‘Referência do processo novo tá no que é cru’, diz Rico Dalasam

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Talentoso e lutador, era evidente que Rico Dalasam iria longe. O pioneiro do queer rap no Brasil experimentou os altos e baixos do sucesso muito rapidamente. Prepara agora seu renascimento. Após ficar 70 semanas sem lançar inéditas, Braile é a primeira deste novo tempo.

A faixa tem produção de Digroove, produtor e tecladista, com quem Dalasam vem trabalhando. Outro parça do Dala Boy que vem ajudando a levantar o novo trabalho é o guitarrista e cantor Moi Guimarães. No Z Largo da Batata, Dalasam e companhia mostraram a nova fase nesta quinta, quando apresentaram o show 70 Semanas.

Leia nossa conversa com o cara do Taboão que se tornou um dos grandes popstars e hitmakers da atual geração.

Quais são as referências estéticas da fase atual?
Rico Dalasam – A referência do processo novo tá no que é cru, no que é lúdico, no que move a gente. Pra subverter o plástico através do lúdico, na prático isso leva a gente pra reverter os códigos anteriores. A gente vinha numa lógica que a sonoridade era mais plástica e a imagem também era cheia de camadas e a gente se despir disso. Com camadas mais orgânicas, de timbres nas músicas e na imagem a coisa pro cru. É isso que a gente está começando a tecer hoje com Braile e este show 70 semanas, que é o caminho da direção do disco, com outro show.

Rico Dalasam em foto de Larissa Zaidan


O que você pode adiantar sobre suas próximas jogadas?

Dalasam – Eu acredito que minha próxima jogada é acabar com o jogo. Não tô mais na de jogar. Pegar minha bola e acabar com o jogo. Que joguem com outras bolas, façam as coisas sem mim. Acho que é isso, fazer o que tá no meu coração. Talvez não tenha mais a colaborar, a oferecer, com as letras que eu escrevo, com a pesquisa que eu faço de festa popular e as camadas pra se construir uma música que atinja um país.

O que você acha que está rolando de mais legal na música brasileira hoje?

Dalasam – De mais legal… Getúlio Abelha, Vingaroda (projeto de Mahal Pita e Leo Mendes), eu vi um show deles esses dias, que é um experimental com referências na chula e outras pesquisas sobre Brasil. MC Thá também é da hora.

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