‘Pode sofrer à vontade, mas é obrigatório dar a volta por cima’, diz Duda Beat

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Após ser um dos nomes mais falados do Lollapalooza, a cantora Duda Beat lançou no começo deste mês o single Chega, com Jaloo e Mateus Carrilho.

Foi no festival que o trio apresentou a canção pela primeira vez e desde então recebe inúmeros pedidos para disponibilizar a gravação.

Um dos nomes mais quentes da música brasileira hoje, Duda vem rodando o país com o show Sinto Muito. Só este ano, ela lançou singles como  Só Eu e Você na Pista, com Illy; Meu Jeito de Amar com Omulu e Lux & Tróia e o remix de Bixinho, seu maior hit.

No dia 9 de junho, Duda canta em São Paulo na mesma noite que a cantora inglesa Lily Allen no Festival da Cultura Inglesa. Leia nossa conversa com a rainha da sofrência pop em que ela fala sobre influências, tendências, a incrível cena brega de Recife e outros assuntos:

Como rainha do sofrência pop, quais seriam as primeiras medidas do seu reinado?
Duda Beat – Acho que primeiro, no meu reinado, é permitido sofrer. Acho que pode sofrer à vontade, mas é obrigatório dar a volta por cima. Todo mundo pode ter um momento de luto, é importante demais.

Acho que em um momento de luto a gente consegue melhorar nossa vida, que a gente consegue se questionar, evoluir. Sofrer é fundamental no meu reinado, mas depois tem que se reerguer de novo. Seja fazendo algo para a sociedade, como escrever um livro, fazer um disco, fazer o que lhe dá prazer, correr, fazer uma coisa boa pra você.

E se essa coisa for boa pros outros, melhor ainda, se tiver uma utilidade pública, melhor ainda. Uma das coisas mais legais é o quanto meu disco ajudou outras pessoas. A saírem de um relacionamento, a se sentirem melhor depois do fim de um casamento, acabou que teve uma utilidade pública.

Acho que no meu reinado as medidas são essas com certeza: sofrer, depois se reerguer e fazer alguma coisa não só pra lhe curar, mas pra curar a sociedade também.

O que tá rolando de mais interessante na música hoje, na sua opinião?
Duda – Nossa, tá rolando muita coisa interessante, triste estas coisas não estarem na mídia também, Mídia, tô falando de forma mais abrangente, mais popular, que atinge tanta gente.

Acho que todos os meus amigos da música, que estão ao meu redor, estão fazendo coisas lindas. Coisas que dá pra se questionar, coisas que melhoram a vida das pessoas. Enfim, temos Liniker fazendo disco lindo, temos Alice Caymmi, temos Mahmundi, mulheres emporadas aí. Mateus também, Mateus Carrilho, Jaloo, que é um ótimo compositor, Cícero, Castello Branco, então a gente tem muita coisa interessante na música, tem Jão, que é superinteressante, Clau, que eu adoro, uma superamiga. Eu só vejo brotarem coisas interessantes ao meu lado e pra mim é uma pena que essas coisas não estejam na grande mídia porque eu tenho certeza que todo mundo ia gostar. Se todas as pessoas tivesse acesso a este conteúdo novo que tá sendo colocado na rua, ultimamente, acho que todo mundo ia amar. Sei lá tanto coisa boa, mas acho que basicamente é isso… e mais.

Duda Beat em foto de Fernando Tomaz

Existe algo na sua música que seja típico do seu lugar de origem?
Duda – Sim, com certeza, a Bédi Beat, por exemplo, é uma música brega, muito típica de Recife. Acho que o Recife está cada vez mais com a cena brega bem forte e que bom que isso tá acontecendo. Tanta coisa boa de Recife, maracatu, frevo, baião e a agora o brega vindo aí com tudo. Eu fico muito feliz e consegui colocar um breguinha na minha música. Um pouco diferente, de uma leitura diferente, mas tá ali. No próximo disco, eu espero trazer mais, um arrocha, trazer enfim, um brega nigth, quero incorporar coisa da minha terra. Além do meu sotaque, que permeia todas as músicas e é da minha terra e tá ali. Acho que é isso, é o sotaque e é o brega.

Quais são suas principais referências estéticas fora do música?
Duda – Olha, eu adoro moda. É até difícil escolher uma referência estética, eu acompanho blog de moda. Além da música, porque a música toda aquela estética dos anos 80 eu amo. Mas fora do música, acho que é isso, as minhas principais referências são essa. Fora da vida, em si, que é uma referência estética que tá fora da música. É o que eu vivo. Eu diria que é isso, é a moda, são outros artistas que andam vestidos com certo tipo de roupa, que eu amo. Eu acho que tudo isso tá na minha música. Se você entrar no meu Instagram, você vai ver uma diversidade de cores, estilos, coisas que me marcam e permeiam a minha vida profundamente.

Quais são suas maiores influências?
Duda – Então, os anos 80, como eu falei, é minha maior influência de todas. Eu adoro aquela coisa épica dos anos 80. Aquela coisa de chorar escorregando na parede, aquela coisa assim dramática que os anos 80 tem. Acho que é uma das minhas maiores influência, Duran Duran, George Michael, Sade, eu amo. E umas coisas mais atuais, é lógico, Beyoncé, que é uma referência pra todo mundo que tá vivo, que vive este momento que a gente tá. Rihanna. Rihanna é uma referência pra mim tanto de estética quando de som, eu acho ela incrível. Kali Uchis, uma cantora colombiana maravilhosa. Toda essa galera, galera do reggaeton é uma grande influência também, adoro a coisa latina, quero trazer mais coisa latina do meu próximo disco, bem forte.

Quais são seus valores essenciais?
Duda – Acho que justiça é um valor essencial, não sei se porque eu sou libriana, acho que balança da justiça tem que tá bem equilibrada na minha vida. Se tem uma coisa que me tira do sério é injustiça, eu saio de mim. É muito complicado pra mim ver alguém sendo injustiçado. Lealdade e amizade também são valores que estão muito intrínsecos na minha alma. Eu sou muito leal, às pessoas que me ajudaram desde o início, às pessoas da minha banda, às pessoas da minha banda. Eu acho que rola um pouco dentro de mim uma obrigação de ser leal, porque essas pessoas foram leais comigo. É uma obrigação que não é ruim, é uma obrigação prazerosa, boa pra mim porque eu gosto de ajudar quem tá comigo. Acho que a amizade é um valor muito forte pra mim. Eu sempre tive muitos amigos, eu sou rodeada de amigos, isso é uma coisa que não quero perder. Além de tudo mais que permeia estes valores essenciais, alegria, felicidade, dividir tudo que eu ganho com todo mundo que tá do meu lado, eu tenho muito isso de dividir, estar junto, crescer junto. Quem rói o osso junto, come o filé mignon junto, eu sou muito partidária dessa frase, acho que aí já engloba amizade, já engloba lealdade, tudo isso.

Você lançou o single Chega no começo de maio, fale sobre ele e suas próximas jogadas?
Duda – Nossa, tem muita coisas vindo. Chega é de composição minha e de Tomás Troya, que é meu marido e meu produtor, compomos esta música juntos, letra e melodia minhas e harmonias dele, algumas melodias dele também. E tive o prazer de estar com amigos maravilhosos, que são Mateus Carrilho e Jaloo, que estão comigo nesta música. Chamei, eles amaram o convite. Tá tudo muito lindo, esteticamente tá bem anos 80, as fotos de divulgação. Enfim, estamos todos lindos, todos animados. O single fala de uma conquista, quando você tá ali paquerando uma pessoa, todos os passos. É uma música muito linda, feita com muito carinho. Aí depois disso vai vir Sinto Muito acústico, depois vai ver disco novo, singles com parcerias maravilhosas, como Diomedes Chinaski, da minha terra, um rapper incrível, ele fez a música e eu cantei com ele. Tem uma com Romero Ferro, que é lá da minha terra, tem uma que vai vir aí com uma galera da Bahia muito legal também, não tem ainda como dar detalhes. E é isso, um monte de coisa ainda por vir. Estou bem feliz com minha trajetória, com o que eu estou construindo, com as pessoas ao meu redor. Felicidade pura.

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