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Mostra Tiradentes: Poropopó, Adirley Queirós mostram quão variado é o cinema brasileiro

Por Yasmine Evaristo

Produções mostram o quão variado é o cinema brasileiro

No primeiro dia de exibição de filmes em Tiradentes, entre os selecionados e assistidos, o cinema brasileiro mostra a força da sua capacidade de usar da linguagem cinematográfica para contar histórias.

Poropopó, de Luis IgrejaA Cidade é Uma Só?, de Adirley Queirós, foram alguns dos longas assistidos. Leia, em seguida, um panorama dos primeiros dias da 25ª edição da mostra. O festival esta sendo transmitido online e gratuitamente no site mostratiradentes.com.br

Poropopó

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Divulgação: 25° Festival de Cinema de Tiradentes

Transferindo para a tela aspectos circenses e teatrais, a produção rodada na cidade de Nova Friburgo acompanha a uma família de palhaços. O casal Dandaleon e sua filha se para a cidade em busca de uma nova vida. A idealizadora da produção, Denise Bernardes também assina uma direção de arte lúdica e impecável. Suas escolhas de cores e objetos dialoga com os personagens que mudam de casa, mas não perdem seus valores.

O filme possui poucos diálogos falados e usa com maestria da comunicação por meio gestual. Além disso a trilha sonora e o desenho de som (Daniel GonzagaFernando Aranha) arrematam as sensações de alegria e magia que são transmitidas.

A Cidade É Uma Só?

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Divulgação: 25° Festival de Cinema de Tiradentes

O longa de Adirley Queirós mescla a ficção e o documentário para refletir sobre a Brasília. O que o diretor faz é uma declaração de amor para a Ceilândia. Assim ele também reflete sobre a Brasília conhecida como a bela capital planejada e a Brasília existente apenas para os moradores da capital.

Dessa maneira a produção resgata a história da formação da periferia da capital do país. Para a existência da capital foi necessária mão de obra, entretanto estes trabalhadores e familiares não tinham onde habitar. Mas o que parecia ser uma promessa do governo de ordem e espaço planejado para moradias se mostrou uma farsa. A produção mostra vários pontos de vistas de moradores que viveram a Campanha de Erradicação de Invasão e de como a expulsão dos moradores pobres foi feita com o único objetivo de manter uma falsa imagem de beleza e ordem da capital do país. O filme foi vencedor da Mostra Aurora, em Tiradentes, no ano de 2012.

Para quem deseja saber mais sobre o cinema e a estética de Queirós, basta acessar ao debate que aconteceu no dia 21/01, disponível no Youtube da Universo Produção.

Meio ambiente em pauta

Semelhantemente a Adirley Queirós, que abordou em A Cidade é Uma Só? as mudanças sofridas na paisagem do planalto central, movidas por construções e crescimento do meio urbano, outros filmes também trataram do assunto mudanças das paisagens devido a ação do homem e suas consequências. Na seção de curtas, Mostra Regional, os seis curtas que compunham o recorte foram gravados em cidades no interior de Minas Gerais.

Destaco dois, Taxa de Retorno, de Matheus Vieira e Santo Rio de Lucas de P. Oliveira e Guilherme Nascimento, ambos sobre cidades afetadas pela mineração. O primeiro trata de uma comunidade que viveu a promessa do retorno financeiro, mas colheu o desgaste do entorno da cidade e nenhum retorno financeiro. Já o segundo mostra outra cidade, com história parecida, mas que tragicamente teve seu espaço destruído durante o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, no ano de 2015.

Yasmine Evaristo

Artista visual, desenhista, graduanda em Letras - Tecnologias da Edição. Membro Abraccine. Pesquisadora de cinema, principalmente do gênero fantástico, bem como representação e representatividade de pessoas negras no cinema. Devota da santíssima trindade Tarkovski-Kubrick-Lynch.

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