Matthew Rhys Foto: Reprodução

Matthew Rhys: conheça o 1º ator a vencer dois Emmys na mesma noite

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Mais um expoente do País de Gales, intérprete é também o primeiro a vencer as três principais categorias de atuação de um prêmio Emmy

O que será que tem na água do País de Gales, cuja população é menor do que a região metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo? Além de ter presentado o mundo do cinema e da TV com Richard Burton, Anthony Hopkins, Christian Bale, Catherine Zeta-Jones, Michael Sheen e Tom Ellis, só para citar alguns, o pequeno país do Reino Unido fez história no audiovisual mais uma vez, graças a outro filho da terrinha, Matthew Rhys, 51.

No último Emmy, cuja cerimônia foi realizada na segunda-feira (14), ele conseguiu o feito inédito de vencer como “Melhor Ator Principal em Série Limitada ou Antologia ou Filme para TV” (por The Beast in Me) e “Melhor Ator em Série de Comédia” (por Widow’s Bay). Somado ao Emmy de “Melhor Ator em Série Dramática” conquistado por The Americans em 2018, o resultado o tornou o primeiro intérprete a vencer nas três categorias principais de atuação.

A coleção de estatuetas coroa uma carreira que começou profissionalmente em 1997, em produções locais. Rhys Já estreou chamando atenção: em 1997, ganhou o BAFTA galês de melhor ator por Bydd yn Wrol (Be Brave). Dois anos depois, já estava sentado ao lado de seu ídolo, Anthony Hopkins (além de Jessica Lange), em Titus.

“Em me lembro de quando Hopkins me convidou para ir ao seu trailer e me deu três regras para seguir na carreira: chegue na hora marcada, conheça suas falas e seja ousado, que os grandes deuses virão ao seu auxílio”, contou o então garoto ao jornal The Independent.

O pequeno Matthew subiu pelas primeiras vezes ao palco quando estudava na Ysgol Gynradd Melin Gruffydd e depois na Ysgol Gyfun Gymraeg Glantaf. Dois cursos preparatórios para protagonizar O Senhor dos Anéis? Não, são mesmo os nomes de suas escolas primárias, onde foi educado primeiramente em Galês.

E aqui começam as respostas da pergunta inicial que fizemos nesta matéria. O programa educacional do País de Gales dá grande atenção ao teatro e à oratória (tradição milenar galesa) a suas crianças, extirpando o medo de público já na primeira infância. Desde o século 12, os galeses realizam os Eisteddfodau, que são festivais competitivos massivos de poesia, canto, recitação e atuação. 

Apesar de tão arraigado em suas tradições, o país gosta de exportar seus talentos. Em 2000, com apenas três anos de carreira, o pequeno herói particou para sua jornada no West End, o bairro teatral de Londres. Estreou contracenando com Kathleen Turner na peça The Graduate. Seguiu trabalhando por sete anos nas redondezas, garabitou a cartilha de montagens de Shakespeare e carimbou seu passaporte para o mercado estadunidense. A partir dali, ninguém mais seguraria Matthew Rhys.

Matthew Rhys: de iniciante a galês a um “American”

Tão logo desembarcou na terra do cinema, descolou um trampo na série Brothers & Sisters, da ABC, interpretando um advogado gay, que serviu para apresentá-lo de vez ao público estadunidense. Ficou nela por cinco anos, até que a produção se encerrou, em 2011. Com o fim do job, voltou para a Inglaterra para alguns papéis no Reino Unido, até ser chamado para participar do elenco da premiada The Americans, em 2013.

No ano de encerramento da série do FX, na qual interpretava um agente adormecido da KGB infiltrado nos Estados Unidos durante a Guerra Fria, Rhys começou a sua pequena coleção de Emmys, levando o de “Melhor Ator em Série Dramática”. Famosão, ganhador de prêmio e vindo de uma terra fértil de grandes atores, não demorou para a sensação se recolocar no mercado. 

Em 2020, Rhys passou a protagonizar Perry Mason, da HBO, uma releitura da clássica série estrelada anteriormente por Raymond Burr. Foi uma prelúdio para o convite às produções que lhe deram nada menos do que dois prêmios no mesmo ano e o colocaram na história do Emmy. 

Seus colegas compatriotas devem estar orgulhosos do garoto nascido em 1974, na cidade de Cardiff, e filho de professores de escolas públicas.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.