
9.3/10
CRIOLO, AMARO E DINO é um baita encontro e um puta disco de acid jazz para chamar de nosso. Embora o gênero tenha sido desenvolvido nas ruas de nova iorque, a partir do momento em que se juntam, num mesmo estúdio, o pianista consagrado Amaro Freitas, o rapper guru paulistano Criolo e o português de ascendência caboverdiana Dino d’Santiago, a megalópole estadunidense vira uma província perto do que o trio aprontou nas 12 faixas lançadas dia 15 de janeiro, já se colocando como um dos melhores álbuns do ano, arrisco-me.
Fácil de supor, o trabalho juntou o background musical e geográfico dos três: São Paulo, Pernambuco e Portugal. O lance é que a amálgama colou que é uma beleza. Dá-lhe diáspora africana! Claro que a fusão de gêneros é imensa. Mas, para mim, entra na prateleira do acid jazz e boa, embora você não precise concordar.
Defendo-me sugerindo que você escute com atenção as faixas E Se Livros Fossem Líquidos, Ela é Foda e Amazônia, indipensáveis para quem gosta de jazz, de rap e demais gêneros pretos. Tem até uma house à moda de Nuyorican Soul no meio, Mama AFRIKA. CRIOLO, AMARO E DINO é urbano, ancestral e emocionante, tudo ao mesmo tempo.
A obra surgiu de um encontro atômico e inesperado. Em Lisboa, Criolo e Dino d’Santiago queimavam tutano no estúdio. Souberam que Freitas estavam na cidade e mandaram o bom e velho “cola aí!”. E eis que, no lugar certo e na hora certa, os três se juntaram para não mais se separar, até que um álbum inteiro estivesse pronto, com gravações feitas em São Paulo e Recife, além da capital portuguesa.

A primeira música escrita pelo trio, ali naquele encontro improvisado, Esperança, foi lançada em 2024 como single e indicada ao Grammy. Arrogantes, não a colocaram no LP. Tinha muita coisa boa ainda para o novo projeto.
O ano começou bem, graças a Criolo, Dino d’Santiago e Amaro Freitas.



