Perdemos Prince, o único cara no mundo capaz de roubar a cena de Michael Jackson e James Brown

Por Guilherme Silva

prince

Eu odeio quando essas coisas acontecem. Quando o Bowie morreu, eu me senti um total idiota por não ter conhecido mais sobre ele. Eu sabia que ele era fodão, sempre o respeitei demais, mas só depois da sua morte descobri que ele era um dos maiores seres humanos que já viveram para as artes.

Com aquele estardalhaço todo da sua morte, eu acabei me envolvendo num loop infinito de fotos/vídeos/canções/riffs e coisas do Bowie e, aos poucos, fui conhecendo partes da sua carreira que eu não conhecia por total preguiça. Dói um pouco admitir que eu não conhecia tanto o Bowie e que só após a sua morte ele teve uma real importância para mim; você só valoriza aquilo que perde. Me perguntei durante muitos dias: “como que eu, uma pessoa que gosta tanto de música, vive de música, pesquisa música diariamente, não conhecia a vida e a obra do Bowie?”. Prometi a mim mesmo que não deixaria isso acontecer novamente.

purple-rain

Eu odeio quando essas coisas acontecem. Eu não conhecia tanto o Prince quanto deveria. Antes de vocês acharem que eu sou um total leigo musical por não ter me permitido ouvir Prince e David Bowie, vou explicar o que rolou: minha principal fonte de música sempre foi meu pai. Eu nasci num ambiente aonde Dead Can Dance, Cocteau Twins, Massive Attack, Chemical Brothers, Underworld e Suicide eram músicas de fundo na hora do almoço. Minha influência musical é essa. Sempre tive um tesão a mais por essas bandas menos famosas e que eu pudesse contar para os meus amigos sobre como se fossem minhas preciosas descobertas, “cara, isso é bom, mas você já ouviu o Mezzanine do Massive Attack?”. Resumindo, existe uma legião de pessoas e bandas que eu só fui conhecer mais velho: Bowie, Prince, Funkadelic, Parliament, J J Cale, Herbie Hancock, Miles Davis etc…

E agora o Prince morreu. Caralho. O Prince. Essa doeu.

Eu não sei explicar direito o que eu estou sentindo, mas lágrimas se formam nos meus olhos enquanto escrevo isso. É uma mistura de agonia, por não ter conhecido a vida e a obra do Prince tão a fundo e, agora, tê-lo perdido para sempre, com júbilo, por ter deixado a sua música entrar na minha vida recentemente e ter me mudado. Eu lembro de estar com a DJ Valesuchi antes do Sónar São Paulo e ela ter me mostrado um vídeo do Prince no Capitol Theatre (que aliás, é o que eu estou ouvindo nesse momento) e eu ter ficado completamente em choque. “Mas, cara, o Prince é tão foda assim mesmo?”, eu perguntei pra ela. E ela riu. Mal sabia eu.

Prince – Full Concert – 01/30/82 – Capitol Theatre

Depois daquele dia eu comecei a me envolver mais com o Purple Man e me deixei levar. O Dia D para mim foi quanto vi um vídeo em que o Michael Jackson insiste para que o James Brown chame o Prince para o palco. E quando ele chama, o cara rouba a cena. Fala sério, você tem que ser muito genial pra conseguir roubar a cena do Michael Jackson e do James Brown em um palco com vinte e pouquíssimos anos. Eu recomendo muito que vejam esse vídeo.

Michael Jackson, Prince & James Brown


O que eu mais amo e admiro no Prince é que ele se entregou para a música como poucos já conseguiram. Deu seu corpo e sua alma para a música e fez dela o seu método para revolucionar o mundo. Ele sempre transpareceu sinceridade no palco e em toda a sua carreira; ele se doava, transava com a guitarra. Sempre imaginei o show do Prince como uma grande orgia generalizada comandada por um príncipe da sexualidade. Prince, o único ser humano que pode ser associado à uma cor. O mundo amanheceu roxo hoje.

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