Projeto lança videoclipes gravados pelo celular todas as semanas. Mixhell, Bleeping Sauce, Autoramas e Orquestra Jabaquara já foram convidados. Conheça o The Quarantine Experience

Amanda Sousa
Por Amanda Sousa

Desde o começo da pandemia, o projeto é dedicado a lançar, toda semana, videoclipes de artistas de todos os países, gravados à distância, pelo celular. Conversamos com o cineasta Raul Machado, criador do projeto,  e com Iggor Cavalera (que participa com o seu projeto Mixhell). Confira

O The Quarantine Experience traz uma proposta que é um alento aos nossos corações durante este período de isolamento social. O projeto lança, semanalmente, vídeo clipes com artistas de diversos lugares, todos gravados à distância e por meio do celular. Foi criado durante e para o período da pandemia do Covil 19 pelo cineasta Raul Machado, conhecido por dirigir trabalhos de artistas como Pitty, Chico Science & Nação Zumbi, Zeca Pagodinho, Planet Hemp, Sepultura, Ratos de Porão, Raimundos, Marcelo D2, O Rappa, Pitty, CPM 22, Fatboy Slim, entre outros. 

Com produção de Isabela Matoso e Carola González e arte do artista visual Speto, o TQE semanalmente lança videoclipes de artistas de diferentes gêneros, regiões e países no Youtube. Riviera Gaz, Orquestra Jabaquara, Luvbites; Autoramas; Cloé du Trefle; Marília Calderón; Monique Maion; Versa e DJ Chernbyl; Cigarras; Rodolfo Kruguer (ex Cachorro Grande); Herzegovina (banda de Rafael Crespo, ex Planet Hemp); Mixhell, Joe Goddard do Hot Chip e Mutado Pintado; Mickey Junkies; Smash Boom Pow e Banda Eddie estão no canal.

Lançamento: The Quarantine Experience #25: Bleeping Sauce com “The Alarm”

O lançamento mais recente no canal é o projeto Bleeping Sauce, de Marco AS e da cantora e produtora Eli Iwasa. O projeto nasceu do desejo de explorar novos sons e produzir música de uma nova maneira. Marco AS, pioneiro no formato Live PA com seus projetos Click Box e Influx, convidou Eli Iwasa para fazer os vocais, reunindo uma ampla gama de referências musicais. Synthpop, EBM e post-punk são fortes influências em seu trabalho, criando um som essencialmente eletrônico, cheio de personalidade e o toque delicado dos vocais de Eli. O primeiro EP da dupla foi lançado pelo selo francês Meant Records – com trabalhos no Warung Recordings, Sublime e Austro (um sub-selo da Som Livre) seguiram assim, antes da pandemia, com uma extensiva turnê pelos principais clubs do Brasil como Warung, Privilege Club Vibe. Assista aqui

Bleeping Sauce

 

Mixhell, duo de Iggor Cavalera e Laima Leyton, Joe Goddard do Hot Chip e Mutado Pintado com  ‘Play Doh’

Mixhell é o projeto de música eletrônica conduzido pelo baterista Iggor Cavalera  (Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura) e sua esposa Laima Leyton. Para o projeto Quarantine Experience, apresentam Play Doh, clipe, dirigido por Raul Machado, acompanha Mixhell, Joe Goddard e Mutado Pintado em suas respectivas casas durante o isolamento social. Erica Dezonne acompanhou o trabalho de duas enfermeiras inglesas a caminho do hospital durante a pandemia e é o décimo quarto clipe do projeto. Assista aqui. Para Laima, participar do Quarantine foi um respiro em meio a tudo o que vem acontecendo. “Foi um respiro, uma conexão, foi legal perceber como os outros estavam reagindo a este momento. No nosso caso, foi um tanto especial, pois, a nossa música foi lançada para uma compilação em prol do NHS (Sistema de Saúde Britânico), a certeza de que música (e arte) fazem diferença em tempos de crise. O Raul conseguiu duas enfermeiras do NHS que estavam/estão enfrentando a crise na linha de frente, o que fez o clipe ainda mais especial.” 

 

Mixhell. Crédito da Foto: Felipe Pgani

Conversamos como Raul Machado para entender um pouco mais sobre como  a ideia surgiu e quais são os próximos passos, confira a entrevista

“Eu tinha vindo pra Curitiba filmar e estava voltando pra SP quando a pandemia estourou. De repente todos os projetos que eu estava envolvido foram cancelados e acabei ficando em Curitiba. Não sabia o que fazer, passei o primeiro mês filmando nuvens (por isso que tem tantas nuvens nos clipes do Quarantine Experience). Um dia a Isabela Matoso, que é uma das 3 cabeças do projeto, me falou que a Fundação Cultural de Curitiba estava com um edital pra fazer um videoclipe. Eu pensei: como é que eu vou filmar sem sair de casa… Lembrei que, um pouco antes de começar o isolamento, tinha visto um show das Cigarras e gostado muito. A Isabela conhecia elas e perguntou se elas não estavam afim de tentar fazer um clipe à distância. Montamos um grupo de WhatsApp e começamos a trocar ideias. Eu me diverti tanto fazendo que não mandei o clipe pra fundação cultural e acabei fazendo quase 30 grupos de WhatsApp com bandas do mundo inteiro.”

MNS – Como é o processo geral, desde primeiro contato com artista até a edição final do material? A parte prática das coisas

O primeiro passo é fazer um grupo e ver como a comunicação se desenvolve. Varia muito. Tem bandas que eu dou um conceito. O Riviera Gaz era o que o big Lebowski ia tá fazendo em casa, agora que o boliche não tá abrindo. Tem bandas que eu desenho o mínimo de takes que eu preciso pra fazer o clipe, tem outras que eu deixo soltas para viajar. Basicamente eu jogo a bola pra cima e espero ela cair.

MNS – Como a ideia foi recebida pelos artistas?

Super bem. Não tá rolando show né. Eu acho que dou uma sacudida na vida deles no período que eles tão gravando. É bom produzir, ajuda a saúde mental deles e minha.

MNS –  É um projeto que vai continuar pós-pandemia?

Acabando a pandemia acaba o projeto. A coisa que eu mais sinto falta é viajar para filmar. Estou pensando em talvez fazer um documentário sobre a experiência, juntar os clipes com depoimentos. 

MNS – Alguma novidade? Pensam em reinventar ou reformular o projeto futuramente?

Eu estou me reinventando. Faço clipes faz tempo mas em cada um eu aprendo algo novo.

MSN – Quantos artistas já passaram pelo projeto, até agora?

Já lançamos 23 clipes. Fiz um com Sepultura também no mesmo esquema do Quarantine. Estou fazendo 4 agora em diferentes estágios e partes do mundo. Isso sem apoio de produtora e gravadora.

MNS – O projeto tomou uma dimensão maior do que vocês esperavam? 

Acho que sim. O que era pra ser um clipe caseiro feito em Curitiba acabou virando um projeto mundial. Filmamos em quase todas regiões do Brasil, EUA, Canadá, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Uruguai, Senegal. Com artistas consagrados, passaram por aqui membros do Sonic Youth, Hot Chip, Sepultura entre outros. Isso tudo a partir do meu quarto sem sair de casa

MNS – Fale para os artistas que estão atravessando por este período quase sem esperanças de continuar produzindo música

Estamos passando por um período muito louco. Não é só a pandemia. Estamos vivendo num mundo que parece que não gosta muito de arte e natureza. E é aí que eu acho que vão sair obras primas. Tem muita gente precisando extravasar.

Raul Machado é um cineasta brasileiro, autor de inúmeros videoclipes – Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Sepultura, Ratos de Porão, Raimundos, Marcelo D2, O Rappa, Pitty, CPM 22, Fatboy Slim, Vive la Fête. Nominado a inúmeros VMBs e outros prêmios da música. Também assinou campanhas para Motorola, Budweiser, Havoline, Ford, BMW, Itaú, entre outras.

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