Lenda do heavy metal, vocalista do Judas Priest revelou ser grande fã do ícone do jazz
Em 2022, quando Alice Cooper anunciou a admissão da banda inglesa de heavy metal Judas Priest ao Rock & Roll Hall of Fame, os seis integrantes da banda (incluindo o guitarrista Glenn Tipton, que se afastou dos palcos devido à doença de Parkinson, mas ainda é considerado membro) foram ao microfone para saudar a plateia e os fãs em seus discursos de agradecimento. O vocalista e líder, Rob Halford, ficou por último. No momento em que se aproximava do púlpito, a galera entrou em êxtase, gritando e aplaudindo o “Metal God”. Halford, grandão, se curvou em direção ao microfone e disse: “então… eu sou o gay da banda”.
Fez questão de abrir com a brincadeira, seguida de um belo discurso sobre inclusão e diversidade no metal, porque um dos maiores vocalistas de todos os tempos celebrava outra coisa, além da admissão ao Hall da Fama. Ele era um homem livre. E possivelmente celebrará mais uma vez sua liberdade com um projeto inusitado: um álbum com covers de Tony Bennett, ícone do standard-jazz estadunidense. A ideia foi lançada em uma entrevista recente à revista Ultimate Classic Rock:
“Há tantos projetos musicais que eu quero fazer… eu estava cantando Tony Bennett no chuveiro outro dia, ouvindo minha voz, e pensei: ‘eu ousaria fazer algo assim?’. Então continuei: ‘sou um homem velho, posso fazer o que eu quiser!’ E eu amo Tony Bennett. Eu fiquei triste, como muitos de nós, quando ele faleceu. Um ícone. Eu amo todos os tipos de cantores. Meu amor pela voz faz tudo sempre ser atraente para minhas ideias, para minha imaginação, como a Lady Gaga com aquela sua apresentação de jazz em Las Vegas”.
O novo projeto ainda está no campo da especulação, mas ao revelar publicamente sua intenção, já devem estar chovendo propostas em sua caixa de e-mail. Além disso, Rob sempre encontrou na música a porta de saída para exercer sua liberdade: já teve projetos de rock industrial (o ótimo 2wo), cantou com Dolly Parton e beliscou o grunge com o Fight, principalmente no álbum A Small Deadly Space, de 1995. Como o próprio Metal God afirmou, ele pode fazer o que quiser.
O discurso no Rock & Roll Hall of Fame foi, nas entrelinhas, um pedido de desculpas à comunidade heavy metal. Rob Halford só assumiu publicamente a homoafetividade em 1998, durante uma entrevista à MTV. A partir de então, o cantor passou a declarar que o motivo para esconder sua orientação era justamente o medo de perder fãs, considerando que os metaleiros deixariam de ouvir seus discos ou ir a seus shows. O que aconteceu, no entanto, foi exatamente o contrário. O cantor foi inundado de mensagens de apoio, vindas justamente daqueles que julgava tão preconceituosos.