografia Mutante

Claudia Assef
Por Claudia Assef

POR ALESSANDRA DE PAULA

Este é o ano em que o primeiro álbum dos Mutantes se torna cinquentão. Pensando nisso, a jornalista e pesquisadora Chris Fuscaldo lançou uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a publicação do livro Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira, no qual contará a história por trás de todos os discos da banda de Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee.

Chris começou a pesquisa e a escrita quando ainda estava na faculdade de jornalismo e chegou a defender uma monografia sobre o tema. O projeto ficou anos de lado enquanto ela se dedicava a outros trabalhos, entre eles o livro Discobiografia Legionária, que já vendeu 10 mil cópias, em que conta a história dos álbuns da Legião Urbana.

“Fiquei animada com o sucesso do Discobiografia Legionária e achei que era hora de contar também a história dos álbuns desta que considero a melhor banda de rock do Brasil. A ideia é, além de falar sobre os álbuns dos Mutantes, trazer também os discos de seus integrantes gravados na época em que eles ainda estavam conectados entre si ou que foram registrados depois, mas que tenham o espírito da banda”, conta Chris.

O livro trará histórias curiosas como a da capa do primeiro álbum dos Mutantes, em que Rita Lee posou envolta em uma toalha de mesa comprada por sua mãe num bazar beneficente de uma igreja de São Paulo. A campanha para levantar grana para o livro vai até 2 de junho e, se a meta for atingida, o livro será bilíngue e impresso no formato de um disco compacto. Como recompensa para quem apoiar a campanha, além do próprio livro, Chris está disponibilizando os frutos de uma parceria sua com o Canal Brasil e a Polysom: o DVD Loki – Arnaldo Baptista, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle; o LP Os Mutantes, que foi lançado originalmente em 1968 com clássicos como Baby e A Minha Menina no repertório; e o box com vários LPs dos Mutantes, inclusive a coletânea de raridades Mande um Abraço pra Velha.

Há ainda, entre as recompensas, um cartaz do Primavera 69, um festival realizado pelo tropicalista Antonio Peticov que teve os Mutantes entre as atrações. A arte superpsicodélica é de Alain Voss, e o cartaz foi reeditado pelo selo Psico BR, de Fabricio Bizu. Voss foi um artista plástico francês que assinou os desenhos das capas dos álbuns Jardim Elétrico e Mutantes e seus Cometas no País do Baurets, lançados pelos Mutantes em 1971 e 1972, respectivamente.

“Eu espero que os fãs da banda e os amantes de uma boa leitura sobre a história da música brasileira me ajudem a fazer o projeto acontecer. Com o livro lançado, a ideia é levá-lo também aos fãs da banda no exterior, que são muitos. Entre os mais conhecidos estão Sean Lennon, dono da arte da capa do álbum Tecnicolor, David Byrne, que resgatou a banda no fim do século passado em uma coletânea de sucessos, e Kurt Cobain, que infelizmente faleceu antes de poder ler este meu trabalho de pesquisa”, diz a escritora.

SOBRE A AUTORA

Chris Fuscaldo é uma jornalista e pesquisadora apaixonada por música. Ela já trabalhou nas redações dos jornais Extra e O Globo e colabora para revistas como Rolling Stone e UBC (União Brasileira dos Compositores). Em 2015, foi responsável pela pesquisa do livro Rock In Rio 30 anos. No ano seguinte, foi a vez de mergulhar no universo discográfico da banda Legião Urbana, e lançar o livro Discobiografia Legionária. Segue ainda na produção de outro livro, uma biografia do músico paraibano Zé Ramalho, a qual se dedica há dez anos e cujos estudos já lhe rendeu o título de mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela Puc-Rio. Em 2017, Chris Fuscaldo deu mais um passo ousado: estreou como cantora e compositora no álbum Mundo Ficção, uma obra de pop-rock-tango ou TPB (Tango Popular Brasileiro) idealizada por ela e capitaneada pelo músico e produtor argentino Juan Cardoni.

“Quando comecei no mercado jornalístico, meus amigos me chamavam de ‘Ana Maria Bahiana do século XXI’, porque ela foi a primeira mulher a atuar como jornalista de música na virada da década de 60 para a de 70. E, nesse mundo e no da música, me vi mesmo muitas vezes rodeada por homens, tendo que brigar por meu espaço em uma disputa meio desleal. Mas persisti e, mesmo ainda sendo difícil, acho que cada vez mais ando conseguindo credibilidade para meus projetos”, completa.

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