Séries Foto: Glenn Carstens-Peters [via Unsplash]

O futuro das séries: público quer eps semanais, menos espera e resgates, diz estudo

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Nova pesquisa da Luminate indica o que a audiência americana deseja de plataformas como a Netflix

Como serão a séries do futuro? Se os executivos da maior plataforma de streaming do mundo, a Netflix, acompanharem estudos independentes como o que a Luminate publicou recentemente, podem mudar.

Especializada em estatísticas do mercado de entretenimento, a empresa catou dados de forma independente e publicou um levantamento de como andam os hábitos de consumo dos espectadores. É importante lembrar, porém, que o estudo só considerou o mercado estadunidense e extraiu dados falando diretamente com consumidores, além de se associar a vários fabricantes de aparelhos de smart TV. A plataforma, como é de praxe no mercado, não divulga dados internos.

Quando se popularizaram, os serviços de streaming viraram de ponta cabeça o mercado audiovisual, com produções próprias de séries e filmes. Nos seus primeiros de vida, a Netflix era uma espécie de locadora de vídeo em casa e sob assinatura. Rapidamente, começou a investir uma tremenda grana para ter uma programação exclusiva. Hoje, mesmo com o crescimento de uma porção de concorrentes, ainda é dona de 60% da audiência do streaming.

A companhia causou uma revolução, a que todos nós fomos testemunha, com grandes séries e o novo hábito de “maratonar”. Lançando todos os episódios de uma só vez, era comum ver amigos abortando rolês para virar o final de semana assistindo a uma temporada de ponta a ponta, parando apenas para fazer a pipoca ou o miojo. House of Cards, Orange is the New Black, Narcos e Breaking Bad, por exemplo, caíram no gosto popular e se tornar as novas novelas. O lockdown provocado pela pandemia só ajudou.

Breaking Bad
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Porém, agora que estamos nos acostumando com o streaming em nossas vidas a coisa está mudando. O estudo da Luminate identificou que os consumidores, graças a um movimento dos concorrentes da Netflix, estão se empolgando mais com as séries com formato de lançamento iguais ao das antigas TVs: com episódios semanais. Isso acaba com a o hábito da maratona e cria no usuário aquela expectativa gigante entre um capítulo e outro da história. Um consumo, digamos, mais maduro.

Outro ponto de alerta identificado pela pesquisa é que séries que demoraram mais de 18 meses para lançar uma nova temporada perdem um público considerável — mesmo as de grande sucesso.

Segundo a autora do estudo, as séries que se deram melhor foram aquelas em que cada temporada é lançada a cada ano, criando uma certa rotina. Isso pode impactar bastante as produções mais elaboradas, como de fantasia e ficção, que demoram mais para serem finalizadas. Uma coisa é gravar dez episódios de The Office, outra é finalizar uma epopéia como Game of Thrones.

A busca por novidades também esfriou entre os usuários da Netflix, e isso não é necessariamente surpreendente, uma vez que o seu catálogo está ficando cada vez maior. Muita gente procura por séries antigas, que nunca assistiu, em vez de buscar a trend. A própria empresa já comunicou que vem se dedicando a licenciar títulos “velhos” de outras plataformas e produtoras para incluir em seu guarda-chuva.

A série 11.22.63, lançada originalmente no Hulu uma década antes, somou mais de 4,8 bilhões de minutos assistidos na Netflix até 15 de junho de 2026, por exemplo.

Lançamentos semanais, com data fixa, religiosamente todo ano, e olhar carinhoso para produções antigas que estão na gaveta. Essas são as dicas do estudo da Luminate. Agora, nos resta saber o quanto os produtores da Netflix vão se preocupar com isso.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.