
8.5/10
Edição: Flávio Lerner
Não há rótulo mais arrogante na música eletrônica quanto IDM: Intelligent Dance Music. Parte do pressuposto óbvio de que é uma música para seres mais sofisticados e conhecedores do gênero que foi criado primordialmente para animar uma pista de dança.

Mas ele é necessário, principalmente se considerarmos que o que não falta é trabalho burro na música eletrônica. Uma tempestade de bombações superficiais e repetições de fórmulas que já deram certo um dia, e seguem trazendo nada de novo. A tal IDM, portanto, é uma definição para um gênero que transpõe a escuridão de uma pista e serve também para ser apreciada no sofá de casa, ao lado de amigos fritados ou até mesmo sozinho, com bom sistema de som e a mesma atenção que se dá, por exemplo, a um disco de jazz.
É nessa praia que surfa Jovem Palerosi. O mano apareceu com um novo EP, Relapso, lançado no final de maio. Perfeitamente produzido e mixado pelo próprio, com masterização do grande Craca, experiente nos batuques eletrônicos.
Com cinco faixas muito bem-amarradas (louros para os dois destaques do disco, Kero e Lúmen), a produção de Palerosi não tem nada de relapsa. É cuidadosa, limpa, com deliciosos silêncios que representam um conforto aos ouvidos do apreciador mais… (duh!) inteligente. Foge do universo de compressão taquicardíaca e apelos fáceis, focando justamente no batuque, algo que está no DNA do brasileiro, unindo futuro e ancestralidade em um loop artístico.
Relapso é todo bom. Melhora com a audição e merece ser ouvido com calma e, novamente, em um bom sistema de som. A base da eletrônica é ritualística, tribal. E Jovem Palerosi é um dos produtores brasileiros que se mantêm firmes a esse legado. O EP foi lançado pela Cóclea Records e a arte da capa, linda, foi feita por Léo Daruma.



