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Conversamos com o saxofonista Ilhan Ersahim, do Nublu Sessions, que se apresenta em São Paulo

Nublu Sessions

Nublu Sessions foto: Talita Miranda

Nesta quarta-feira (01.12), o Nublu Sessions, criado pelo expoente saxofonista Ilhan Ersahim, se apresenta em companhia dos renomados músicos brasileiros

Guizado, (trompete), Chicão (teclado), Zé Nigro (baixo), Samuel Fraga e Tony Gordin na bateria, em uma sessão especial do Projeto Cedo e Sentado do Studio SP. A noite promete, a mistura de soul, jazz, funk e rock do grupo é super envolvente. Ilhan reconhecido como um músico e produtor visionário, criou o Wax Poetic, em 1997, com uma proposta colaborativa de diversos músicos,  numa combinação deliciosa de jazz com pop, reggae, entre diversos estilos e foi a semente que deu origem ao conceito Nublu. Já participaram do Wax Poetic, Norah Jones, o cantor jamaicano U-Roy, a cantora N’Dea Devenport (Brand New Heavies) e os brasileiros Karina Zeviani, Otto e Bebel Gilberto, entre muitos outros.

Ilhan Ersahin foto: divulgação

O criativo e aventureiro Ersahin, nascido na Suécia e criado na Turquia, começou tocar saxofone aos 16 anos, mergulhou no jazz mais tradicional quando se mudou para os Estados Unidos estudando em escolas como Berklee, mas em meados dos anos 1990 se viu atraído pelas possíveis combinações do jazz com reggae, dub, rock e tantos outros gêneros. Em 2002 abriu o Clube Nublu, em Nova York, um dos principais pontos de improvisação e música cosmopolita, reconhecido mundialmente. O selo Nublu Records bem como o festival, vieram em consequência, Festival este já que já rodou na França, EUA e Turquia, aqui em SP acontece principalmente no Sesc Pompeia e já trouxe nomes como Archie Shepp, John Cale, Kamasi Washington e Cyamande, entre muitos outros. O músico com muita história pra contar, conversou com esta coluna sobre jazz, Nublu, Brasil e mais:

Adriana Arakake: Quando o jazz entrou na sua vida?

Ilhan Ersahin: O jazz entrou na minha vida quando eu estava lendo On the Road, de Jack Kerouac. Fiquei curioso sobre isso, pois está em todo o livro, mas ao mesmo tempo, na minha adolescência, eu era curioso por música. Eu me considero mais um músico do que um jazzer, eu acho. Mas quando eu realmente entrei nisso foi quando me mudei para os Estados Unidos, quando tinha 21 anos.

A.A. : E com a música brasileira, como foram seus primeiros contatos?

I.E.: Minha esposa é brasileira, então eu venho ao Brasil há 25 anos. Em todas essas viagens, conheci e fiz amizade com muitas pessoas e músicos excelentes. Foi natural começar a tocar e colaborar com músicos brasileiros. Agora tenho 2 bandas no Brasil. Um é o que tocaremos nesta quarta-feira, na verdade ainda não temos um nome, mas parece uma banda. Temos um disco saindo em alguns meses, que gravamos pouco antes da pandemia. Essa banda está com Guizado, Samuel Fraga, Tony Gordin, Chicao e Zé Nigro. Pessoas incríveis, amigos e ótimos músicos. Minha outra banda chamada Praia Futuro é com Dengue, Catatau e Yuri Kalil. Outra grande gangue! Também temos um novo álbum saindo em breve, nosso primeiro álbum foi todo instrumental, o novo contará com vocalistas diferentes.

Wax Poetic foto: divulgação

A.A: Muitos artistas se adaptaram para continuar criando durante a quarentena, li que você produziu e lançou várias coisas, como foi esse período para você?

I. E.: Eu também, e produzi muito. Tenho trabalhado nesses 2 álbuns e em alguns outros projetos, como um novo projeto que tenho com um DJ / produtor turco, Oceanvs Orientalis. Também tenho trabalhado em faixas com minha banda de Istambul, chamadas de Istambul Sessions. Alos (projeto de Stefania Pedretti) finalizou um álbum aqui em NYC com Dave Harrington, da banda Dark Side e o grande baterista Kenny Wollesen. Além disso, eu estava pintando, arrumando e redecorando meus três clubes em NY. Agora há Nublu, Studio 151, que é o segundo andar acima de Nublu, onde agora temos sushi, coquetéis e djs de vinil incríveis, e então há o Nublu original que agora é chamado de radionublu. Será um café e um lounge da estação de rádio. Então, sim, eu estava fazendo coisas pra caramba.

Morcheeba em apresentação no Nublu Festival, Sesc Pompeia, 2018

A.A.: Você renovou o jazz nos anos 1990 com Wax Poetic, misturando diferentes elementos e estilos, lançando Norah Jones ao estrelato, por exemplo, pode nos contar um pouco sobre essa experiência?

I.E. Sim, foi um momento da minha vida em que tomei uma grande decisão de mudar minha causa musical. Por 10 anos eu fazia jazz estritamente tradicional e praticava muito, tocando principalmente padrões e imitando meus heróis do jazz. Mas então eu comecei a ouvir Massive Atack , etc, e voltei para a minha música adolescente que era punk, ska, reggae etc. Então, tomei uma difícil decisão de parar de tocar jazz tradicional e fazer apenas minha própria música, porque era a maneira mais natural .

A.A: Como é o seu processo de criação?

I.E.: Eu fico criativo quando eu sei que uma gravação ou alguns shows estão prestes a acontecer. Gosto de escrever especificamente para as pessoas que estão nas próximas gravações ou shows. Eu normalmente não apenas escrevo músicas e as adoto para quem quer que seja. Como quando eu escrevo e crio padrões e melodias, digamos para as Istambul Sessions, eu escrevo com os 4 integrantes em mente. Mas também tenho uma boate, onde ouço boa música todas as noites, esse estilo de vida torna a pessoa criativa, porque você simplesmente tem que ser aberto e criativo para poder lidar com todo o processo.

Clube Nublu, NYC foto: divulgação

A.A.: Os clubes Nublu se tornaram mecas do jazz, recebendo artistas consagrados e sendo reconhecidamente politênicos, além de a inovação ser uma de suas marcas registradas. Isso provavelmente tem a ver com suas origens e suas viagens ao redor do mundo, certo?

I.E.: Acho que sim, minha origem ser meio sueca meio turca e passar muito tempo em NYC, Istambul e no Brasil, principalmente em SP, Rio e Florianópolis. Mas também o East Village, onde moro, é o canto mais criativo do mundo. As pessoas adoram dizer Brooklyn Brooklyn … mas a lista de bandas e artistas que viveram e vivem em East Village é looonga. De Lou Reed, Charlie Parker, Sonny Rollins, todas as bandas CBGB, Jack Kerouac, allen Ginsburg, Arthur Russel, Jackson Pollock, etc.

Sun Ra Arkestra, Nublu Festival, 2012

A.A. Como surgiu a ideia do Festival Nublu? Me parece que o clube teve que viajar também, para acompanhar o ritmo multicultural do clube, como você trouxe para São Paulo?

Nublu está agora com 20 anos e eu comecei o Nublu Jazzfest, acho que há 13 anos. Aí conheci a Talita de SP, que é minha parceira no Brasil com o Nublu Jazzfest, sugeri a ela – Talita vamos fazer o Nublu Jazzfest em SP?  Ela topou, tudo aconteceu e agora são 10 anos de Nublu Jazzfest em SP. Realmente espero que aconteça novamente em 2022, após este ano difícil.

A.A.: O que vocês estão preparando para o show Nublu Sessions desta quarta-feira no Studio SP?

I.E.: Eu adoro os caras neste projeto, todos grandes músicos e caras divertidos pra curtir. Música é a finalidade das conversas e por isso pra mim é importante dividir interesse, curiosidade, explorações musicais e um pouco de loucura com eles. Nós temos um conceito a seguir, vamos explorar uma abordagem mais linear do que circular que existe na maioria da música. Não é uma repetição de verso, refrão etc etc. É como se estivéssemos compondo o momento ao invés de fazer uma jam informal. É uma abordagem diferente. Jam é uma coisa e improvisar é esta outra forma diferente que mencionei.

O show no Studio SP nesta quarta começa à meia noite, é grátis e Imperdível.

 

 

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