
Edição: Flávio Lerner
Se você gosta de Bad Brains, Rage Against the Machine, Black Pantera e Planet Hemp, tem um disco novo para você ouvir. Curiosamente, de um artista que se formou no trap, lançou um espetacular disco de rap old-school no passado e agora apresenta sua faceta hardcore. Saiu no último dia 1º de maio o novo álbum do FBC, com o sensacional título TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANAS E OUTRAS BRASILIDADES.
Um cuidado semântico aqui: o novo som é curioso para quem acompanha o artista belo-horizontino pelas plataformas de streaming. Em shows, como o que vi no Festival Zepelim, em Fortaleza em 2025, era claro que ele já vinha testando o rock pesado na orelha de seu jovem público. Primeiro, na atitude punk e nas letras incivisas, diretas. Mas também no som, com guitarra e bateria fritando no palco.
A quem for ouvir meu conselho e escutar o álbum de ponta a ponta, não se assuste com a faixa de abertura do álbum, GÊNESIS. A batuqueira sensacional e primitiva é a introdução para a pauleira que vem a seguir, repleta de hardcore, rapcore e nu metal. Não em elementos ou influências, mas no todo. Nas fórmulas, na estética e na simbologia.
Em mais 12 faixas muito bem costuradas, FBC destila seu ódio à extrema direita e seu modo de vida sem meias palavras. Nada escapa, de Iates à pejotização do trabalho, passando por críticas rasgadas ao neofascismo, à corrupção e à hipocrisia política. “Bandido bom é bandido preso!”, vocifera, sem medo. Se TAMBORES… tivesse sido lançado na época da ditadura militar brasileira, nenhuma da músicas escaparia da censura.

A própria mixagem do álbum é uma homenagem às raízes punk do músico. Cruas, com vocais saturados e cheias de energia nos instrumentos. Como disse anteriormente, se estivesse dividindo o palco de uma casa noturna escura com Black Pantera e Planet Hemp, ninguém notaria falta de peso ou atitude. Pelo contrário.
Ao vivo, a produção do show é impressionante. Uma guerrilha gráfica conclamando à luta. Representa, também, um crescimento intelectual do público que o acompanha. O lance é levantar a bandeira e lutar pelo acredita. Zero hedonismo e muita atitude. Música feita para pular e pensar.
Ao transitar em estilos diferentes a cada álbum, FBC vai conquistando sua liberdade. Vai perder uma parte de seus fãs com TAMBORES…, vai converter outra parte, e conquistar muitos outros. Para o artista, fica a biografia, cada vez mais impressionante na música brasileira.



